Se chorei ou se sorri, o importante é que… não caí

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Foi-se. O Costelão 2014 chegou ao fim para os rubro-verdes. Com altos e baixos, o São Paulo despediu-se com derrota para o Passo Fundo no REDZÃO da Serra. Por TRÊS tentos a UM, os locais terminaram com dignidade o campeonato e agora buscam reverter os pontos perdidos nos tribunais a fim de evitar o descenso. Já o Leão do Parque perdeu a chance de classificação e volta-se para o trabalho na reestruturação do clube e participação no segundo semestre, que deve ocorrer com um plantel sub-23. 

Diante de um cenário tranquilo e reconfortante, os comandados de Toquinho entraram em campo tão leves que pareciam levitar sobre o relvado do Vermelhão. Depois de árduas 14 voltas, o São Paulo finalmente saia dos retardatários e, como Ayrton Senna em Donington Park, ultrapassava seus adversários correndo para o Monte Olimpo das Bergamotas. Com 3 vitórias nos últimos 5 jogos, o Leão safou-se do rebaixamento e chegou a aspirar a classificação para os matas.

Após as vitórias contra o Novo Hamburgo e Cruzeiro num Aldo Dapuzzo abarrotado, o discurso era de dever cumprido. Mas o torcedor, insaciável, queria a classificação. Para isso, a vitória em Passo Fundo era imprescindível. Pela frente, um Passo Fundo que lutava para, ao menos, terminar na décima quarta colocação e angariar a MEIA COTA de 2015.

Até os 15 minutos iniciais, uma partida parelha e monótona. Foi quando Vareta cobrou falta rasteira e Ediglê saltou-se a frente dos zagueiros e desviou para as redes. Como de costume em todo o campeonato, o São Paulo saía perdendo antes dos 20 minutos do primeiro tempo. Assim ocorreu contra São Luiz, VEC, Cruzeiro, Caxias e Inter, que balançaram o barbante de Pablo ANTES dos DEZ MINUTOS.

Atrás do marcador, o São Paulo não esboçava ímpeto para reagir. Desgastado emocionalmente e fisicamente, o Leão tinha diante de si mais uma adversidade e dessa vez não rugia como fez em outras oportunidades. A confirmação de que a tarde era dos locais veio quando Pablo (um dos jogadores mais regulares na campanha do Sampa) deixou a bola esvair-se por entre os dedos e ofereceu-a para Hiantony, o artilheiro, que esteve em vias de acertar com o São Paulo na pré-temporada, tocou para o fundo das redes e broxou os mais de 40 torcedores que viajaram até Passo Fundo.

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Toquinho até tentou mexer com os brios de seus comandados, mas extenuados não responderam aos berros do Guardiola Papareia. No segundo tempo, Hiantony mais uma vez aproveitou bobeira da defesa para marcar um bonito golo. Num ato de rebeldia e sensatez, o São Paulo lançou-se ao ataque e descontou com Robin. Parou por aí. Enquanto o São Luiz buscava o empate aos 44’ do segundo tempo em Gravataí, os rubro-verdes choravam sobre o leite derramado e a oportunidade desperdiçada. Ficou a sensação de que poderíamos mais, porém essa sensação será saciada em 2015.

Depois de 15 rodadas, passa-se a régua na campanha rubro-verde: 4 vitórias, 5 empates e 6 derrotas; 17 gols marcados e 20 gols sofridos; 5º no grupo B e 9º no geral. Do atual elenco, vários jogadores se destacaram, principalmente com a chegada de Toquinho.

Pablo, que apesar da falha, foi muito importante para a manutenção do São Paulo na primeira; Junior Sergipano agregou muita qualidade ao sistema defensivo e auxiliou na melhora de produção dos companheiros Cesinha  e Reinaldo; Nêgo e Correia, dois dos melhores laterais do campeonato, pontos fortes do São Paulo nas investidas ofensivas e segurança defensiva; Balduíno capitão como tem que ser, contagiante e verdadeiro líder, além de ser muito bom nos desarmes; Vasconcelos, Wellington e Guilherme, alternaram entre grandes atuações e maus momentos, o primeiro evoluiu muito com a chegada de Toquinho e o terceiro, apesar de zagueiro, foi muito bem aproveitado na VOLÂNCIA; Robin sofreu com algumas lesões e não conseguiu dar sequência depois de um bom início de certame; Nata foi muito bem em partidas emblemáticas como Grêmio e Juventude, portou-se bem nas decisões; Murilo foi o que mais cresceu com a chegada de Toquinho, assumiu a camisa 10 e teve grandes atuações; Chumbinho, xodó do torcedor, marcou apenas um gol, mas cumpria papel importante nos esquemas dos dois treinadores que por aqui passaram; Carlos Alberto, de reserva com Piccinin, a titularíssimo com Toquinho; Gillian e Michel talvez tenham sido as maiores decepções tecnicamente falando, porém, não houve falta de empenho dos dois na busca pelos gols; na casamata, um Agenor que mostrou-se muito auto-confiante e que não conseguiu agregar ao time um padrão de jogo e um Toquinho que em pouco tempo mudou a cara do vestiário e conquistou os resultados necessários.

Enfim, num ano conturbado para o São Paulo, as coisas findaram bem. Resta saber se a diretoria jogará o segundo semestre – o que deve ocorrer até para cumprimento de perda de mando de campo pelos incidentes em Rio Pardo lá no longínquo primeiro turno da Divisão de Acesso. Uma gurizada deverá vestir o manto e buscar espaço no elenco para 2015.

 

De “rebaixado” a “ficou no quase”,

Matheus Almeida

FOTOS (na ordem): Daniel Corrêa || L.C. Schneider/Jornal O Nacional

Publicado em Gauchão 2014, Passo Fundo, São Paulo-RG com as tags , , , . ligação permanente.

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