A intranquilidade é a tônica no Estádio do Vale

pitolNo quinto e, possivelmente, último Gauchão da gestão Carlos Duarte, o Novo Hamburgo novamente se vê envolto em pequenas crises no início do campeonato, escancarando a falta de convicção da direção, falta de sintonia entre os homens do futebol e comissão técnica e melhor gerenciamento interno dos questionamentos existentes no clube.

Mal passamos da terceira rodada do presente Gauchão, o Anilado soma 4 pontos na tabela – pouco, mas condizente com os adversários – e já contabiliza a dispensa de dois jogadores e um membro da comissão técnica. Na manhã dessa terça-feira foi a vez do goleiro Marcelo Pitol ser desligado do clube, juntamente com o preparador de goleiros Rogério Ramos; antes da estreia, Juca já tivera sido dispensado.

A saída de Marcelo Pitol tem respaldo na sua falta de ritmo notória, falhas na saída do gol e nos dois tentos sofridos diante do Inter. Inicialmente destinado ao banco de reservas, o arqueiro deixou o treino antes da partida contra o São José, com Max, antigo titular, assumindo a camisa 1 anilada – mas sem resolver os problemas graves da bola aérea defensiva.

Por outro lado, a dispensa escancara a falta de convicção e preparação para uma posição de confiança e extrema importância na formação de um time. Desde o goleiro Flávio, em 2009, o Anilado não termina um Gauchão com o mesmo goleiro – coincidentemente, desde que Duarte assumiu a presidência. Em 2011 e 2013 o Noia chegou ao absurdo de ter três goleiros utilizados num torneio de 15 rodadas.

Quando o Novo Hamburgo se salvou do rebaixamento, ano passado, seu goleiro era Max, contratado para o segundo turno e que contabilizou apenas uma derrota em sete jogos. Para as competições do segundo semestre, Max permaneceu no clube e só não foi titular quando esteve lesionado e quando o time entrou em campo a cada dois dias – assim revezava-se com Vitor e Simão.

Max reassumiu a camisa 1 e passou bastante trabalho (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Max reassumiu a camisa 1 e passou bastante trabalho (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Se com Max o Noia ergueu duas taças no segundo semestre e salvou o clube do rebaixamento, qual a necessidade de se contratar Marcelo Pitol? Para um clube que reverbera a contenção de gastos, por que gastar com um goleiro caro havendo um arqueiro bom no clube? Ou alguém achou que o goleiro, que já disputou Libertadores, contentar-se-ia com a reserva do Anilado?

A lógica de gastar pouco também encontra contrariedade ao se realizar apostas de risco. Juca não entrava em campo desde Maio de 2013 e foi contratado para a armação. Por que gastar com um jogador que demoraria semanas para entrar em forma e não renovar com Giovani, nem que fosse para reserva de Preto? Por que não garimpar outro meia armador, mais barato, para assumir a bronca em caso de lesão ou suspensão de algum titular?

Não, esperou-se Juca mostrar-se incapaz, dispensá-lo três dias antes do Clássico do Vale e se contentar com BRUNO como alternativa. E com o meia lesionado, juntamente com Preto, poupado, o Novo Hamburgo entrará em campo contra o Veranópolis, num jogo importantíssimo, sem uma meia de ofício, com Mazinho e Anderson Pico dividindo a articulação. E nem podemos contar com as laterais, visto que Luis Henrique e Chicão, deslocados para os lados do campo, sequer são jogadores da posição.

Para o Novo Hamburgo da gestão Carlos Duarte, infelizmente, isso não é surpresa. É o presidente que nunca terminou um Gauchão com o mesmo treinador – demitindo Gilmar Iser duas vezes na segunda rodada – e que não deu as caras no Estádio do Vale. Nos dois amistosos realizados em casa (contra Brasil e São Paulo) e nas duas partidas válidas pelo campeonato (Internacional e São José), além da apresentação dos uniformes, não se viu o mandatário anilado na cancha. Assim fica difícil esperar qualquer calmaria quando homem-forte do clube não coloca os pés em sua casa.

A partida contra o Zequinha

Mazinho abre o placar: destaque anilado no início do Gauchão (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Mazinho abre o placar: destaque anilado no início do Gauchão (Foto: Giovani Junior/ECNH)

O Anilado foi superior na primeira etapa e abriu o placar com Mazinho, em bela jogada de Jonatas Belusso. O Noia criou diversas chances na primeira etapa, atacando preferencialmente pelo lado esquerdo em triangulações de Mazinho, Belusso e Anderson Pico. A movimentação ofensiva lembrou os bons momentos da partida diante do Inter. Ainda tivemos um gol de Peixoto anulado, que só a bandeirinha viu impedimento.

Na segunda etapa, contudo, um velho erro anilado – e de Itamar Schulle. O Novo Hamburgo recuou até não poder mais e Alberto cometeu pênalti infantil, que Brida desperdiçou. Mesmo com o susto, o Noia se ACADELOU e foi encurralado pelo São José, explorando a bola aérea até o empate, com Jean.

Com a igualdade no placar, o Noia acordou e tentou a todo custo a vitória, com Jonatas Belusso perdendo uma chance cristalina aos 42 minutos, cara a cara com o goleiro. Por outro lado, também quase perdeu a partida, com Max fazendo boas intervenções. E mais uma vez a torcida anilada foi para casa com gosto de fel na boca.

Pela quarta rodada, o Novo Hamburgo sobe a Serra e enfrenta a touca pentacolor, possivelmente sem Preto. Itamar mexe na equipe, porém não aonde eu gostaria. Fred e Juan Sosa permanecem no miolo de zaga, mesmo estando mal. Chicão e Luis Henrique ocupam as laterais num jogo em que o Noia precisará muito delas. E Eliomar acompanha tudo do banco de reservas. Oremos.

Ficha técnica

NovoHamburgo_45x45

Max; Rafael Mineiro (Paulinho), Juan Sosa, Fred e Peixoto; Alberto, Preto, Anderson Pico (Magno) e Mazinho; Jonatas Belusso e Douglas (Eliomar). Técnico: Itamar Schulle
sao_jose_porto_alegre_45Luiz Carlos; Bindé, Fernando, Júlio Santos e Brida (Sander); Jonas, Ramos, Felipe Guedes e Rafinha; Jean e Eraldo (Chiquinho). Técnico: Beto Campos

Como eles foram

Max: 6 – salvou o Noia de uma derrota;
Rafael Mineiro: 6 – pouco acionado no ataque, time perdeu na defesa com sua saída;
(Paulinho: 5 – pouco efetivo no ataque);
Juan Sosa: 4,5 – novamente exagerou nas faltas para conter o ataque;
Fred: 4 – outra exibição fraca;
Peixoto: 5,5 – cumpridor na defesa, como sempre;
Alberto: 4,5 – pênalti infantil e lentidão na transição ofensiva;
Preto: 6 – muito bem na meia, caiu de produção quando foi para ala;
Anderson Pico: 6,5 – enquanto teve fôlego comandou o time;
(Magno: 6 – outro que salvou o Noia da derrota);
Mazinho: 6,5 – ótima movimentação recompensada com gol;
Jonatas Belusso: 6 – bela jogada no gol, perdeu o tento da vitória;
Douglas: 5 – participativo, teve poucas oportunidades;
(Eliomar: 5 – entrou para puxar contra-ataque, mas foi pouco efetivo).

Corneteando,
Zezinho

Publicado em Gauchão 2014, Novo Hamburgo, São José. ligação permanente.

2 Respostas a A intranquilidade é a tônica no Estádio do Vale

  1. Denis Utzig diz:

    Quando eu vi a chamada no site oficial de que o “ECNH anuncia mudanças na comissão técnica”, me passou o filme de 2013 onde no início do Gauchão Iser foi demitido. O problema não passa por Itamar (assim como eu defendi no ano passado que o problema não passava pelo Iser).
    A bola aéreo no setor defensivo do Nóia assusta. Zagueiros que não ganham no alto e um goleiro que não sai do gol. Por onde anda Gott? Mas o elenco é esse, e temos que nos virar.
    Quanto às apostas, elas existem e as vezes dão resultados. Apesar do medíocre desfecho com Juca, a aposta no Pico já nos valeu 75% dos pontos conquistados nesse gauchão (eu não levava fé nele). Graças a ele que Mazinho e Preto também estão aparecendo no jogo e tendo liberdade para criar jogadas.
    No mais, fica a expectativa para que o filme de terror que todos os anos passa em Veranópolis não se repita…

  2. Marcelo Alves diz:

    Tche, e inicio de campeonato mas sabemos que nao podemos enrolar muito, pois e turno unico e tal, mas acredito numa boa campanha, para ficarmos entre os 4 da chave. Mesmo assim nao sera barbada, times parelhos e me assusta este presidente atual, pois e meio porra louca mesmo…, mas tambem me preocupa quem iria assumir o Noia para 2015 em diante….

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