Periquito completa 70 anos dando asas à paixão

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A Capital Nacional do Fumo conheceu o futebol profissional em 1913 com o F. C. Santa Cruz, o Galo Carijó. Porém, foi no dia 6 de janeiro de 1944 que alguns dos atletas que SOBRAVAM da equipe resolveram criar um novo clube, para então poder mostrar todos seus dons futebolísticos (?). Às margens da de uma das principais avenidas da cidade da Oktoberfest, enquanto os demais habitantes saboreavam uma cuca com linguiça, surgia o Esporte Clube Avenida, o Periquito Santacruzense. O clube que sem demora se tornou o clube do povo de Santa Cruz do Sul.

Os cueras se revoltaram porque tinha tanta gente no Galo que chegavam a ficar um ano apenas esquentando o banco dos Plátanos. O Avenida se tornava ali, o mais novo xodó da cidade. “A gente pagava para jogar, era uma questão de amor à camisa mesmo. O clube só dava uniforme e a bola” recordou certa feita Bruno Seidel, um dos fundadores do clube. Nos intervalos dos jogos, enquanto descansava (?), Seidel criou, mais tarde, o escudo do clube. Escudo que levou as cores verde e branco, e como mascote, foi escolhido um PERIQUITO.brasao

O primeiro presidente do alviverde foi Arno Evaldo Koppe. Tenteando dois anos pra se filiar na Federação Gaúcha de Futebol, só em 1947 que o Periquito participou do primeiro campeonato oficial da nossa ESTIMADA FGF.

Nos primeiros anos de vida, o Periquito não tinha ninho. Era obrigado a treinar na várzea literalmente, em um campo no bairro Várzea. E foi no dia 8 de junho de 1950 que o alviverde teve a inauguração oficial de seu ninho, ou estádio, como preferirem.

eucaliptos

A primeira peleia dos Eucaliptos, como foi chamado o estádio, foi contra o Grêmio Foot Ball Porto Alegrense. É, os azuis vieram pra tirar o sorriso se orelha a orelha que estampava nos rostos do povo verde e branco. Em um jogo típico de time pequeno contra time grande e sem cerimônias, o tricolor da capital aplicou 13 x 2 nos, agora, donos da casa.

O Avenida foi o clube do inusitado. Nos anos 60, teve um PADRE como jogador. O cuera da batina era Orlando Francisco Pretto, que atendia o já conhecido dos alviverdes, Bairro Várzea.

O Avenida foi o clube da humildade. Com um típico patrocínio de interior, ou com a falta de um, e com os dois clubes da cidade ais trancos e barrancos, no início dos anos 70, o Periquito resolveu fundir-se ao maior rival. Surgiu então a “Associação Santa Cruz do Futebol”, não eram carteiros, mas vestiam amarelo e azul. Porém, o lado alviverde da associação foi PELEADOR e conseguiu com que as cores do uniforme fossem alteradas pra verde e preto. Graças ao bom pai, essa fusão não teve vida longa.

O Avenida foi o clube sem futebol. Com a fusão acabada, o Avenida fechou o Departamento de Futebol durante sete anos, entre 1990 e 1997, mantendo apenas o clube a sede social em atividade.

O Avenida foi o revelador de narrador. Retornando aos gramados em 1998, com um time que contava com o então desconhecido Paulo Brito usando a camisa 2.

O Avenida foi superação. Quando voltou ao futebol profissional, com o charmooooso camisa 2 no elenco, o Periquito papou o Vice Campeonato da Série C do Gauchão, garantindo o acesso à Série B do mesmo. Seguindo com voos altos, o acesso pro COSTELÃO 2000 foi alcançado com uma boa campanha na Segundona em 1999.  Como naquele ano as equipes classificadas da Série B entravam direto na segunda fase da competição, o Avenida entrou direto nas oitavas de final, enfrentando outra vez o tricolor da capital. O primeiro confronto foi de encher os zóio do nego véio de lágrimas, com gol do meia Marquinhos e indiscutível atuação de um, então, jovem promissor Rodrigo Leite, o Avenida venceu por 1 x 0.  A alegria não durou muito, no jogo de volta o Grêmio venceu por 3 x 0, levando a partida pra prorrogação. E nela, nova vitória do tricolor da capital, dessa vez por 2 x 0.

torcida

O Avenida foi irregular. Disputando o tão sonhado COSTELÃO no ano em que o mundo terminaria (?), a equipe acabou caindo novamente pra Série B em 2000. Num regulamento que só a FGF consegue fazer, disputou ainda em 2000 a Série B, garantindo outra vez a vaga na elite gaúcha, dessa vez pela repescagem.

O Avenida foi desanimador. Fazendo jus ao apelido de IOIÔ que começava a surgir, o Periquito foi novamente rebaixado em 2001. Sofreu 6 x 1 do Novo Hamburgo, e voltou pra Segundona, se repetindo o filme da crise financeira. Crise que manteve o alviverde na Divisão de Acesso durante longos sete anos.

O Avenida foi esperança. Com um 2008 memorável, em uma final em que a equipe venceu o São Paulo por 3 x 0, a vaga na elite estava garantida novamente.

O Avenida foi o Avenida. Com uma campanha razoável na competição em 2009, o time acabou a peleia em décimo colocado. Em 2010, ficou na última colocação do estadual, voltando à Divisão de Acesso. O que parecia desanimador, reservava um roteiro de novela mexicana (?) aos alviverdes.

O Avenida foi campeão. 2011 começou com a tradicional desconfiança do torcedor, olhando o time de REVESGUEIO, sem saber o que esperar ao certo. Esperar um grupo que pelearia pelo acesso? Um bando de cueras acomodados com a Divisão de Acesso? Dois pés atrás, mas dessa vez o torcedor alviverde presenciou uma equipe que levou o hino ao pé da letra, uma equipe que, de fato, demonstrou a garra da sua gente. E naquele memorável 11 de julho de 2011 foi até as Castanheiras em Farroupilha, enfrentou o Brasil de Farroupilha sem temer o fator casa. E com um 3 x 1 de fazer todo e qualquer torcedor alviverde desabar em lágrimas, o acesso à elite estava garantido e, muito mais do que isso, ali o Avenida se tornava o campeão da Série B. Título inédito para o clube e para a cidade, que desde então conheceu seu único clube com título.

titulo

O Avenida foi agonia. Sim, o Periquito foi rebaixado outra vez em 2012. Dessa vez foi diferente, doeu mais. Não foi apenas outro rebaixamento, foi um rebaixamento pós título, um rebaixamento no saldo de gols, após um empate contra o Veranópolis na última rodada.  Em casa, diante do torcedor.

O Avenida foi desilusão, foi esperança. 2013 tinha tudo pra ser um ano bagual de bom pro Periquito. Foi o primeiro clube a iniciar a preparação pro GRILLÃO e a chance de conseguir o acesso no ano do centenário do maior rival estava ali, logo na frente. Una pena que esqueceram de avisar os jogadores. O torcedor alviverde viu uma vitória no clássico depois de ano, comemorou aquele 2 x 1 abaixo de chuva como se não houvesse amanhã.  Mas teve amanhã e teve jogo de volta, outro 2 x 1, dessa vez pro lado alvinegro. E nas penalidades, Taça Centenário entregue ao dono do centenário.

E a Divisão de Acesso? O Periquito levou cinco flechadas do Índio xavante e o sonho acabou na Baixada, nas quartas de final do segundo turno. As últimas comemorações  do torcedor alviverde foram o rebaixamento daqueles que diziam que nunca cairiam e o belo desempenho da base na Copa FGF Sub 19.

O Avenida é o time inusitado, humilde, revelador, sem futebol, da superação, irregular, desanimador , da esperança, campeão, agoniante, da desilusão. É o clube que leva o nome por ter sido criado às margens de uma das principais avenidas da Terra do Fumo, um clube simples que se tornou o “clube do povo”, o clube que é motivo de orgulho pra muitos.

São 70 anos de alegrias, dificuldades, emoções, tristeza, decepção, garra, glória, de todos os sentimentos que só o futebol nos traz.

70 anos do meeeeu Avenida!

periquito

“Salve Periquitão, do meu coração tu és a alegria… ♪”

E o meu Avenida, hein?

Sabrina Heming

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