Como tem que ser

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Mesmo sem os três pontos, a valentia foi reconhecida. (FOTO: João Pedro)

Depois de seis rodadas, o São Paulo invocou seu espírito vencedor. Empurrado pelos gritos de Marcos Milhão na arquibancada, esbanjou vontade e união. A vitória não veio por força do adversário, ABUNDÂNCIA de água e uma forte tendência de o apito soar apenas para um lado. Com o empate, o Leão do Parque saiu do caos e respira fora da zona. 

“Com sangue NOZÓIO!” foi o que disse o Diretor de Futebol, Paulo Gaspar, referindo-se ao quadro que viria a campo com o manto sagrado. Mas com sangue RUBRO-VERDE mesmo, nessa noite de quarta-feira, apenas o DEUS NEGRO DO BGV. NOZÓIO, NAZOREIA E NOZOUVIDO. Marcos Milhão é a representação da torcida do Leão. Humilde, simples, mas apaixonado.

Na hora do sorteio antes de começar a partida, o apitador deve ter questionado: “Quem quer jogar o primeiro tempo no lado razoável?” O Xavante respondeu: “Nós.” Com um gramado em péssimas condições para prática do futebol, o São Paulo começou em cima – mesmo jogando envolto nas águas. O que na verdade faz até muito sentido, PEIXEIROS que somos a água é nossa amiga.

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Ele: Marcos Milhão. (foto do autor)

Com cinco viradas de ponteiro no relógio, Luiz Muller já trabalhara em duas oportunidades. Na principal delas, Ray aproveitou falha do zagueiro Cirilo (novidade?) e bateu forte para importante defesa do arqueiro. O Brasil assustou com Tulio que quase encobriu o guarda-redes rubro-verde. Da Rua América ouvia-se Milhão gritando a plenos pulmões: “Fica aí! Deixa de ser burro! Não tá vendo que a grama tá melhor aqui?”. Ousadia de quem não ouvir os ensinamentos do MILHÃO-É-SELEÇÃO.

Pro restante da primeira parte da peleia, nada de muito futebol. Principalmente porque quem mais tentava esbarrava em poças desumanas. Os avançados papareias por algumas vezes esqueciam que apenas Marcos Milhão caminha sobre as águas (ns) e insistiam nas jogadas pelo meio. Sem nenhum acréscimo findou-se o primeiro tempo. Numa tentativa de aproximar jogadores e torcida, os atletas reuniram-se no centro do gramado antes de partirem ao vestiário. A reação com aplausos vindos da arquibancada garantiu-lhes: “Assim, com raça, bundinha no chão, estaremos sempre com vocês!”.

Na fila do churrasquinho, Milhão era TIETADO por milhões de torcedores ensandecidos que oravam: “Oh, Deus Grego do BGV, farde e meta aquela bucha costumeira nos rubro-negros”. Com um olhar PARCIMÔNIO, a resposta vinha: “Assim não dá”. Balançando a cabeça e apontando para o campo onde marcou aqueles gols em 2000.

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Aguados, rubro-verde e rubro-negro ficaram zerados. (FOTO: João Pedro)

Abalados com a presença do artilheiro rubro-verde nas arquibancadas, os Xavantes voltaram para o campo, mas dessa vez do lado ruim. Como BONS VIVANTS da casamata, Zimmerman e Piccinin mexeram de maneira idêntica para a segunda etapa. Tulio e Robin, os camisas 10 pensantes das equipes, foram sacados. Os que ingressaram mostravam as pretensões de cada treinador. No lugar do maestro rubro-verde: o ATACANTE Carlos Alberto. No lugar do maestro rubro-negro: o VOLANTE Marcio Hahn.

Assim foi. Retrancado e sem a força do contra-ataque com Alex Amado – ENGOLIDO pelo lateral Nego, melhor em campo – e com o centroavante Nena dominado pelo agora capitão Junior Sergipano, restava aos visitantes a glória da catimba. Apoiados pela cordialidade do juiz, as laterais e tiros de meta levavam duas eras glaciais para serem executados. Nada que abalasse a crença dele: Marcos Milhão.

A pegada mantinha-se. O São Paulo, por não possuir nenhum atacante de referência que pudesse conseguir vantagem aérea contra a alta defensiva visitante, tentava chegar com toques e chutes de fora da área. Já faltando uns quinze minutos para o apito final, Murilo faz bela jogada pela esquerda, dribla Wender e bate cruzado. A bola passa por Luiz Muller, mas é interceptada pelo lateral Forster. Como se fosse um gol, jogadores e torcida rubro-negra vibram. Sabiam que ali o empate estava garantido.

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A bola aérea foi a tônica do jogo. (FOTO: João Pedro)

Com seis substituições, inúmeras faltas e ceras infindáveis, o apitador anotou míseros DOIS minutos de recuperação. Aos 47’, fim de papo. O zero no placar não nos agradou pela perda dos pontos, mas agradou por mostrar aquilo que estava faltando: vontade de vencer. Agora, se me perguntarem porque a postura mudou tanto da derrota pro VEC para o empate de ontem, responderei: “Marcos Milhão estava lá”.

Das três partidas que tínhamos em casa e surgiam como o tubo de oxigênio na Linha do Parque, apenas dois pontos foram conquistados. Péssimo. Porém, tem gente pior (risos). Fica a certeza de que qualidade não nos falta, nos faltava apenas a pegada, o dedo na cara, o gauchão. Ou então, faltava o Milhão.

No final de semana, o Leão vai até o sintético do Passo D’areia enfrentar o São José. O Brasil recebe o São Luiz em Pelotas. Essa será a última rodada do pseudo primeiro turno do Costelão.

FICHA TÉCNICA:

São Paulo (0): Pablo, Nego, Cesinha, Junior Sergipano, Correa, Guilherme, Wellington, Nata, Robin, Chumbinho e Ray. Técnico: Agenor Piccinin;

Brasil-Pel (0): Luiz Muller, Wender, Fernando Cardoso, Cirilo, Rafael Forster, Leandro Leite, Washington, Cleiton, Tulio Souza, Alex Amado e Nena. Técnico: Rogério Zimmerman

Bradando: “ÃO ÃO ÃO, MILHÃO É SELEÇÃO!”,

Matheus Almeida

Publicado em Brasil de Pelotas, Gauchão 2014, São Paulo-RG com as tags , , , . ligação permanente.

16 Respostas a Como tem que ser

  1. Leandro áureo-cerúleo diz:

    grande Milhão, se não me engano era Estivador antes de entrar no mundo da bola, metia gol de cabeça adoidado, diziam que era analfabeto. Quando jogou no Pelotas não foi bem. É uma lenda-viva de nosso futebol.

  2. Ivan diz:

    Acho que o texto teria um título mais apropriado se fosse “Como eu gostaria que tivesse sido”.
    Só mesmo um apaixonado pelo time consegue ver “romantismo” em uma partida deplorável como esta.
    E tem gente que gosta de frisar que esta é a “elite” do futebol Gaúcho. Que os deuses nos absolvam a todos.
    Mas enfim, não deixa de ser um bom texto.

    Abs.

  3. Matheus Almeida diz:

    Ivan, tu te referes ao jogo em si, eu me refiro ao São Paulo. Isso porque depois das partidas contra Lajeadense e Veranópolis a torcida cobrou muito a falta de raça e dedo na cara que um gauchão pede. A partida de ontem, nas condições que se encontrava o gramado, exigia isso. De maneira nenhuma contente com a técnica, muito menos com o resultado – que se há vencedor moral, os 3 pontos foram nossos. O gramado é ruim e ninguém esconde, assim como era o do BF antes das reformas. Prometo melhoras para 2015! Abraço!

  4. João Carlos diz:

    É importante também relatar a comemoração da diretoria e torcida xavante, como se tivessem conquistado um Título, por aí já dava de perceber que se tivesse que ter um vencedor seria o Sampa, jogando como ontem e os primeiros tempos dos jogos anteriores o Leão subirá e muito na tabela. Com pegada os 90 minutos, pois qualidade o time tem.

  5. Leandro áureo-cerúleo diz:

    eles comemoraram o empate no Brapel assim também… perfil é perfil… graças a Deus eu sou Pelotas!!!

  6. Fernando Pinto diz:

    #5 De empate em empate que comemoramos, caminhamos pro título do interior. Enquanto isso comemoras o que? A promissora volta pra casa?

  7. Fernando Pinto diz:

    #3 Se futebol fosse moral, São Paulo deveria estar na segunda, vide situação de gramado.

  8. Leandro áureo-cerúleo diz:

    Calma Fernando!!! eu só disse que acho triste comemorar empate, técnico na tela, estas coisas de Brasil… o que tu queres, eu já tenho!!! a vaga na D!!! meu time é pior que o teu e admito!!! e se perder pro Aymoré domingo é segundona!!! abraço!!! pela união do Interior, sempre!!!

  9. Matheus Almeida diz:

    #7 Estranho um torcedor xavante – cujo estádio alagou por anos, inclusive em competições nacionais – vir falar de gramado ruim. Mas tudo bem, cada um fala o que quer.

  10. Caramba, o Xavante foi massacrado. Não sabia, até ler este texto.

  11. Matheus Almeida diz:

    Ô, Fabrício… logo tu?
    Sei que não te falta capacidade de interpretação!

    Seguimos…

  12. pedrohckruger diz:

    Ô loco, a coisa ferveu por aqui! hahaha

    #9 Matheus, eu vou falar por mim agora, mas acredito representar a torcida do Brasil (ou parte dela): nós temos toda a propriedade para reclamar de gramados alheios porque já sofremos muito com o nosso. Inclusive, como bem citastes, no campeonato brasileiro. Talvez teríamos conquistado aquele acesso à B, em 2009.

    O Brasil já passou por muitas reformas, incluindo a drenagem – que ficou ótima – mas provavelmente em dias de DILÚVIOS a Baixada vai encher porque fica em uma, adivinhem, baixada… isso mesmo. haha

    Por isso não reclamei do gramado do Dapuzzo. Atrapalhou? Claro! E para os dois times. Eu, Pedro Henrique, ACHO que o Brasil teria sido muito mais perigoso num CAPIM SECO, mas não foi e não se tem como afirmar. O resultado foi esse e já ELVIS. rs

    Ah, e sobre o Cirilo, apesar das CIRILICES (ns), temos a defesa menos vazada. AQUELAS ORELHAS RESOLVEM! hahaha

    #5 Comemoramos mesmo, Leandro! Perfil é perfil, por isso o idioma da torcida Xavante continua sendo o português! E a D a gente busca e depois sobe! rs Abração!

  13. #11
    Matheus, parceiro, me permita uma dose de sandice sectária. :)
    Apesar destes arroubos, sou um fã do Toda Cancha por esta ausência de pretensão à objetividade, que tanto faz a vida chata. É coisa feita por quem tem um coração pulsante no peito. Abração!

  14. Natan Dalprá Rodrigues diz:

    #8

    Dr. Leandro é AIMORÉ, por favor né. AIMORÉ!

    Por essa letrinha estapafúrdia equivocada, o Toto ficou brabo e… :D

    Abração!

  15. Matheus Almeida diz:

    Pedrinho, verdade. Só me incomoda essa ideia de “merecem segundona” quando na época sentiriam-se ofendidos caso fosse com vocês. Na verdade, me incomoda isso vir de pessoas com capacidade de discernimento e não de torcedores de facebook que veem na provocação uma forma de autoafirmação.

    Quanto ao Cirilo, bom zagueiro, mas a efetividade da zaga passa pelos demais. hahahaha

    Fabrício, beleza. Abraço

  16. Leandro áureo-cerúleo diz:

    #14 Natan;
    Lembrei do Celestino Valenzuela, talvez tu pelas poucas primaveras que tens, só o tenha visto no youtube, mas se não viste, faça, ele marcou época na crônica esportiva gaúcha, dizia-se torcedor do Aimoré, o Rafael também se desdobra contra o Lobo, apesar de ter até se casado na grande área da Boca…é, sei que não deveria, mas joguei a toalha, acho q ano q vem é Segundona novamente!!! acho que coisas que ninguém sabe acontecem nos bastidores da Boca, estas coisas que só nós masoquistas-apaixonados conseguimos viver no futebol. Abração

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