Futebol sonolento, porém ainda compreensível

16086697

Ao final do primeiro jogo oficial do Juventude em 2014 – uma derrota desanimadora e pacata por 2 a 1 para os Leões do Parque, ontem, no Jaconi -, o que sinceramente mais preocupou a este que vos escreve foi a imagem ao término da partida. Ao dar o título a esse texto, quero dizer que sim, o Juventude que vimos na noite de ontem foi apagado, perdido dentro de campo e sem liga alguma. No entanto, esse também foi o primeiro duelo oficial de Geraldo Delamore (esqueçam, o Lisca já foi!) à frente do alviverde. Mesmo assim, um grande número de torcedores estremeceu o alambrado, alguns chegando a subir nele, para descarregar toda sua raiva contra o novato treinador – passando, ao menos a mim, a impressão de ele ter sido o culpado pela saída de Lisca.

Não estou aqui para defender o comandante, mas não será da noite para o dia que um esquema novo, um padrão de jogo diferente, ou seja, um OUTRO trabalho já sairá funcionando perfeitamente. Geraldo Delamore é sim uma aposta – basta vermos seu tímido currículo como dono da casamata. Delamore não é e nunca será um novo Lisca. São personalidades diferentes, estilos diferentes.

Acredito que o que precisamos, nós Papos, neste momento, é ter calma, um pouco de sensatez e tentar ver até onde é possível apoiarmos este novo treinador. Delamore, que venceu tudo que foi possível com o Corinthians de Tite recentemente, viu a direção corinthiana bancar ele e Tite mesmo após a humilhante eliminação na pré-Libertadores de 2011 para um até então desconhecido Tolima, resultando no que todos vocês sabem. 

16086679

É claro, eu também não gostei NADA do Juventude que entrou em campo ontem. Foi um time apático, desligado e com um esquema proposto por Delamore que deixava o meio campo alviverde aberto, sem compactação. Com Rogerinho de um lado, Douglas de outro, Zulu na frente e Diogo Oliveira na armação, pareceu-me que os jogadores ficavam muito longe um do outro, ficando à mercê de lançamentos longos e, muitas vezes, sem nexo.

O lateral-direito Rodrigo Heffner, uma das poucas caras novas em relação aos titulares do ano de 2013, foi MUITO mal. Errou diversos passes, falhou na marcação e, na tentativa de avançar pelos flancos, ora com Douglas, ora com Rogerinho (já que ambos ficavam se revezando de lado), foi apagadíssimo, sem confiança e nada acabou produzindo.

Falando em Rogerinho, que vinha maravilhosamente bem nos amistosos preparatórios – com três gols em três jogos -, este simplesmente não entrou em campo. Douglas até teve alguns lances bons, escapando da marcação pelas pontas, porém na grande maioria das vezes pecando nos cruzamentos. Já Zulu agradou. O centroavante conseguiu segurar a bola, girar nos marcadores e, com um bom posicionamento na área, teve boas chances de marcar o seu gol, como na chance perdida na primeira etapa após cruzamento de, salvo engano, Julinho, quando Z9 antecipou a marcação e cabeceou à esquerda do guapo são-paulino.

O maestro Diogo Oliveira, assim como todo o time, não teve uma ótima atuação, no entanto também não foi mal. Conseguiu se desvencilhar da marcação e armar boas jogadas. Rafael Pereira, sempre soberano nas bolas aéreas, foi como sempre seguro e presenteado com um gol de cabeça, após minutos antes exigir um milagre de Pablo também em uma cabeçada após escanteio cobrado por Julinho.

16086688

Em suma, o que há de certo é que Geraldo Delamore e companhia terão MUITO trabalho a fazer até conseguir (se conseguir, é claro) encaixar essa equipe no seu padrão de jogo. Para dificultar ainda mais essa tenebrosa missão, o Papo sai do Jaconi para encarar São Luiz, em Ijuí, na próxima quarta (22) e Pelotas, na Boca do Lobo, no sábado (25). Duas pedreiras, porém com a necessidade de ao mínimo buscar de três a quatro pontos.

Que Delamore quebre a cabeça, faça o que achar que deve fazer, e que o deixem, ao menos, TENTAR acertar seu trabalho.

Pedro Torres

FICHA TÉCNICA:

Juventude (1): Fernando; Rodrigo Heffner (Willian Thuram), Rafael Pereira, Diogo e Julinho; Leandro Melo, Jardel, Diogo Oliveira (Paulo Josué) e Rogerinho; Douglas (Ermel) e Zulu. Técnico: Geraldo Delamore.

São Paulo-RG (2): Pablo; Nêgo, Cesinha, Guilherme e Vasconcellos; Wanderley, Balduíno, Nata (Gilian) e Rob (Murilo); Jeferson (Michel) e Ray. Técnico: Agenor Piccinin.

Arbitragem: Jean Pierre Gonçalves Lima, auxiliado por Carlos Henrique Selbach e Maurício Silva Penna.

(com fotos do Pioneiro.com)

Publicado em Gauchão 2014, Juventude, São Paulo-RG com as tags , , , , , , , , , . ligação permanente.

3 Respostas a Futebol sonolento, porém ainda compreensível

  1. Vinicius diz:

    Bom texto e concordo com as observações sobre o jogo, exeto que acho que Rogerinho não foi tão mal assim, penso que jogou tanto quanto Douglas ou Diogo Oliveira, mas enfim..
    O importante e o principal foco do texo é quanto ao novo treinador. Claro que terá tempo para montar o time do jeito que quer, mas poxa, o time jogava bem o ano passado e de uma hora pra outra deixou de jogar. Isso foi o preocupante para todos nos papos…
    Espero e torço muito para que ele dê um jeito nesse time e que comece a render bons frutos. VEREMOS!!

  2. Matheus Almeida diz:

    Belo texto, Pedro!

    Sem querer puxar a sardinha para o nosso lado, mas acho que boa parte da vitória rubro-verde passou pelo bom esquema defensivo que o Agenor armou. Tanto Douglas, quanto Rogerinho ficaram presos na marcação e o Diogo Oliveira não conseguia passar da intermediária graças a barreira rubro-verde de zagueiros e volantes. A atuação do São Paulo surpreendeu positivamente e a do Papo negativamente. Talvez – ou com certeza – passou por aí o nosso triunfo.

  3. Pingback: Futebol apático (e já não mais compreensível) | Toda Cancha

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *