Novo Hamburgo à mineira

Peixoto comemora seu gol diante do São Paulo: Noia vai comendo pelas beiradas em 2014 (Foto: João Victor Torres/ECNH)

Peixoto comemora seu gol diante do São Paulo: Noia vai comendo pelas beiradas em 2014 (Foto: João Victor Torres/ECNH)

Assim como o mar avança sobre as planícies costeiras erodindo a costa e desenhando as falésias, o gigante de água salobra também recua para longe do continente aumentando a largura dos bancos de areias num movimento pendular de altos e baixos. O mesmo acontece com os clubes de futebol e o Novo Hamburgo no vindouro Gauchão embarca num viés de menos investimentos e promessas aos torcedores, prevendo a saída de seu mecenas e preparando a transição para evitar uma brusca tormenta.

A gestão Carlos Duarte se caracterizou pelos voluptuosos investimentos na construção do elenco anilado, até criando o rótulo de ‘Galácticos do Vale’. Em 2010 e 2012 chegou à final da antiga Taça Piratini, mas morreu na sonhada praia da Série D; em 2011, o ano do centenário, um oba-oba incomum em cima de um grupo recheado de jogadores ‘come-e-dorme’ e uma máquina de empates que não conseguiu sequer se classificar aos mata-matas de cada turno – foi a única vez que o Noia não obteve a qualificação enquanto perdurou tal regulamento.

Uma mudança foi tentada em 2013 com a busca por jogadores fora da vitrina há algum tempo, porém o pulo do gato quase se deu em direção ao abismo e Duarte teve que tirar alguns escorpiões do bolso – e mandar alguns gaiatos à fogueira – para montar um novo time entre um turno e outro e permanecer na elite gaudéria.

Apesar dos títulos do Metropolitano e da Copa FGF no segundo semestre do ano passado, os investimentos no elenco não seguiram na mesma proporção para 2014. Aproveitando-se da manutenção da espinha-dorsal campeã, o Novo Hamburgo contratou apenas reforços pontuais, sendo o recheio de grupo composto por jogadores das categorias de base.

Luizinho Valentim volta ao clube no lugar de Everton Cury, EL BIGODÓN (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Luizinho Valentim volta ao clube no lugar de Everton Cury, EL BIGODÓN (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Se por um lado a comissão técnica e parte do elenco permanecem intactas, a estrutura diretiva anilada mudou significativamente. As saídas do diretor-executivo Maurício Andrade e do vice-presidente de futebol Everton Cury, além da demissão do diretor de futebol Juarez Radaelli, descentralizaram o comando do clube. Atualmente um POOL de conselheiros ajudam Elói Santos e Luizinho Valentim a tocarem o futebol numa espécie de colegiado semelhante ao existente no final da década de 1990 – com a diferença de que naquela época o colegiado presidia o clube, afinal ninguém queria pegar a batata-quente que era aquele clube em insolvência.

A saída de Carlos Duarte, embora não anunciada publicamente, é sentida nas bancadas do Estádio do Vale, nos poucos atletas contratados e no discurso mais humilde e menos pretensioso. O conselho de notáveis parece já se organizar para ver quem sucederá o presidente ao final de ano, esperando o nome que surgirá da fumaça branca.

Acostumada à montanha-russa de emoções dos últimos anos, com brigas por títulos e contra o rebaixamento, a torcida anilada deve passar um 2014 sem maiores sobressaltos, ansiosa pelo cenário pós-Duarte, tentando beliscar uma vaguinha no mata-mata comendo pelas beiradas e se mantendo longe do inferno.

Todos os homens de Itamar Schulle

A base campeã do segundo semestre de 2013 permite ao Noia contratar menos em quantidade e mais em qualidade, agregando peças apenas aos setores carentes com a saída de alguns jogadores. A demora na chegada dos reforços, contudo, irritou parte da torcida e demonstrou como deve ser o modus operandi nos meses que antecederão a mudança no comando do clube.

Preto, o MAESTRO DO CALÇADO, está de volta ao Anilado (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Preto, o MAESTRO DO CALÇADO, está de volta ao Anilado (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Marcelo Pitol chega para disputar a camisa 1 com Max, que fez boa temporada em 2013; Rafael Mineiro e Peixoto ganham as boas companhias de Paulinho e Anderson Pico para as laterais, carentes de peças de reposição no segundo semestre – sobretudo no lado esquerdo; o miolo de zaga tem os retornos de Luis Henrique – seu décimo Gauchão com o Noia – e Fred; na meia-cancha, dois velhos conhecidos (Chicão e Preto) e a grande contratação do ano: Juca; e para o ataque, Douglas e Jonatas Belusso.

Os nomes e seus currículos apresentam um forte time-base do Novo Hamburgo, entretanto os diferentes estágios físicos com que os atletas chegaram ao clube e a falta de peças de reposição de peso igual aos titulares, sobretudo no setor ofensivo, mantem a torcida com os dois pés bem atrás.

A pré-temporada

Do fim de Dezembro a meados de Janeiro o Novo Hamburgo realizou cinco amistosos, além de uma semana de concentração em Ivoti – até nisso o Noia cortou gastos. No primeiro teste, com a maioria dos atletas remanescentes de 2013, o Anilado bateu o Sindicato por 3×0, com dois gols de Luis Henrique e um de Eliomar.

Douglas, Juca e Fred: pacotão anilado antes da estreia (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Douglas, Juca e Fred: pacotão anilado antes da estreia (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Ainda no ano passado um amistoso contra o Pelotas, algoz da Supercopa, e derrota por 2×0, ainda que o desempenho tenha sido elogiado. No início do presente ano, retorno à zona sul e nova derrota por 2×0 – dessa vez para o Brasil, num desempenho abaixo da crítica.

Jogando no Vale dos Sinos, o Novo Hamburgo não passou do 0x0 diante do Xavante. Nesse jogo o time de Itamar entrou em campo no 4-1-3-2; o time teve crônicos problemas na armação, com Bruno, o eleito para função, bem marcado e muito lento na distribuição do jogo. Com isso Preto teve que recuar para armar o jogo e o time perdeu em profundidade. Mazinho jogou menos aberto e os atacantes tiveram dificuldades em se desvencilhar da marcação, principalmente Lucas Santos, a alternativa de velocidade e drible pelos flancos.

O Novo Hamburgo do jogo contra o Brasil: apesar dos três meias, setor ofensivo foi ineficiente

O Novo Hamburgo do jogo contra o Brasil: apesar dos três meias, setor ofensivo foi ineficiente

No último sábado o Noia fez seu último teste diante do São Paulo de Rio Grande. Poupando Preto, Mazinho e Douglas, Itamar montou a equipe no 3-5-2, descentralizou a armação de jogadas, apostou na transição rápida pelos flancos e ganhou nas triangulações zagueiro-volante-ala e ala-volante-atacante, inexistentes contra o Brasil.

Na segunda etapa, com Eliomar deslocado para a armação, no lugar de Bruno, e Anderson Pico no lugar do lesionado Rafael Mineiro, o time não apenas se mostrou seguro na defesa, como ganhou em dinamicidade na gestão da bola e nos contra-ataques. O futebol de Jonatas Belusso apareceu – com um belo gol -, menos chutões aconteceram e Eliomar voltou a mostrar seu bom futebol.

No 3-5-2 o Noia dominou e bateu o São Paulo por 2x0, com gols de Peixoto e Jonatas Belusso

No 3-5-2 o Noia dominou e bateu o São Paulo por 2×0, com gols de Peixoto e Jonatas Belusso

Para a estreia diante do Aimoré, Itamar não deve ter Douglas e Juca à disposição – ao menos em sua plenitude física para começar a peleia. Assim, o time pode voltar ao 4-2-3-1 da época passada, com Paulinho e Mazinho disputando posição na ponta-esquerda, Preto centralizado e Eliomar na direita, com apenas Belusso no ataque. O bom desempenho coletivo do último amistoso e os desempenhos aquém do exigido de Lucas Santos e Bruno podem apresentar o Noia no 3-6-1, com Preto e Eliomar ou Mazinho dividindo a armação.

Copa do Brasil

De volta às competições nacionais após 8 anos, o Novo Hamburgo pega o Joinville na 1ª fase da Copa do Brasil, a se iniciar em 12 de Março. O adversário está na Série B do DILMÃO e quase ascendeu à Série A em 2013, mas traz boas lembranças ao Anilado: em 2005 o Noia eliminou O JEC nas oitavas-de-final da Série C num confronto épico – vitórias por 1×0 para cada lado e triunfo anilado nos pênaltis por 4×3 em plena Arena Joinville.

Do atual elenco anilado estiveram nas duas peleias o zagueiro Luís Henrique – autor do gol da vitória no primeiro jogo e cobrador de pênalti na segunda partida – e o meia Preto – craque daquele time -, além do vice-presidente de futebol Luizinho Valentim. Por que não sonhar?

Elenco

Goleiros
Marcelo Pitol
Max
Simão

Laterais
Anderson Pico
Paulinho
Peixoto
Rafael Mineiro

Zagueiros
Fred
Juan Sosa
Luis Henrique
Puyol
Zé Carlos

Volantes
Alberto
Chicão
Magno
Paulo Vinícius

Meias
Bruno
Eliomar
Juca
Mazinho
Preto

Atacantes
Douglas
Jonatas Belusso
Lucas Santos

Grudado na grade,
Zezinho

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4 Respostas a Novo Hamburgo à mineira

  1. Marcelo Alves diz:

    Mais uma bela materia do zezinho…

    E vamos que vamos meu Noia !!!!!

  2. Weber diz:

    Falta atacante nesse time. No mínimo mais dois. Acho que a base é muito boa, mas sem ataque não vai a lugar nenhum.

  3. PARANOIA diz:

    APOIAREMOS A CADA SEGUNDO O ANILADO NESTE GAUCHAO.

    O APOIO DA DIRETORIA VEIO AOS 90 DO SEGUNDO TEMPO.
    E ESTAREMOS LA PARA LEVAR O TIME AO TITULO !

  4. André diz:

    Itamar é muito burro, ao invés de ter Juca como sua extensão dentro do campo, já que o cara tem muito mais experiÊncia de futebol com ele, ficou com medo de perder o emprego e o comando do time e pediu que o mandassem embora. É muito burro!!!

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