Angustiante fim de ciclo

itamarA derrota do Novo Hamburgo para o Cruzeiro foi mais que o fim de uma invencibilidade de 36 anos sobre o Estrelado. Sua atuação apática, nervosa, bagunçada evidencia que após as oscilações vem o fim de um ciclo, o desgaste, a saturação de um trabalho com mais de um ano de duração e que deve ser encerrado juntamente com esse Gauchão.

Mesmo com um time matreiro e com bom poder de criação, o Anilado do presente campeonato abdica de jogar e propor o jogo. Essa concepção questionável se escancara ao observarmos que a campanha fora de casa é superior à campanha como mandante. Quando joga no contra-ataque, o Noia consegue se impor e aproveitar suas chances; quando é preciso comandar as ações em seus domínios, o time se embanana e a torcida perde as estribeiras com atuações pobres.

A marcação individual por setor do Novo Hamburgo propõe um jogo muito físico e de vitória pessoal. No entanto, os péssimos momentos de jogadores como Juan Sosa e Fred caracterizam um perigo enorme ao sistema defensivo. Ambos os zagueiros estão jogando muito abaixo do que podem, são superados no mano a mano e o que vimos é uma defesa que foi vazada em 8 dos 9 jogos e cometeu 5 pênaltis ao longo do torneio.

Embora tenha começado a partida de ontem com notável superioridade, e perdido duas boas chances de gols, bastou um lance isolado para que Juan Sosa fosse superado pelo centroavante estrelado e cometesse um pênalti bobo. Há quem diga que foi fora da área, mas não é o caso: é inadmissível um zagueiro com tamanha experiência segurar um atacante próximo à área fatal e com a bola muito mais para o goleiro do que para eles. Zagueiros, gordos e irmãos mais velhos sempre são os culpados, é preciso saber disso com antecedência. Batida com perfeição de Leandro Domingues e Cruzeiro na frente.

A tônica do jogo: a bola longe da goleira (Foto: Rodrigo Rodrigues/Jornal NH)

A tônica do jogo: a bola longe da goleira (Foto: Rodrigo Rodrigues/Jornal NH)

Precisando transformar o prejuízo em lucro, o que se seguiu foi um conjunto desordenado de ações ofensivas que chegou a lugar algum. Tivemos Mazinho discutindo com Luis Henrique, Itamar Schulle e a torcida, porque todos reclamavam de sua ineficiência na marcação. Tivemos Chicão brigando com a comissão técnica por ser substituído. Tivemos um time que olhava bovinamente o Cruzeiro tocar a bola mesmo estando atrás do placar.

O ingresso de Lucas Santos no lugar de Juan Sosa, na segunda etapa, deu amplitude e profundidade ao ataque anilado, porém uma cratera se abriu no meio-campo. Para recompensar o desequilíbrio entre a defesa e o ataque, o melhor atacante da equipe, Jonatas Belusso, transformou-se uma espécie de ala-direita, enquanto Anderson Pico e Leandro (e depois Eliomar) flanavam pela meia-cancha como num deserto sem bússola. Cabia ao volante Alberto carimbar todas as bolas.

Com tamanha desorganização, restou ao Novo Hamburgo contabilizar mais uma derrota no Gauchão, dar adeus à Série D, ambicionar alguns pontos mais para escapar do rebaixamento e ir ao mata-mata. Porque mais do que isso o Noia se nega a conseguir.

Assim que terminar o presente campeonato, cabe à direção de futebol do Noia repensar todo seu planejamento. Não necessariamente recomeçar do zero – afinal, taças foram levantadas no último semestre. Todavia deve repensar a continuidade de Itamar Schulle, propor um estilo de jogo compatível com seu grupo de atletas e pensar mais em qualidade do que nomes. E, com urgência, espraiar o leque de patrocinadores, para que não morramos de inanição após a partida do atual mandatário.

FICHA TÉCNICA

NovoHamburgo_45x45Max; Juan Sosa (Lucas Santos), Fred e Luis Henrique; Alberto, Chicão (Rafael Mineiro), Mazinho, Leandro (Eliomar) e Anderson Pico; Jonatas Belusso e Douglas. Técnico: Itamar Schulle
CRUZEIRO-rs45Fábio; Claydir, Carlão, Léo Carioca e Jeanderson; Claudinho (Glênio), Júlio Abú, Reinaldo e Paulinho; Thiago Corrêa (Douglas Silva) e Leandro Rodrigues (Edinilson). Técnico: Luis Antônio Zaluar

Como eles foram

Max: 6,0 – a derrota não passa por mais uma segura atuação sua;
Juan Sosa: 3,0 – pênalti infantil. Responsável direto pela derrota;
(Lucas Santos: 4,5 – mais um ingresso afoito e improdutivo);
Fred: 3,5 – outra atuação lamentável;
Luis Henrique: 6,0 – com Zé Carlos fora, é o único zagueiro em campo;
Alberto: 6,0 – carimbou todas as bolas e se desdobrou na marcação;
Chicão: 6,0 – no pouco tempo que esteve em campo, foi bem;
(Rafael Mineiro: 6,0 – deu a jogada de flanco direito necessária à equipe);
Mazinho: 4,5 – um bom passe para Leandro e uma segunda etapa nula;
Leandro: 5,5 – único jogador que tentou jogar, mas pecou nas finalizações;
(Eliomar: 5,0 – pouco conseguiu produzir);
Anderson Pico: 4,0 – esteve em todas as partes do campo e não fez nada;
Jonatas Belusso: 5,0 – sacrificado, pouco produziu ao ataque;
Douglas: 4,5 – quando teve a chance, não guardou.

Daniela Azeredo (repórter da TV Com): 10,0 – melhor em campo. Sempre nota dez.

Editando meu DVD como zagueiro para deixar no Estádio do Vale,
Zezinho

Publicado em Cruzeiro, Gauchão 2014, Novo Hamburgo. ligação permanente.

Um comentário em Angustiante fim de ciclo

  1. Concordo com 90 % do que foi escrito Zézinho, discordo apenas do pênalti que não
    ocorreu pois a falta foi fora da área. Tivemos um lance no 2º tempo que foi muito mais pênalti na segunda etapa no Lucas Santos que não foi marcado. Aliás quando o lance é contra nós, os árbitros vem correndo a mil para marcar o pênalti como fez o Seu Todeschini, por sinal um péssimo árbitro, deu cartão amrelo até para os quero-quero. Tivemos um pênalti claro não marcado pelo Seu Márcio Coruja em Caxias no Anderson Pico, outro soprador de latinha, e um gol legítimo do Peixoto anulado contra o São José pela péssima bandeirinha que nem recordo o nome, quando o jogo estava 1 x 0 para o Noia. Além do time estar ruim, a arbitragem está levando pontos preciosos do Noia. Temo pela 2ª divisão. O Sosa ao lado do Zé Carlos, forma uma excelente dupla de zaga, agora com o Luis Henrique ninguém se acerta. Acho que o Luis Henrique deveria se aposentar voltar a jogar na 2ª divisão que é o lugar dele, é um líder negativo, só faz falta, está lento,não afasta nenhuma bola alta na defesa, aquele Luis Henrique de 2005 era um, o de 2014 não está jogando absolutamente nada,infelizmente está velho e superado.

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