Por que/para que existimos?

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O fim de mais um período de 365 dias, convencionalmente chamado de ano, se aproxima. É inevitável que reflexões de toda sorte sejam feitas, entre elas, uma nos faz entrelaçar a racionalidade com a total passionalidade que nos leva à demência total, razão maior para a existência e continuidade desse blog.

Por que nós, torcedores de clubes do interior, teimamos tanto em apoiar nossas esquadras num sistema desportivo cada vez mais desigual e, principalmente, asfixiante em relação aos pequenos times? Nem se faz necessária a citação, mas mais ainda quando essas equipes são oriundas das pequenas comunidades.

Quem são os culpados? Onde eles estão? Existem meios de se enfrentar os dispositivos que estão levando os clubes não mainstream à extinção? Esse debate extenso, necessário (?) e PRESENTE na nossa esquizofrenia BUCÓLICA nos ocupou durante mais um quarteto de estações, sob a ótica de quem absorve todo o TREMER de cada pavilhão gaúcho, cada um com histórias e motivos diferentes para ser um adepto de uma agremiação interiorana.

Também foi, e continuará sendo, um grande desafio justificar publicamente o que é o Toda Cancha. Nem sempre foi possível esclarecer que não está no horizonte do projeto concorrer ou ocupar o espaço do jornalismo constituído, no âmbito da crônica esportiva ou não, haja vista nosso respeito aos jornalistas de formação e prática que retiram do métier seu sustento e aos métodos da área. No entanto, também não podemos aceitar inertes a pecha de torcedores, quando essa é proposta como argumento de autoridade para justificar maior ou menor capacidade analítica e compromisso ético. A concepção do torcedor-acéfalo não nos serve e condiz mais com a nefasta dualidade que marca o Estado, alicerçada na concentração de recursos, na emergência do torcedor-consumidor, na violência e na corriqueira relação promiscua estabelecida entre a coisa pública e os negócios privados. Pela composição do grupo e, fundamentalmente, pela sua prática é prudente, talvez, autodeterminar o Toda Cancha como um veículo multidisciplinar de comunicação.

Ainda, antes do descortinar para 2014, é dever de justeza recuperar mais um ano de caminhada, bem como mencionar o apoio recebido pelos leitores e leitoras, a divulgação, a parceria e o debate criados aqui. Inicialmente é mister recordar que desde junho de 2012 começamos uma parceria com o insuperável Impedimento que sempre nos faz ter na assertiva quem tem amigos é sempre um vencedor, um mantra inarredável.

Durante o ano, a REDE COLETIVA TODA CANCHA DE INFORMAÇÃO nos proporcionou investigar e reverberar os acontecidos nos mais longínquos ricões do RS. Utilizando o método imemorial da tentativa e erro, fomos coadunando ferramentas de interação virtual para fazer chegar a todas as querências o sinal resistente do futebol pampeano. Para isso, usamos nosso perfil no Twitter – pelo qual acompanhamos, sempre que possível, as pelejas em curso e o noticioso; desfilamos na Zuckerberg Rede e mais recentemente no Instagram – que promete ser o maior repositório de retratos do futebol de potreiro daqui em diante (ou não). Também merece destaque a cordialidade da nossa caixa de comentários que, salvo algumas POUCAS manifestações impregnadas de incompreensão, nos deixa sempre muito contentes ao suscitar debates fundamentais.

Pensando no ano com já começou a baforar na nuca do vivente, tal qual zagueiro em cobrança da córner, lançamos nesse mês uma VAKINHA que, extra oficialmente (ns), já pode ser considerada um baita sucesso, mas na qual tu, caro leitor ou cara leitora, ainda pode livremente te agregar. Nosso objetivo arrecadatório é simples: reformar o bolicho e seguir pensando as coisas do interior do futebol gaúcho com respeito e alegria.

Por fim, agradecemos a nossa gente toda: cancheiros, cancheiras, colunistas especiais, apoiadores, parceiros e, principalmente, aos nossos leitores e leitoras! Que venha 2014 e que as próximas horas sejam muito boas!

Um abraço,

Equipe Toda Cancha

(A foto é da cancheira em trânsito Caroline de Oliveira)

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Um comentário em Por que/para que existimos?

  1. Matheus Primieri diz:

    Aguante!

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