Queda vertiginosa, paulatina e vergonhosa

max

Aplicando na prática a Teoria da Lei de Murphy, o Novo Hamburgo mostra que o que já é ruim pode piorar – e muito. A cada rodada o futebol anilado parece padecer mais um pouco e a postura diante do Grêmio atingiu o fundo do poço. Se o placar em si não é nenhum aberração, a atitude do Noia em campo foi patética.

O torcedor calejado sabe de antemão se sofrerá baseando-se na escalação. Tal como contra o Veranópolis, Itamar Schulle montou a defesa com o volante Chicão na lateral-direita, Fred e Luis Henrique no miolo de zaga e o zagueiro Peixoto na lateral-esquerda. Contra o Pentacolor, o resultado foi a derrota por 2×1 e um desempenho abaixo da crítica. Por que, então, diante do Grêmio, repetir a mesma formatação defensiva? Por que deixar Paulinho, um lateral ofensivo, na reserva? Por que abdicar, uma vez mais, de construir o jogo, sobretudo a partir da defesa?

Quem nos dera, contudo, que apenas a defesa atuasse mal. O ponteiro mal chegava aos 7 minutos de jogo e o volante Alberto cometia um pênalti estúpido em cima de Pedro Geromel, ao tentar sair jogando dentro da área após o rebote de um escanteio. Tem jogador do que Noia que, se fizesse vestibular para ingressar na faculdade, seria obrigado a voltar ao jardim de infância. Foi o SEXTO pênalti cometido pelo Anilado em 10 jogos. Digno de Guiness Book. Barcos cobrou com categoria e abriu o placar.

Mais três giros no ponteiro e nova presepada da zaga anilada. Nosso amado zagueiro Fred, que falhou em absolutamente todos os jogos, resolveu antecipar Barcos no meio-campo mesmo sendo o último homem. O bote errado (que novidade!) permitiu ao Pirata ganhar a jogada e lançar Dudu, livre, para anotar o segundo tento tricolor.

Alberto cometeu seu segundo pênalti no Gauchão. O segundo de forma bisonha (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

Alberto cometeu seu segundo pênalti no Gauchão. O segundo de forma bisonha (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

A sorte do Noia foi que o Grêmio diminuiu o ritmo e não quis impor uma goleada história ao representante do Vale dos Sinos. A bola simplesmente queimava nos pés dos jogadores anilados, que tremiam mais que taquara em dia vendaval. Pará, que está longe de ser o novo Djalma Santos, flanava com constrangedora facilidade nas costas de Anderson Pico e Peixoto. Bovinamente o Anilado assistia ao Grêmio jogar – e quando tinha a bola, livrava-se dela.

Depois dos 30 minutos de jogo, o Novo Hamburgo achou uma bússola e viu que estava em Porto Alegre. Anderson Pico fez boa jogada pela esquerda, cruzou para Douglas, que escorou, e Jonatas Belusso soltou uma bomba de esquerda, para grande defesa de Marcelo Grohe. No terço final da primeira etapa, o Noia tentou atacar o Grêmio, mas a dificuldade era lamentável.

Para a segunda etapa, Itamar resolveu piorar as coisas – sempre dá para cavar um poço mais fundo – e colocou o lento Juan Sosa no lugar do amarelado Luis Henrique. E foi em cima do uruguaio que nasceu o terceiro gol tricolor, anotado outra vez mais por Barcos. Chicão, responsável por marcar Dudu, foi superado com constante facilidade e por ali que nasceu o derradeiro gol da partida e outras inúmeras jogadas de perigo.

O restante da segunda etapa se resumiu a arremates de longa distância e uma boa trama entre Eliomar e Douglas, que Bressan salvou em cima da linha. A torcida anilada, na Arena, contava os minutos para o fim do jogo e olhava freneticamente a tabela. O fantasma do rebaixamento, que parecia ter sido exorcizado há um ano, voltou à tona em 2014. Oremos.

Com que roupa eu vou?

A formatação tática de Itamar Schulle é uma metamorfose ambulante. Estreou contra o Aimoré no 3-5-2, enfrentou o Internacional e o São José no 4-4-2 em losango e abandonou qualquer esquema plausível a partir do embate diante do Juventude, limitando-se a espelhar o adversário. O Noia, que até tentou propor o jogo no início da competição, atualmente limita-se a marcar o adversário e se molda ao oponente.

Zé Rafael foi uma das poucas coisas boas que aconteceram sábado (Foto: Rodrigo Rodrigues/Jornal NH)

Zé Rafael foi uma das poucas coisas boas que aconteceram sábado (Foto: Rodrigo Rodrigues/Jornal NH)

O sistema defensivo anilado propõe uma marcação individual, deixando apenas um homem na sobra. Entretanto, os defensores anilados são constantemente superados e param o jogo na base de faltas. Pela segunda vez, em 10 jogos, Luis Henrique e Juan Sosa estão suspensos por acúmulo de cartões amarelos, além de termos 6 pênaltis marcados contra. E pasmem torcida anilada: não é complô da arbitragem; é falha de marcação, basta vermos os lances.

O pior é que nosso treinador, a quem eu admiro muito, não parecesse muito disposto a mudar esse panorama. Basta ver sua insistência com Fred em detrimento a Zé Carlos, de Chicão na lateral-direita ao invés de Rafael Mineiro (homem da posição) ou relegar Paulinho ao banco de reservas.

A direção do Novo Hamburgo fez uma aposta perigosa, com time titular cascudo e elenco enxuto. Suspensões e lesões, entretanto, tem cobrado caro o desempenho do time e o que se vê é a vaca indo pro brejo – difícil é saber quem a rebocará a tempo.

Ficha técnica

gremio_45x45Marcelo Grohe, Pará, Bressan, Geromel e Breno; Edinho (Adriano), Leo Gago, Alan Ruiz (Jean Deretti) e Dudu; Barcos e Luan (Maxi Rodriguez). Técnico: Enderson Moreira
NovoHamburgo_45x45Max; Chicão, Fred, Luis Henrique (Juan Sosa) e Peixoto; Alberto (Eliomar), Zé Rafael, Magno (Lucas Santos) e Anderson Pico; Jonatas Belusso e Douglas. Técnico: Itamar Schulle

Como eles foram

Max: 6,0 – sofreu três gols e salvou outros tantos;
Chicão: 2,5 – entrou pra marcar Dudu e não o encontrou em campo;
Fred: reprovado por nota;
Luis Henrique: 4,0 – limitou-se a dar uma botinada em Barcos;
(Juan Sosa: 3,0 – mal entrou em campo e já foi envolvido por Dudu e Luan);
Peixoto: 3,5 – perdeu as contas de quantas vezes Pará entrou em suas costas;
Alberto: 2,0 – pênalti estúpido no começo colocou tudo por água abaixo;
(Eliomar: 5,0 – esforço quase recompensado com gol);
Magno: 3,5 – não fez pênalti, quase um milagre;
(Lucas Santos: sem nota – entrou no final da partida);
Anderson Pico: 3,0 – quando resolveu jogar, já estava 2×0;
Zé Rafael: 5,0 – o único que tentou alguma coisa;
Jonatas Belusso: 4,0 – muito esforço, nenhuma eficácia;
Douglas: 3,5 – quase morreu sozinho no ataque.

Fora Fred,
Zezinho

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