Um pra cada lado

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No primeiro dia de março, enquanto a maioria da população economicamente ativa farreava e tentava sobreviver a todo FURDUNÇO carnavalesco, a simpática La Fariñera acolheu dois de nossos cancheiros: Matheus Primieri, pelo lado mandante, e Franco Garibaldi, pelo visitante. Após a charla no pré-jogo, cada um tomou seu devido posto, um pra cada lado, assim como o resultado final da peleja.  Confere abaixo, tchó! 

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De fato, os fatores que me levaram à Veranópolis na tarde do último sábado de carnaval passam longe do desempenho do time este ano. Das agora onze vezes que o Juventude entrou em campo esse ano, acabei indo em apenas três. Duas delas em casa, ainda sob o comando do INTRAGÁVEL Geraldo Delamore, embuste colocado como um pinguim de geladeira na casamata esmeraldina por quem efetivamente manda no Jaconi desde a assinatura (?) da ainda nebulosa parceria na qual o clube embarcou no final de 2013, Gilmar Veloz.

IMG_20140301_165316O ex-estagiário de Tite não resistiu à pressão da torcida e aos resultados pífios e pediu o boné. Roger Machado, aquele mesmo, antigo lateral-esquerdo gremista, assumiu a barca e, mesmo que o time em campo não mostre tantos avanços ainda, ao menos partiu do básico, diferente de seu antecessor. Em dois jogos até então, ganhou do Zequinha e perdeu o clássico Ca-Ju. Tanto num como noutro jogo, dizem que a equipe não foi mal. Não sei, não estive no estádio para comprovar tais opiniões.

E assim chegamos ao sábado que passou. Motivado muito mais pelo fato do jogo ser perto de casa (dá uns 40km entre Bento e Veranópolis), de trocar umas palavras com o cancheiro pentacolor Matheus Primieri e pelo fato de conhecer um estádio ainda não visitado (salutar hábito aditivado após o entrar pro Toda Cancha), rumei ao Antônio Davi Farina. Não que o Juventude por si só não fosse um atrativo, mas a real é que o futebol apresentado esse ano não convence. Não anima. Apesar do time ter cerca de 85% da base do ano passado, parece que esse grupo só funciona na base do tranco, com a corda esticada, com o dedo na tomada, seja com Lisca ou qualquer outro porra louca no comando.

IMG_20140301_172331Apesar da situação na tabela, onde se encontra ancorado na sexta posição de seu grupo e por volta da décima na classificação geral, exigir mobilização do time para ao menos garantir classificação como quarto da chave, já que Inter, VEC e Brasil já garantiram as outras três, pouco se viu em campo algum lampejo de desejo de mudar essa situação. Mostrando uma lentidão visível na transição da defesa pro ataque, isso quando conseguia sair jogando com a defesa sem apelar para o balão, o Juventude foi agraciado com um pênalti ainda no primeiro tempo, possivelmente fruto de um zagueiro do VEC que, num levantamento de bola para sua área, resolveu abanar para o teco-teco que sobrevoou incansavelmente o gramado do Farinão durante todo o jogo e meteu a mão na bola. Zulu foi pra marca da cal e, sem surpresas, converteu em gol.

O Ju até quase marcou novamente, mas Douglas, já meio sem ângulo dentro da área, chutou nas pernas do goleiro da casa. Antes (ou depois) desse lance – a azia provocada pela ceva sem álcool com a qual Miki Breier acredita resolver as barbáries no trânsito fala mais alto em minha memória -, Juba meteu uma bola no poste de Fernando e Romano em uma cobrança de falta fez a bola passar raspando o ângulo, quase empatando o jogo para o VEC. Empate esse que viria cedo na segunda etapa. Numa jogada pela esquerda de ataque, o atacante MANZANERO Éder foi mais rápido que o zagueiro Diogo, que escorregou num quiabo virtual deixado pelo tiozinho que arruma o gramado do estádio no intervalo e provavelmente foi derrubado pelo goleiro do Ju. Provavelmente porque, mesmo perto do lance, não tenho certeza se foi ou não. Paciência, jogando fora de casa e já tendo um penal a favor, era decorrência natural que a lei da compensação viesse cedo ou tarde.

O problema foi que, depois do gol de empate do VEC nesse pênalti, o Juventude tomou uma pressão meio desnecessária. Nem tanto pela AGUDEZ do ataque do time da casa, mas porque a defesa se comportava como um time apavorado de colégio (na volta pra casa, já no carro, soube que na rádio fizeram comparação semelhante e o presidente Demore – antes presidente de fato, esse ano mero cumpridor do que o empresário-parceiro manda – envaretou-se…). Era bico fraco e rasteiro pra tudo que é lado, num desespero que não era pra tanto, pois o VEC, apesar de estar em cima, não fazia um bombardeio que justificasse isso.

IMG_20140301_174106Enfim, a verdade é que o Papo só foi atacar de novo passada da metade da segunda etapa, numa cabeçada de Zulu, voltando a tentar alguns levantamentos pra área que não deram em nada. Já pelos 30 finais, ficava claro – pra turma que viajou e tomou sol na testa a tarde toda – que o time em campo, o treinador e a turma do camarote assinaria em peso uma ata homologando o empate caso o Noveletto descesse de helicóptero com o documento em punho, tal qual um Noel fora de época. Agora é ir para o terceiro jogo fora de casa na sequência, contra o Brasil na quinta-feira, e ver o que pode acontecer…

O que se objetiva agora é a quarta vaga da chave (tentando buscar a desvantagem contra os concorrentes Lajeadense e São José), o que por si só é melancólico, para cruzar provavelmente com o Grêmio, fora de casa e em jogo único. Melancólico pra não chamar de fiasco mesmo, porque apesar dos clubes do interior estarem num enorme degrau inferior em relação à dupla da capital, o mínimo que se espera do Juventude é estar nas cabeças. Não sei o que será feito para depois do Gauchão, mas a barca, tanto a que sai como a que chega, tem que ser das boas, tanto em quantidade (especialmente a que vai, levando nabas que chegaram e nada acrescentaram) como em qualidade.

Voltando pros estudos (o que vários em campo deveriam fazer),

Franco Garibaldi

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São poucas as palavras que tenho perto de todo sentimento de esperança de comemorar algo nesse ano. No momento enquanto escrevo o Veranópolis é o melhor clube do interior no Costelão 2014 com 20 pontos ante 19 do Brasil que até então ocupava o primeiro posto. Ainda restam quatro rodadas, mas quem não cria expectativa em uma situação dessas, ser humano não deve ser.

No jogo de sábado contra o Juventude o desempenho do time foi abaixo, muito abaixo do que vinha sendo até então, ainda assim com o empate o VEC segue sem perder em sua casa. O primeiro tempo da partida foi digno de chorar em hebraico no Muro das Lamentações, desde a venda do meia Bruno Coutinho o Pentacolor perdeu o passe de qualidade na meia cancha e isso vem prejudicando o time que depende na maioria das vezes da ousadia no drible de Juba e no patrolamento dos adversários por EL TANQUE Soares já que o avante Lê foi retirado da centroavância por Julinho Camargo e joga de meia direta e por vezes até como volante.

O segundo tempo resgatou o torcedor, até aqueles que mal conseguiam manter os olhos abertos. O VEC jogou mais e melhor e mostrou que não será fácil tirá-lo da ponta de cima da tabela. Que sigamos!

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Na saída do Farinão fui aleatoriamente interpelado por uma cigana:

– Moço, quer tirar a sorte?

– Quero tirar nada não, ainda precisamos dela.

Fazendo os cálculos. Aritméticos, econométricos e ergonométricos(ns).

Matheus Primieri

A primeira e última foto é de Porthus Junior/RBS.

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