Não existe idade para um Debut, basta sonhar

02

A noite do dia 12 de março de 2014 ficará na história do São Luiz de Ijuí. Como num Baile de Debutantes, o Rubro estreou na Copa do Brasil e teve uma grande noite no 19 de Outubro. Ok, não foi “o baile” dos sonhos da menina, moça e virgem, diante do seu príncipe encantado. Mas ainda sim, uma postura comportada e exemplar moldada pela CAMAÇADA de recomendações paternas. Ou, digna de um representante gaúcho num campeonato que DOBRA o mapa do Brasil no meio, ligando seus extremos.

No entanto, é preciso fazer um exercício de retrospecto. O motivo pelo qual o São Luiz participa da Copa do Brasil nos impõe essa tarefa. Esqueçam, por um momento, o ano corrente. Voltemos no primeiro semestre de 2013 em que o Zangão FERRAVA todo mundo em seu estádio parcialmente cheio, ou ao menos, demonstrava gana para tal. Hoje toda atmosfera presente do ano passado teve um sopro. Jogadores e torcida, de forma nostálgica, deixaram aquele marasmo da versão 2014 presos aos arames FARPADOS que cercam a cancha da Colmeia do Trabalho. Essa mudança de comportamento, aliás, vem há alguns jogos e para entendermos, precisamos acelerar um pouco a LINHA DO TEMPO dessa retrospectiva, e chegarmos ao mês de março. Após a derrota para o Novo Hamburgo por 1 a 0, Mauro Ovelha foi CARNEADO no comando técnico para assumir Alessandro Telles, que em sua estreia, tomou uma SAPATADA do Passo Fundo, no Vermelhão da Serra, enterrando o São Luiz de vez. Ao menos foi assim que a direção decretou. O reflexo foi mandar alguns guris da base ao campo, como o volante Elias (20) e o atacante Mattana (18), no confronto contra o Grêmio, na última sexta, que fora chamado de a PÁ-DE-CAL por imprensa, torcida e direção. E aí é o momento chave dessa mudança, contrariedade à parte.

01

O empate diante do tricolor, a vitória sobre o Pelotas, somados a possível condenação do Esportivo nos episódios de racismo, resgataram um Rubro que estava com um braço pra fora do POÇO. Os destaques desses jogos? Os GAÚCHOS, Elias, de Augusto Pestana e Mattana, de Seberi. Como era de se esperar, ambos entraram em campo ontem contra o Nacional (AM), aumentando o corpo de DEBUTANTES em jogo. A partida, em si, mostrava o time de Manaus com maior posse de bola, regido pelo camisa 10 e ESGUIO, Jeferson Recife. Já o São Luiz era mais efetivo em termos de perigo na velocidade dos contra-ataques puxados por Adilson Bahia, em um claro e particular confronto RESTRITIVO a região Nordeste do país. Intervalo do baile e todo mundo no zero-a-zero.

No intervalo, Mattana, de atuação discreta, deu lugar a Felipe Alves. O Nacional, vendo que tinha a posse de bola de ataque só até a intermediária, voltou pra segunda parte arriscando chutes de longa distância. Utilizando do mesmo método, o São Luiz passou a praticar com Elias, dono de um VENENOSO chute de perna direita. Aos 12’, falta na entrada da área em que o representante de Augusto Pestana e camisa 7 buscou o ângulo, o goleiro Jair pulou pra bola (e pra foto) e pegou. Dois minutos depois a MALDIÇÃO DA OVELHA: após confusão dentro da área a bola sobrou limpa para Nando abrir o placar para os amazonenses. 0 a 1. Após rolar, percorrer um caminho sombrio, (e) encoberto por torcedores PRECOCES que levantavam pra ir embora, a bola “apareceu” com Felipe Alves que fez boa jogada pela direita e rolou para Adilson Bahia empatar a partida DE VEREDA. Festa na Baixada.

A partir disso o Zangão inflamou e foi pra cima. Tão pra cima que, em um contra ataque, Léo Paraíba foi achado do lado esquerdo de ataque, sozinho, e não perdoou: 1 a 2 e início de um VELÓRIO no 19 de Outubro. Dessa vez, no entanto, o Rubro teve tempo de acusar o gol e passou a errar todos os movimentos em campo. Cada possibilidade de chance do adversário arrancava das arquibancadas advertências do tipo: “VOCÊS ESTÃO LOUCOS, O QUE EU VOU FAZER COM MINHAS PASSAGENS PARA MANAUS?”, balbuciava um provavelmente embriagado torcedor. O cansaço era eminente e o São Luiz 2014 mostrava seu cartão de visitas. Sem força, sem criatividade e sem fôlego. Mas aos 37’ esse time fora RETIRADO DO BAILE POR SEGURANÇAS. Após cruzamento do lado esquerdo de ataque, a bola atravessou até o outro extremo da área, no pé do lateral direito João Paulo, que tentou qualquer-coisa-menos-um-chute e acertou o ângulo direito do arqueiro Jair. Golaço e 2 a 2. Festa que fez levantar até o mais grisalho dos torcedores presentes na cancha Rubra, em uma noite histórica do clube no alto dos seus 75 anos.

No dia 9 de abril o São Luiz atravessa a federação e joga na Arena Amazônia, por uma vitória simples ou empate por mais de três gols. Se por ventura passar, encara o adversário de Corinthians x Bahia de Feira de Santana. Antes, enfrenta o Cruzeiro, domingo, no Vieirão, pela última rodada do Tarsão. E o melhor, com chances de seguir na primeira divisão.

Em suma, o negócio é esquecer os equívocos que ficaram escancarados nesses três meses de Chorôôôso, independente do que vier nesses próximos dias. Se o time é ruim e tem defeitos, não vem mais ao caso. O São Luiz tem que viver o sonho que lhe foi concedido (por méritos próprios) em 2013, sepultado na semana passada e revivido hoje. Atualmente, tem a chance de seguir na Primeira, jogar em palco de Copa do Mundo (seja lá o que isso signifique) e em um degrau acima, enfrentar um dos maiores clubes do planeta. O São Luiz tem que sonhar o sonho de guris como Elias e Mattana. Ou, se for o caso, de uma menina moça em sua noite de debutante. De preferência, com o final feliz.

Ficha Técnica:

E.C. São Luiz – Alê; João Paulo, Rodolfo, Tiago Costa e Adãozinho (Ademir Sopa); Fabinho, Elias, Mateus e Aloísio; Adilson Bahia e Mattana (Felipe Alves). Técnico: Alessandro Telles.

Nacional F.C. – Jaio; Amaral, Indio, Rodrigão e Nando; Romarinho, Negretti, Eder e Jefferson Recife; Fabiano e João Douglas.

“Não sou de me exibir, eu sou de Uruguaiana”,

Diogo de Souza 

As fotos são do Alex Frantz, da Rádio Progresso de Ijuí.

Publicado em Além-Torres, Copa do Brasil, São Luiz com as tags , , , , , , , , . ligação permanente.

2 Respostas a Não existe idade para um Debut, basta sonhar

  1. José Carlos Corrêa Filho diz:

    O futuro do Rubro Ijuiense está nas categorias de base, que merecem mais investimentos, bastou escutar o jogo nas rádios locais, Progresso ou Repórter.

  2. Nilvio Benitez Severo diz:

    Gostei da expressão “dobra o Brasil ao meio, aproximando nossos extremos”. Parabéns.
    Guardião

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *