Apequenou-se e, assim, mereceu o que teve

16136836

Na tarde do último domingo, em um típico dia de domingo, com muito sol, calor e – principalmente – futebol, Juventude e Grêmio pisaram no Alfredo Jaconi para a quinta rodada do COSTELÃO 2014. Apesar do belo dia, o Papo (ainda com apresentações fraquíssimas em seu reduto) não trouxe à cancha um número satisfatório de torcedores para o nível que a partida exigia ou deveria exigir. Outros fatores, como a transmissão do jogo na tevê aberta, o elevado preço dos ingressos (R$ 50 antecipado e R$ 60 na hora), o não conhecimento de muitos de que seria liberado o acesso de quem ainda possuía a sua carteirinha antiga de sócio e, claro, a permanência de muitos no CHARMOSO litoral gaúcho, também ajudam a explicar a fraca presença de público.

Sem poder contar com o INCONTÁVEL Rodrigo Heffner na lateral-direita (devido à desconfortos musculares), o beque e capita Rafael Pereira assumiu a posição e, diga-se, com muita mais qualidade que o titular do posto. Atrás, formando dupla com o LOIRO (ns) Diogo, o paulista Héverton, de 1,89m, ex-Pelotas, fez sua estreia. Na frente, completando a terceira modificação em relação à equipe que vinha atuando nos últimos três duelos, Douglas substituiu Rogerinho, formando dupla com o Rei dos Zorros, Zulu.

Apesar das alterações e do baixo desempenho diante do Cruzeiro, o esqueleto do time seguiu o mesmo, porém a postura foi diferente. Talvez por não ter aquela obrigatoriedade de tomar tanta iniciativa para criar as oportunidades de gol e poder esperar o time gremista tentar subir ao ataque para, aí sim, ir pra cima em contragolpes, o Ju tenha tido mais facilidade e êxito do que nas partidas anteriores jogando em casa (diferente de contra São Paulo e Cruzeiro, quando tinha a necessidade de furar a retranca adversária).

É fato que o esmeraldino de Geraldo Delamore não conseguiu empilhar chances de gol, porém se mantinha organizado, sabendo o que queria e, de certa forma, tendo o controle do jogo. Mesmo com seus badalados titulares, o Grêmio mal conseguia chegar a área de Fernando e, muitas vezes apático, via o Ju chegar com perigo através de Zulu, do maestro Diogo Oliveira e do velocista Douglas. Douglas, vale destacar, fez uma grande partida. Com boas arrancadas e vencendo na grande maioria das jogadas os defensores de Enderson Moreira, o atacante chegava pelos flancos e causava, muitas vezes, descontrole no time gremista, que teve que pará-lo com faltas, o que gerou alguns cartões amarelos.

16136857

Merecendo mais o tento, o Ju chegou a ele na marca dos 14 minutos de partida. Após escanteio pelo lado esquerdo de ataque esmeraldino, cobrado por Julinho e cortado pela zaga portoalegrense, a bola sobrou para Diogo Oliveira, que mandou um petardo de fora da área e, com um desvio certeiro de Zulu, a bola foi dormir nas redes de Marcelo Grohe. A porteira estava aberta e o #NEGROLINDOZ9 (ns) sendo novamente o pesadelo dos tricolores da capital.

Devido ao intenso calor, os iniciais 45 minutos ainda tiveram sua parada técnica antes do fim. Fernando protagonizou algumas boas defesas, mas a primeira etapa acabava com o jogo nas mãos esmeraldinas e a impressão de difícil reação da equipe gremista.

20140202_164734

Com os mesmos onze que iniciaram o duelo, o Juventude voltou à segunda etapa um pouco mais desligado, assim como a torcida (certamente muito em razão do calor), porém seguia ainda ditando as ações do jogo. Logo aos 6 minutos, Julinho usou um dos seus principais potenciais e avançou pela linha de fundo, venceu o marcador e fez o cruzamento. Bem posicionado, Douglas chegou antes que o beque gremista e desviou de cabeça fazendo a bola passar rente à trave esquerda de Grohe.

Talvez sentindo que a sua grande (?) equipe não conseguia dar conta do alviverde, um time da mera terceira divisão, a torcida gremista resolveu voltar a se rebaixar nos estádios de futebol e começou a apelar, jogando rojões pra cima do goleiro Fernando. Por muito pouco, não causaram danos maiores. Porém, Fernando foi muito maior que isso e seguiu no jogo, realizando defesas de festejar com fogos (ns), como no chute do pirata Hernán Barcos, aos 20 minutos, em um dos lances esporádicos de perigo do time da capital.

A partida vinha tranquila para o Papo. O Grêmio não assustava. No entanto, eis que Geraldo Delamore resolve APEQUENAR sua equipe. Tirou o cara que vinha fazendo a equipe jogar, que sabe prender a bola e tem uma capacidade que nenhum outro ali possui, o maestro Diogo Oliveira. Em seu lugar, o que tornou mais ridícula ainda a substituição (nada contra o jovem, é claro): o garoto de apenas 18 anos Juliano, um LATERAL-DIREITO.

Pronto, Delamore tinha conseguido acabar com o time do Juventude. A equipe não conseguiu mais trocar passes, ficou perdida dentro de campo e chamou o Grêmio ao ataque, fazendo com que gostassem do jogo. A torcida, então, antes mesmo de os portoalegrenses chegarem ao empate, mas já o pressentindo, passou a vaiar o treinador. Não sou favorável a vaias durante o jogo, principalmente estando vencendo, mas o ex-auxiliar de Tite pediu para se dar mal.

16137068

O empate foi questão de tempo. Aos 31 minutos, após finalização de Jean Deretti e defesa de Fernando, o lateral Wendell, no rebote, só teve o trabalho de empurrar a bola para o gol. Não fosse a trave e a incompetência do time gremista, a virada ainda poderia ter acontecido.

É fato: a responsabilidade não pode cair com tudo em só uma pessoa. Todavia, Delamore sabe, ou deveria saber, que a sua incoerentíssima mudança desestabilizou a equipe, chamou o até então adormecido visitante para o seu campo e, então se apequenando, não poderia mesmo sair com resultado de um grande.

Pedro Torres

Ficha técnica:

Juventude (1): Fernando; Rafael Pereira, Heverton, Diogo e Julinho; Leandro Melo, Jardel (Yann), Mika e Diogo Oliveira (Juliano); Douglas (Rogerinho) e Zulu. Técnico: Geraldo Delamore.

Grêmio (1): Marcelo Grohe; Pará, Rhodolfo, Bressan e Wendell; Edinho (Cristian Riveros), Ramiro, Zé Roberto e Máxi Rodríguez (Jean Deretti); Kleber (Paulinho) e Hernán Barcos. Técnico: Enderson Moreira.

Arbitragem: Francisco de Paula dos Santos Silva Neto, auxiliado por Tatiana Jacques de Freitas e Marcelo Oliveira e Silva.

(as fotos são do pioneiro.com e do arquivo pessoal do cancheiro)

Publicado em Gauchão 2014, Juventude com as tags , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

Um comentário em Apequenou-se e, assim, mereceu o que teve

  1. hen.p diz:

    Aquela hora que a papada pára e tenta entender porque Lisca se foi

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *