Uma história com começo, meio, mas sem fim

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No ano em que o Brasil perdia um mundial e o povo elegia Olívio bigode grosso para comandar a República, nascia em Porto Alegre um guri que apaixonado seria pelo futebol. Muito mais que futebol, seria apaixonado pelo futebol da terra de Teixeirinha. Isso mesmo, nascido na CAPITAL, identificar-se-ia mesmo com o futebol aguerrido e bravo.

Filho de pai capilé/colorado, mãe colorada e tendo um ex-presidente do Internacional na família, quem aqui escreve teria uma paixão inexplicável (como todas as paixões são) pelo Índio Capilé de São Leopoldo.

Toda essa EPOPEIA começou por volta de 2005 quando comecei a ser levado nos estádios de Porto Alegre, vi alguns jogos e não entendia muito bem aquela coisa que os adultos ao meu redor denominavam FUTEBOL. Apesar de ter nascido na capital, me considero um pouco leopoldense, pois desde bem pequeno vou toda semana visitar minha família, por parte de pai, que reside no berço da colonização alemã. Em algumas dessas viagens à São Léo, mein Vater ia me contando dos seus tempos de criança quando frequentava o Cristo Rei com seu pai, que veio ser tesoureiro do clube na década de 1960. Ao ouvir histórias de um clube de interior ficava fascinado e com os olhos brilhando pois eram situações extremamente diferentes aos jogos que eu já tinha visto.

Totalmente desligado do Aimoré, meu pai, ao perceber meu fascínio pelo futebol do interior, tentou uma aproximação me levando ao Estádio do Zequinha em um jogo contra o Inter. Fomos na torcida colorada e fico sem adjetivos para descrever a sensação de estar tão perto dos jogadores e dos juízes também (risos). O colorado havia ganhado e voltei pra casa com o sentimento de querer assistir mais jogos como o daquele dia, mas não daquela forma.

Em 2011, já crescido e tendo descobrido a Internet, acompanhei o ano do Aimoré pelo SÍTIO do clube. Vi toda a trágica campanha do rebaixamento para a 3ª divisão gaúcha, virtualmente. Ao final do ano, aconteceu a tão esperada ida ao Cristo Rei pela primeira vez na vida (já tinha passado na frente, mas nunca entrado para ver um jogo) após ter enchido muito, mas muito mesmo, o saco do meu pai. Lembro-me como se fosse hoje, um dos últimos jogos da Copinha, uma quarta-feira fim, de tarde Aimoré e Lajeadense se enfrentavam. Vi todo jogo do barranco e a partida se encerrou com um empate amargo sem gols, ainda me lembro de dois nomes índios: o atacante, camisa 9, Bill e o técnico Edinho (hoje auxiliar).

Ainda em 2011, mais dois fatos marcariam minha vida. Fui a outro jogo, desta vez fora de casa, a partida era válida pelo Campeonato Gaúcho sub-20, se não me engano. No CT do Grêmio, em Eldorado do Sul, torcedores capilés eram maioria, porém no campo tomamos uma goleada de 5 a 0. Para mim, o resultado era o que menos importava já que estava cultivando uma paixão pelo time leopoldense que só aumentaria dali pra frente. Para terminar o ano com ótimas lembranças, acabei ganhando um dos melhores presentes da minha vida. No natal de 2011, ganhava a minha primeira camisa do Aimoré, totalmente azul, usaria ela durante todo o glorioso 2012.

O 2012 que começaria em agosto para o Índio era acompanhado com muita atenção por este que vos escreve. Os sete primeiros meses do ano haviam se passado e a Aldeia voltaria à ativa. O primeiro jogo-treino do ano foi em São Léo contra o Flamengo de São Valentim. Eu e meu pai, percebendo a pouca presença de público, sentamos nas sociais e por lá a primeira boa surpresa veio aparecer. Ao olhar para a CABINA de rádio avistamos, narrando pela Progresso, um grande amigo que meu FATHER não via há décadas, Italo Gall. Seria o primeiro de muitos que encontraríamos por lá, fato que contribuiu muito para minhas idas até as pelejas posteriores. O time escalado pelo teacher Gélson tinha grandes nomes como Pitol, Luis Henrique, Alex, Toto, Japa, Lucas Silva e outros heróis daquela época.

Após um primeiro tempo morno, um 0 a 0 perpetuava no placar. Para acompanhar a etapa complementar, sentei-me no Barranco (sim, ele merece letra maiúscula) e de lá vi o pênalti convertido por Alex, que infelizmente perderia esse dom (?). Não lembro mais nada, além disso, voltamos para POA sem grandes preocupações, com o sentimento que iríamos fazer uma boa Segundona.

 

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Estávamos certos. O Aimoré ganharia seu primeiro titulo de expressão da historia e eu, que recém conhecia a ALDEIA, vibrei como ninguém. Naquele campeonato não visitei nenhum estádio do interior, mas me orgulho de ter visto quase todos os jogos daquele CARROSEL CAPILÉ perante sua TABA. Em casa, muito doente, quase enfartei ouvindo a narração dos pênaltis contra o Guarany de Bagé, que nos deram vaga para semi-final. Depois, foi só alegria! Aproveitando bem os jogos fora de casa, o time de Padre Reus conseguiu merecidamente a vaga e o título da Charmosa Terceirona do MULTISONZAO 2012. Ainda nesse mesmo torneio, destaco as partidas contra a (Associação) Nova Prata, na qual levei meu tio que não ia há 20 anos até o Christus König e a goleada histórica contra o Atlético de Carazinho que marcou o lindo ano alviazul.

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O 2013 seria FARTO de grandes emoções. Após bons amistosos de pré-temporada, o Cacique foi de cabeça erguida para fazer bonito no GRILLÃO, mas não ocorreria bem assim. Depois de um começo vencendo o Ypiranga em casa por 2 tentos a 0, apareceriam os tropeços. Com uma arbitragem muito ruim acompanhei de perto a derrota, de virada, para o Riopardense. Uma sequencia de derrotas frustrou os torcedores que esperavam algo a mais do time. Lembro-me da coletiva do presidente do Aimoré, Felipe Becker, que após perder outra partida em casa garantia à torcida, muito emocionado, que subiríamos “Não sei como, nem o que vamos fazer, mas nós vamos subir, a torcida pode confiar”. Naquele momento, ouvia suas palavras com tristeza, acreditando que brigaríamos por baixo, para manter o representante leopoldense no ACESSÃO. Mesmo com esse pensamento, confiei no trabalho da diretoria e do grupo, e continuei a ir a todos os jogos. Depois dessas grandes turbulências, foi dado um fim à era Gélson Conte, que deixava um legado gigante à frente da casamata capilé. Assumiu Ben-Hur Pereira, que merece um capítulo a parte.

Voltando um pouco, para o começo de 2013, haviam começado minhas aulas e conversava com meu professor de educação física numa quinta-feira à tarde. Ele, cruzeirista, me contava sobre o delicado momento que o estrelado passava no COSTELÃO. Muito preocupado, dizia que a queda do time de, atualmente, Cachoeirinha era quase inevitável. Dentro do colégio, na capital, víamos muitos gremistas preparados para ver a equipe titular na Arena, lugar onde ainda estava invicto, enfrentar o time de meu professor. Sendo otimista, disse a ele que o Cruzeiro ganharia a peleja, rindo ele me respondeu que iria me presentear com uma caixa de BOMBONS caso tal feito acontecesse. Pois é, à noite, cheguei em casa e fui informado que o Grêmio havia sofrido a primeira derrota na nova casa, 2 a 1 para o ESTRELADO. O técnico do time que veste, também, alviauzl? BEN HUR PEREIRA. Ressaltando que em meio à minha comilança de fatos, Ben Hur livrou o Cruzeiro da queda.

Com a chegada do novo coach ao bairro Cristo Rei, os dias de glória apareceram. Uma grande sequência de vitórias e a invencibilidade em São Léo tiraram o Aimoré da zona da degola e o clube foi alçado aos mata-matas do segundo turni GRILLÃO. Nas quartas, uma tranquila passagem pelo colorado santa-mariense, com direito a goleada em pleno Presidente Vargas.

Na semi-final, nem uma dura derrota para o Ypiranga, em Erechim, tiraram minhas esperanças. Naquela noite de domingo cheguei cedo, muito cedo mesmo, ao Cristo Rei e fiquei cerca de duas horas  abrigado na copa à espera da abertura dos portões. Chovia TORRENCIALMENTE e o Aimoré necessitava de uma vitória para garantir a tão desejada vaga na final. Durante a partida, passei MAUS BOCADOS com as chances que desperdiçamos. Após o lindo gol de Alex, abracei o sujeito que estava ao meu lado, sem nunca tê-lo visto na vida, impossível seria não ficar amigo desse cidadão, após ter acompanhado uma partida tão tensa e emocionante ao lado dele. Na final do 2º turno, aconteceu o previsível, um time de primeira divisão foi superior a um bom time de divisão de acesso. Destaque para os destruidores de alambrado que passaram pelo Cristo Rei.

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Após algumas semanas, as atenções se voltavam ao Estádio Presidente Vargas, com boas lembranças, para definir seu 2014, desta vez enfrentando o Riograndense. Em mais uma ÉPICA atuação, o Índio Capilé se mostrou superior e venceu, marcando 3 golos fora.

Naquele domingo de 21 de julho tudo estava diferente. O Vale do Sinos respirava futebol, o clima era de ELITE do futebol gaúcho. Podendo até perder, o Monumental do Cristo Rei lotou para ver a grande festa do retorno capilé, após 19 longos e cansativos anos. Um primeiro tempo apagado resultou no gol da equipe de Santa Maria. Na segunda etapa o time do tio Ben Hur voltou com vontade de mostrar porque merecia um lugar na série A e Luanderson, que nunca havia marcado um gol com a camisa índia, fez o que seria o tento mais importante desde a volta ao profissionalismo. O grito da torcida tomava o estádio: “OO AIMORÉ VOLTOOOOOUUU”, e esse mesmo grito ecoa pelas ruas da cidade e pela minha cabeça até hoje.

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Passada a festa e depois de muita especulação, ficou confirmada a participação do Aimoré na Copa do segundo semestre. E quem diria que teríamos um aproveitamento tão bom? Uma troca de comando e uma eliminação precoce da Willy Sanvitto misturado com a emoção da classificação com um gol de goleiro e a raiva de um tremendo erro da arbitragem gaúcha, influenciada pela palavra de um taura que se diz repórter de certa rádio do Vale do Sinos, marcaram a histórica e inimaginável participação capilé na Metropolitan Cup.

Vou direto à final do primeiro turno dessa competição que falei acima, naquele 23 de setembro, mais de 200 índios pegaram sua canoa e atravessaram o Rio do Sinos para ver a peleia em plena SEGUNDA-FEIRA à noite.

Eu cheguei em POA, às 15:30, depois de uma cansativa viagem, e as 18 horas estava preparado para a ida ao Campnóia, acompanhar mais uma final em tão pouco tempo. Após muita angustia, a felicidade tomou a Taba Índia no 2º tempo com gol assinalado pelo xodó Luquinhas NEGUEBA.

Aos 47’, com o domínio da bola, o time indígena trocava passes no sistema defensivo e um recuo do zagueiro para o goleiro Axel daria muito o que falar. Enquanto o Sr. Marcio Chagas da Silva corria para proteger (?) seu colega assistente, que levava empurrões e pressão do pessoal CALÇADISTA, lembro-me de uma rica alma na arquibancada que falou: “SÓ FALTA AGORA ELE VOLTAR ATRÁS E DAR O GOL PRA ELES”. Acho que não preciso falar mais nada.

foto5Nesses anos que passaram, acabei me acostumando a ouvir perguntas do tipo: “Por que torces para o Aimoré?” ou “Teu pai ou algum parente é DONO ou presidente do Aimoré?”. Em meio a explicações de que sou apenas “sócio-torcedor” e mesmo morando em Porto Alegre, vou a todos os jogos do Índio em São Leopoldo, essa paixão cresce e se alarma dentro de mim, tornando cada vez mais difícil contê-la. Quando me chamam de louco pergunto se ser louco é torcer e apoiar incondicionalmente o clube que ama, caso loucura seja isso então tudo bem, sou louco mesmo.

2014 está sendo um ano de muita apreensão na Taba, uma boa pré-temporada ocorreu  os resultados das rodadas inicias foram ruins, poucas vitórias, teve troca no comando. A insegurança e o medo rondavam o Cristo Rei. Os capilés, de verdade, abraçaram. A reação apareceu e tal qual no ano passado, a luz se apresenta de novo. É preciso calma e esperança numa hora dessas.

Entendendo o momento complicado e sedento por mais vitórias,

Eduardo Ostermayer

Todas as fotos são da página do facebook Torcedor Índio Capilé Aimoré

 

 

 

 

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