Deus perdoa. Jajá, não

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Poucas pessoas que viram aquele homem, que usava CROCS branco, uma bolsa tiracolo e uma camisa gola V, descendo a Avenida Rio Branco com um andar despretensioso, como quem traz na coxa esquerda dores acumuladas em semanas, numa sexta-feira movimentada em Santa Maria, imaginariam sua capacidade de fazer gols. Trata-se de Jarbas Jardim Fernandes, o Jajá.

Nascido em São Borja, terra de Getúlio Vargas, João Goulart e minha (ns), Jajá é o artilheiro da Divisão de Acesso e a solução para quase todos os problemas do Riograndense dentro de campo. Se a situação periclitar, toca nele. É o camisa 9 do Periquito o jogador mais acionado nos 90 minutos. Claro que a função de centroavante gera algum protagonismo natural, mas no caso de Jajá é diferente. Há jus para a visível necessidade do time em relação a esse jogador. Ele faz gols. Vários. E no último domingo, quando o Riograndense enfrentou o Panambi no Estádio dos Eucaliptos, não foi diferente. Jajá fez dois e garantiu os três pontos para o esmeraldino.

Os microfones das rádios que captaram o som ambiente do vestiário do Riograndense deram a certeza de que o time entraria com intensidade. Mesmo com os atrasos nos pagamentos dos salários pipocando desde já, a impetuosidade na busca por uma vaga no G-4 do Grupo B evidenciou-se desde o início. E nem é preciso dizer que Jajá participou das principais jogadas logo nos primeiros minutos.

Do outro lado, no entanto, estava a SER Panambi. Time forte, estruturado dentro campo e financeiramente, com equilibrio entre os setores. Vinicius e Márcio Nunes, dupla de zaga do Periquito ano passado, impossibilitaram qualquer efetividade ofensiva mais acintosa. Os visitantes, mesmo jogando claramente recuados, não se achicou e, esporadicamente, arriscava alguma jogada no campo de ataque. As principais alternativas eram as bolas alçadas para Gavião ou contra-golpes, normalmente, iniciados pelo também ex-Riograndense, Rangel.

Mas na etapa inicial, de fato, quem mais chegou perto do gol foi o Riograndense. Jajá, Moisés Baiano, Valença e Cléberson assustaram o goleiro Guilherme Costella. O meia Cléberson que, por sinal, merece destaque. Na ausência do camisa 10 Gabriel, foi ele quem assumiu o posto de articulador do time e atuou como o pensante nas principais jogadas da equipe. Foi Jajá, lógico, quem fez o que o torcedor realmente esperava. Aos 45 minutos, Giovani, pelo flanco direito, cruzou na medida para o centroavante colocar a bola, de cabeça, no fundo das redes.

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Na volta do intervalo, o Panambi se atirou um pouco mais em direção ao campo de ataque, mas sem sucesso. Luis André era o meia mais atuante. Pouco se viu do uruguaio Heber Collazo. O outro platino do time, Cristian Fabian, chutou duas bolas em direção ao gol de Júlio César. E só. O Riograndense teve capacidade para continuar com o domínio da partida. A segunda etapa começou com os dois times abaixo do ritmo que terminou a primeira.

Aos 24 minutos, de novo a dupla matadora, Giovani e Jajá, decretou a vitória do Riograndense. Giovani, pela direita, nas costas do zagueiro Vinicius, achou Jajá no meio da área e UM ABRAÇO. Mancando pelas dores na coxa, Jajá correu em direção a torcida para comemorar seu segundo gol na partida. Se perdendo por um gol, o Panambi já se mostrava apático, o segundo foi a pá de cal. Nos 20 minutos derradeiros, o Riograndense empilhou ataques e chances de gol, mas ficou por aí.

O Periquito de Santa Maria joga a última rodada do primeiro turno em Santa Cruz, diante do Avenida. Para conseguir uma boquinha na próxima fase, além de vencer, o Riograndense conta com resultados paralelos. Já o Panambi, mesmo com a derrota, está classificado com uma rodada de antecedência e cumpre tabela contra o Santa Cruz, também domingo, às 16h.

FICHA TÉCNICA:

RIOGRANDENSE 2 x 0 PANAMBI

RIOGRANDENSE: Júlio César; Taffarel, Valença, David, Darlem (Zezinho); Gudi, Geison, Moisés Baiano, Cléberson, Giovani (Júnior); Jajá (Thiago Maestri).
Técnico: Luciano Corrêa.

PANAMBI: Costella; Dú Bayer (Junior Santos), Marcio Nunes, Vinicius, Gauchinho; Rodrigo Dias (David), Rangel, Luis André, Collazzo; Cristian Fabian, Gavião.
Técnico: Lucio Collet.

Dos Eucaliptos,

Bernardo Zamperetti

As fotos são, respectivamente, de Guilherme Porto, assessor do Riograndense, e Marina Fortes, repórter do Radar Esportivo.

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