O limite da oscilação

picoO empate sem gols diante do Juventude, no Alfredo Jaconi, por si só é um bom resultado, mas o Novo Hamburgo, na metade do campeonato, não pode mais ter atuações apáticas e medrosas como a que teve na última sexta-feira. A segunda colocação no Grupo B é quase ilusória devido ao regulamento confuso do Gauchão e o Anilado deve se assentar rapidamente no torneio para torná-la verdadeira.

Sem Preto em campo a articulação do Noia quase inexiste e seu ataque, a não ser que ocorra uma hecatombe, padece de inanição. Mazinho e Eliomar tem características parecidas, de apoiadores que buscam a bola no meio-campo e dão velocidade ao jogo, porém o recuo da linha defensiva do time é tanta que tal estratégia mal funciona.

Diante do Papo, mais uma vez, o Anilado abdicou do protagonismo do jogo. Mesmo tendo jogadores matreiros e acostumados aos grandes jogos, como Douglas, Jonatas Belusso e Anderson Pico, o Novo Hamburgo abriu mão das ações ofensivas e se prostrou numa retranca braba com poucas opções de contra-golpe. Quanto vale uma estratégia pouca ambiciosa tendo bons jogadores com capacidade de serem protagonistas?

Na primeira etapa, o Anilado se limitou a anular o Ju, sobretudo com Chicão realizando marcação individual em cima de Rogerinho. Como o time serrano era de uma eficiência ofensiva absurda, era normal que o Novo Hamburgo tomasse a posse de bola, no entanto a transição inexistia. Se o time se defendia com 10 homens atrás da bola, com apenas Douglas no campo de ataque, com domínio do esférico o número de jogadores que atacava caía pela metade.

O Noia não sofreu gol de bola aérea. MILAGRE (Foto: Giovani Junior/ECNH)

O Noia não sofreu gol de bola aérea. MILAGRE (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Jonatas Belusso e Eliomar erraram diversas tramas pela banda direita e sequer tinham a companhia de Rafael Mineiro, uma vez mais sacado por Itamar Schulle; no lado esquerdo, Mazinho e Anderson Pico jogavam muito recuados e deixavam o time torto. Assim, as chances do Noia se resumiram a um cruzamento perigoso de Eliomar, que a zaga caxiense cortou em cima do laço, e um arremate fora da área de Douglas.

No começo da etapa final, o Juventude ampliou exponencialmente suas chances e só não abriu o placar graças à estrela de Max, que não deixou a torcida anilada ter saudades de Marcelo Pitol – e que mostrou que o antigo titular só jogava na base do carteiraço. Mesmo com três zagueiros e dois volantes, o sistema defensivo anilado era constantemente superado e restava ao arqueiro salvar a rapadura.

À medida que o Papo se atirava ao ataque, mais espaços se abriam ao Anilado, que passou a melhorar a gestão da bola. A melhor chance ocorreu aos 28 minutos, quando Anderson Pico, em jogada individual, invadiu a área a dribles, foi travado pelo defensor e a bola sobrou para Eliomar, que bateu forte e viu Fernando fazer grande defesa. Foi a única, contudo, grande chance de gol dos visitantes.

Alberto voltou a jogar bem (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Alberto voltou a jogar bem (Foto: Giovani Junior/ECNH)

Com os ingressos de Bruno e Leandro o sistema ofensivo do Noia morreu de vez e coube ao Anilado rezar para o final do jogo e somar um pontinho mais na tabela. Foi o primeiro jogo do Novo Hamburgo sem sofrer gols e o quarto sem cometer um pênalti – infração que custou a titularidade a Magno.

Diante do Cruzeiro, quarta-feira, o Novo Hamburgo tem a obrigação de dar cabo a essa sucessão de atuações boas e apáticas e encontrar um padrão de jogo que faça jus à qualidade do seu time titular. Com os retornos de Preto e Paulinho o Novo Hamburgo terá as ferramentas fundamentais a isso – basta que seu treinador não contrarie as peças que tem.

FICHA TÉCNICA

juventude45Fernando; Robinson, Rafael Pereira, Diogo e Julinho; Mika, Jardel (Yann), Diogo Oliveira e Rogerinho (Ocanto); Douglas (Brenner) e Zulu. Técnico: Geraldo Delamore
NovoHamburgo_45x45Max; Juan Sosa, Fred, Luis Henrique (Peixoto) e Anderson Pico; Alberto, Chicão, Mazinho (Bruno) e Eliomar (Leandro); Jonatas Belusso e Douglas. Técnico: Itamar Schulle

Como eles foram

Max: 8,0 – salvou o Noia da derrota;
Juan Sosa: 6,0 – recuperou-se bem das más atuações;
Fred: 5,0 – diversas vezes superado. Por que Zé Carlos é seu reservas;
Luis Henrique: 5,5 – bem no primeiro tempo, substituído para não ser expulso;
Anderson Pico: 5,5 – sumido na primeira etapa, quase marcou um golaço no 2 tempo;
Alberto: 6,0 – bem na marcação, mal na bola parada
Chicão: 5,5 – teve alguma dificuldade em marcar Rogerinho;
Mazinho: 5,0 – muito apagado pelo sacrifício à marcação;
(Bruno: 4,0 – entrou e deixou a equipe com um a menos);
Eliomar: 5,5 – muitos erros de passe. Perdeu a chance da vitória;
(Leandro – sem nota);
Jonatas Belusso: 5,0 – sem a mesma eficácia e volúpia de outros jogos;
Douglas: 5,5 – muita entrega e bons passes.

De volta à cancha,
Zezinho

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