O curioso caso de uma retrospectiva que olha pra frente ou a dicotomia da Baixada

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Seria um pleonasmo dizer que toda retrospectiva tem como objetivo olhar para trás. Sua existência se deve exclusivamente ao passado. Significa, como diz a palavra, retroceder. Mas essa não é uma retrospectiva qualquer, que obedece à lógica e à retórica meramente por assim o fazer, apenas por ter de seguir a ordem (ou à desordem, como queiram) cronológica. Assim como a vida, que dizem imitar o futebol – ou o contrário, ninguém sabe ao certo. Essa retrospectiva fala de Inter-SM e, por isso, apenas volta o olhar rapidamente para o passado para enxergar um horizonte mais brilhante em 2014.

O primeiro texto que escrevi por estas PAGAS foi em janeiro deste ano. Mais precisamente, em 16 de janeiro. Falava – talvez mais do que isso – CLAMAVA, a bem da verdade, por dias melhores. Na Baixada, é verdade. Mas ocorreu justamente o contrário. O que se sucedeu foram dias horríveis. De tristeza, dor e luto. Santa Maria viveu sua pior tragédia, e isso também afetou o futebol. Ficamos sem jogos em nossas CANCHAS. Ficamos exilados da convivência com o desporto. Vivemos, sobretudo, domingos de tempos estranhos. Domingos como aquele que jamais esqueceremos.

Mas essa retrospectiva, repito, olha rapidamente para o passado para enfim vislumbrar o futuro, porque uma retrospectiva nada mais é do que uma retomada. Buscamos sempre – no futebol e na vida, repito – olhar para trás com o objetivo de não repetirmos os mesmos erros. E, sobretudo, para aprendermos com o que deu certo e seguirmos na mesma linha. E isso se traduz, tratando-se de Inter-SM, na figura de Badico.

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O comandante colorado foi o personagem do alvirrubro na Divisão de Acesso do BRIZOLÃO 2013. Ídolo com a camisa vermelha, reverenciado pelos seus súditos enquanto ainda DESFILAVA seu futebol no relvado santa-mariense, Badico voltou para casa no ano que passou. E recebeu igual reverência durante toda a curta temporada.

Enlouquecido como sempre à beira do campo, tal qual ficavam os quatro-árbitros em cada partida do Inter-SM, Badico foi o coração (e a cabeça também, embora o primeiro ficasse sempre mais evidente) de uma equipe jovem e com claras limitações, mas que ainda assim fez uma boa campanha: no returno, inclusive, chegou às quartas-de-final, quando foi eliminado diante do ÍNDIO LEOPOLDENSE, que viria a conseguir o acesso posteriormente.

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E essa retrospectiva olha para trás justamente por que o objetivo para o acesso passa pela correção dos problemas nos últimos anos. Após a Divisão de Acesso, o Inter-SM reviveu mais um momento de crise. Ameaçado constantemente por sucessivos problemas financeiros que vêm desde antes do DESCENSO para a outrora ALCUNHADA de Segundona, o Colorado da Baixada viveu seu ápice em se tratando de turbulências.

Problemas esses que afastaram o Inter-SM, bem como o rival Riograndense, da Copa FGF deste ano. Não tivemos, em Maria, futebol no segundo semestre, fato que gerou INCERTEZA quanto à continuidade dos projetos LUDOPÉDICOS na cidade.

Chegou-se a cogitar inclusive uma fusão com o arquirrival ferroviário, o que – para o bem do futebol da Boca do Monte – acabou não ocorrendo. Depois, foi levantada a possibilidade de licenciamento do departamento de futebol. Foi, igualmente, logo descartada. Assim, apesar de todas as dificuldades, a camisa rubra da Baixada seguirá DESFILANDO pelos gramados do Interior destes PAGOS.

Para o ano que vem, o Inter-SM segue buscando remotas relações com seu passado. Além do retorno do homem-gol para a casamata, está confirmada a volta do atacante cabeludo Josiel – ou JOSIGOL, para os freqüentadores da Baixada. Além disso, algumas novas apostas estão sendo feitas. Michel, campeão Mundial pelo Internacional, promete brigar por uma vaga no ataque, sob a BATUTA do exigente Badico, que tão bem conhece a grande área do Presidente Vargas.

Por fim, resta dizer que ainda existe amor em Santa Maria. Não que atualmente isso signifique muita coisa no futebol ou, QUIÇÁ, seja sinônimo de sucesso e consequentemente tradução de resultados que colocarão o time de volta ao BRIZOLÃO em 2015. Mas, no ano que TRANSCORREU, pudemos presenciar momentos que nos fizeram acreditar.

O clássico Rio-Nal na Baixada, com o estádio lotado a aclamar o futebol do Interior; Badico aos prantos após vários jogos, com o Presidente Vargas a gritar seu nome, enquanto aproximava-se da arquibancada batendo nos braços, com as VEIAS como a saltar do pescoço; as noites em que percorria toda a lateral do campo pedindo a cada instante o fim do jogo; o desfecho feliz que respeitou história e tradição, permitindo que ano que vem tenhamos futebol em Santa Maria; as tardes de viradas e pênaltis convertidos e desperdiçados.

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Wesley GALGANDO a passadas largas o FLANCO ESQUERDO do Colorado; Rossi mordendo à frente da zaga; o ataque colorado estufando as redes adversárias. Até mesmo o mascote ENSANDECIDO do Inter-SM, o Dino Rubro, chegou a entrar em campo antes de um final de jogo, para desespero dos árbitros auxiliares. Pudemos presenciar, sobretudo, que tudo é possível na famigerada Divisão de Acesso do futebol da querência.

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Tudo isso estará presente nos gramados da Boca do Monte em 2014. O torcedor colorado – e por quê não – o santa-mariense, observa tudo isso meio à distância, com um misto de dúvida e esperança, mas certo de que haverá emoção. ENTREMENTES, há que se aguardar. Uma pontinha de ansiedade que permeia todo início de ano, desta vez aparece mais forte do que nunca. Olhamos para trás e, ao mesmo tempo, projetamos o futuro. Em meio a tudo isso, podemos nos permitir um sorriso de canto.

Nicholas Lyra

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Um comentário em O curioso caso de uma retrospectiva que olha pra frente ou a dicotomia da Baixada

  1. William Boessio diz:

    Nicão foi muito bem. Qualidade.

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