O Lobo voltou a ser mau!

LOBOCAMPEÃO

Não, amigos, 2013 não foi irretocável.
Mas sim, amigos, 2013 foi inesquecível.

O campeonato gaúcho começou de forma desastrosa. Três derrotas nas primeiras três partidas. Uma vitória nos Plátanos – sob forte chuva – deu sobrevida ao Lobo, que desde o início já esteve na UTI. Respirando por aparelhos, chegamos à última rodada. Três técnicos depois, a redenção. Uma improvável vitória sobre o Caxias, em pleno Centenário, garantiu a permanência do áureo-cerúleo na primeira divisão. O que foi classificado como “frustração” por alguns, para nós – passionais torcedores – foi o primeiro ato de alegria do ano.

Depois de toda a tempestade, ainda no período de bonança, veio a reestruturação. Uma das mais importantes. Fora do campo. Sangue novo na presidência; no comando; na proposta.

A apresentação do técnico Paulo Porto foi o primeiro gol da nova direção. Uma excelente forma de diminuir a desconfiança que pairava sobre a Boca do Lobo. Enquanto o rival colhia os louros de uma Série A2 muito positiva, começávamos do um. Quem tem um bom técnico nunca começa do zero.

CONGRESSO

Clássicos, vitórias, derrotas, resultados louváveis, atropelos, percalços… Vivenciamos todas as experiências possíveis nos últimos quatro meses. Com uma atuação – esta sim – irretocável, nos livramos do pior sequência de nossas vidas. Foi o segundo ato. Comemorar um turno, acabar com um tabu de quase dez anos (e apenas quase), gritar, chorar, bradar e espernear de alegria por um momento que – é verdade – muitos ali nunca haviam visto com os próprios olhos.

O revés na Copa Willy Sanvitto poderia ter abalado o Lobo. Poderia. Mas não abalou. É onde entra Paulo Porto. É onde entra Alessandro Telles. É onde entra a direção, os torcedores. É onde entra em ação o sentimento.

Em mais uma decisão contra o maior rival, após perdermos o segundo turno, veio uma vitória na chuva. Um chute magistral, daqueles que todos pensam alto: “Nunca mais!”. Findou-se o segundo tabu. Inverteu-se a obrigação. Tudo isso sem instrumentos. Na voz. No ritmo que cada um traz no bumbo do próprio coração. Alentar não é pra qualquer um.

No dia 12 de novembro sofremos uma das derrotas mais comemoradas da história do ludopédio. Vitória rubro-negra, título áureo-cerúleo. Criou-se um mito. Levantou-se uma taça. Comemorou-se um título. Fez-se uma festa linda de ver. Linda de sentir.

NÓIA

Veio, então, a Supercopa Gaúcha. Três equipes do interior disputando a tão sonhada vaga na Série D nacional. E a vaga veio já no primeiro jogo. Foi contra o Novo Hamburgo. Foi nos pênaltis. Foi como tinha que ser. Foi como o hino previu: “Quem não te ama nunca sentiu emoção!”.

A final, contra o Internacional, foi a “cereja do bolo”. Um título conquistado também nas penalidades, também com emoção. Guerreiros chorando dentro do campo, jogadores que pareciam torcedores, uma identificação rara.

A retrospectiva poderia até ser encerrada por aqui, mas ainda faltava um detalhe. Clima de fim de ano, 29 de dezembro. Um jogo sonolento, sem muitos destaques. Amistoso contra o Novo Hamburgo. Os anilados souberam como ninguém se tornar um adversário especial para o Pelotas. Nos ensinaram lições, nos mostraram como levantar a cabeça e nos proporcionaram momentos únicos.

SOTILLIGOL

Vitória do Lobo por 2 a 0. O último gol do ano na Boca do Lobo foi de Sandro Carlos Sotilli. O alemão matador, o ídolo, o mítico camisa 18(?). Um retorno sensacional que mandou todos pra casa com um sorriso no rosto. Ninguém é ídolo por acaso.

Não foi um ano irretocável, mas foi um ano inesquecível.
Fomos da UTI para o paraíso sem precisar morrer.

O Lobo voltou a ser mau.

Que seja um baita 2014.
Baita como foi 2013.

Do faceiro áureo-cerúleo, Leandro Lopes

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6 Respostas a O Lobo voltou a ser mau!

  1. Airton Cardoso diz:

    Sábias palavras, parabéns.

  2. Baita texto. Como torcedor – e jornalista – que admira uma boa crônica à lá Nelson Rodrigues, fiquei emocionado com a retrospectiva. Parabéns. O cultive-ler.com está aberto para teu talento.Um abraço.

  3. Junior diz:

    Que seja um ano com o Lobo atropelando adversários ao longo dos 12 meses !

  4. Pedro diz:

    “Quem não tem ama, nunca sentiu emoção”. Está frase, presente em nosso hino, nunca fez tanto sentido como neste ano.
    Ainda me lembro daquele jogo no Gauchão, o último em casa, contra o Passo Fundo, no intervalo quando fui dar uma volta para pegar um ar, via nos olhos de cada torcedor o sentimento de tristeza, sofrimento, de medo de voltar para tão temida segundona. Este foi o último momento triste no ano do glorioso E.C.Pelotas, após aquele intervalo, foram só alegrias, os 2 gols que decretaram o empate e suado 1 ponto conquistado, a vitória do alívio em Caxias e o espetácular segundo semestre.

    Ótimo texto Leandro, tu és o melhor mesmo !

  5. Nino Rafael diz:

    O Obama não sabe nada mesmo!!! Tu é o cara meu brother!

  6. Luciano Kluge diz:

    2014 Promete!!!

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