De volta à realidade

segundogolA derrota do Novo Hamburgo para o Internacional, ainda que com seu time sub-23, é um resultado normal e comum, embora não condizente com o maior volume de jogo e mais chances criadas pelo Anilado. Demonstrando um futebol bem melhor do que na vitoriosa estreia, o Noia também mostrou suas carências: fragilidade na bola aérea defensiva e elenco enxuto.

Itamar Schulle surpreendeu esse escriba ao entrar em campo num esquema muito semelhante ao utilizado contra o Brasil de Pelotas, formando uma linha de três meias alinhados, com a bola, e um losango sem a posse do esférico. A diferença é que sem Bruno e com Anderson Pico a equipe ganhou em mobilidade pelos lados do campo e amplitude nos lançamentos e inversões de jogo.

Apesar da escalação, em teoria, mais ofensiva, o Noia respeitou em demasia o Colorado nos instantes iniciais e marcou em seu próprio campo. Nas vezes em que conseguia trocar passes curtos ou realizar inversões de jogo no contra-ataque incomodou o Internacional, sobretudo em dois arremates venenosos de Mazinho, o principal jogador da primeira etapa.

Novo Hamburgo x Inter 220114

O 4-4-2 em losango anilado. A imagem é do amigo Vicente Fonseca, do Carta na Manga – por isso a análise muito superior a minha (http://cartanamanga.blogspot.com.br/2014/01/o-conjunto-da-gurizada.html)

No entanto, tal como nos amistosos e no jogo contra o Aimoré, a bola aérea defensiva não funcionou. Antes do primeiro tento de Jean, a defesa anilada já fora superada pelo ataque colorado. Marcelo Pitol, aparentemente fora de ritmo, dificilmente saía pra cortar a bola, tal como Fred, facilmente batido em lances mano a mano.

O gol colorado acendeu o Noia na partida, quase igualando o marcador em duas cabeçadas, com Douglas e Fred. E nos estertores da primeira etapa, em um erro na transição ofensiva, Anderson Pico foi obrigado a cometer em Fernando Baiano próximo à área. Mais uma cobrança venenosa de Cláudio Winck, confusão na área, Marcelo Pitol e Fred pensando na morte da bezerra, e mais um gol de Jean.

A volta da segunda etapa mostrou um Noia sem medo do Colorado, precisando reverter o placar, e atacando com intensidade. Logo no início, em jogada iniciada por Preto, Anderson Pico deu passe primoroso para Jonatas Belusso descontar. Resultado do ingresso de Pico na equipe: deu maior mobilidade para a boa saída de jogo de Preto e colocou Belusso no jogo, de pouca parceria nos jogos anteriores.

Fred vendo a bola passar: uma constante no jogo (Foto: Zero Hora)

Fred vendo a bola passar: uma constante no jogo (Foto: Zero Hora)

O Noia poderia ter empatado logo em seguida, mas Anderson Pico, após deixar o marcador na saudade, mandou a bola na Vila Bráz. Ao longo do segundo tempo, enquanto pressionava o Colorado, outras carências da equipe afloraram. À medida que Preto cansava, o Noia parava mais o jogo na base de faltas e a produção ofensiva diminuía. As saídas de Anderson Pico e Mazinho, extenuados, para os ingressos de Lucas Santos e Bruno foram as pás de cal na produção anilada.

O Anilado ainda teve dois gols anulados por impedimento, em tentos de Fred – desvio de falta cobrada por Alberto – e Bruno – rebote após grande jogada de Jonatas Belusso -, além de um pênalti não anotado em Douglas – de onde eu estava tive a sensação de falta, mas achei que tivera sido fora da área.

E por mais doloroso que seja, a derrota do Noia não passa pela arbitragem, mas por sua deficiência defensiva e nas poucas peças de reposição capazes de mudarem os rumos da peleia. Bruno está muito aquém do nível de Preto e Mazinho, Lucas Santos é muito irregular e Douglas não tem substituto; além disso, não entendi por que Eliomar não ingressou em ambos os jogos, sendo um jogador de drible, apoio e arremate. Não há derrotas boas, porém freia o ânimos de quem já projetava uma briga pelo título do Interior. Tem muita água por passar pelo valão.

Com elenco enxuto – atualmente o Noia conta com 23 jogadores no elenco profissional -, o Novo Hamburgo faz uma aposta de risco em um bom time titular, mas pouco homogêneo e sem grande competitividade interna. Lesões e suspensões podem cobrar uma melhor campanha anilada. No entanto, se a equipe impôr esse mesmo ritmo diante dos seus adversários iguais, poderá fazer um salseiro no campeonato.

Ficha técnica

NovoHamburgo_45x45

Marcelo Pitol; Rafael Mineiro (Magno), Fred, Luis Henrique e Peixoto; Alberto, Preto, Anderson Pico (Lucas Santos) e Mazinho (Bruno); Jonatas Belusso e Douglas. Tec.: Itamar Schulle
internacional_45x45Alisson; Cláudio Winck, Jean, Thales e Raphinha; Rodrigo Dourado, Gladestony, Alex Nemetz (Alex Santana) e Reis; Aylon (Ruan) e Fernando Baiano (Murilo). Tec.: Clemer

Como eles foram

Marcelo Pitol: 4,5 – falha dos dois gols e um parto a cada saída do gol;
Rafaek Mineiro: 5,5 – mais acionado do que no primeiro jogo, faltou maior contundência ofesniva;
(Magno: sem nota – entrou no final da partida);
Fred: 5 – um perigo nas duas áreas;
Luis Henrique: 6,5 – saiu bem pro jogo e conteve as investidas coloradas;
Peixoto: 6 – cumpriu bem seu papel defensivo;
Alberto: 5,5 – bem na marcação, foi lento em algumas saídas de jogo;
Preto: 6,5 – muito bem no toque de bola, cansou no segundo tempo;
Anderson Pico: 7 – boa movimentação e belo passe para o gol de Belusso;
(Lucas Santos: 4 – entrou completamente perdido e não agregou em nada);
Mazinho: 6,5 – dos seus pés saíram trâs boas chances de gol;
(Bruno: 4 – só foi visto em campo quando anotou gol impedido);
Jonatas Belusso: 7 – mais acionado, criou chances de gol e anotou o seu;
Douglas: 4 – tanto quis cavar pênalti, que quando sofreu o árbitro não acreditou

Cauteloso,
Zezinho

Publicado em Gauchão 2014, Novo Hamburgo. ligação permanente.

Um comentário em De volta à realidade

  1. Desculpa, Zezinho, mas nunca que perder para os times sub qualquer coisa da dupla pode ser considerado um resultado normal e comum, independente da ambição de cada clube do interior.

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