Daqui não saio e daqui ninguém me tira

Rafael Forster. Foto: Italo Santos/GEB

Noite fria de outono, mas com clima quente nas arquibancadas do Bento Freitas. Jogo pegado valendo classificação para a semifinal do charmoso Gauchão. O Novo Hamburgo veio fechadinho e com boa marcação. O Brasil teve dificuldades no meio campo e errou muitos passes. Ambos os lados tiveram lances perigosos, mas depois de muito sufoco e unhas roídas, conseguimos a vitória com um gol de falta de Rafael Forster e outro de Alex Amado, que fez um LINDO contra-ataque e encerrou a partida com chave de ouro.  Além de estar classificado às semifinais do Gauchão, o Brasil conquistou a vaga na Série D do Brasileiro.Era noite de comemoração do meu aniversário, originalmente ocorrido no dia 18 de março. Churrasco em casa, familiares reunidos.  E eu, na Baixada, só pensava na vitória: “O Brasil tem que ganhar, senão não vou conseguir comemorar direito. Vai ser uma porcaria de noite”. O nervosismo tomava conta e eu não sabia o que fazer com as minhas mãos. Roía as unhas, estalava os dedos, rezava, gritava. A cada jogada perigosa do adversário, eu olhava pro lado e via um senhor com os dedos cruzados, sentado, no meio da multidão que estava de pé, com os olhos fechados, falando algumas palavras em voz baixa, as quais eu não consegui identificar. Tudo era válido, afinal há mais de dez anos não sentíamos o que estávamos sentindo naquele momento.

Foto Italo Santos/GEB

Márcio Chagas da Silva apitou o jogo.  Uma arbitragem, no mínimo, horrorosa.  Não digo só pelo lado rubro-negro, mas também pelo time visitante. Diversas faltas escancaradas foram ignoradas. Alex Amado que o diga. O baixinho foi alvo de puxões, carrinhos e empurrões. É perseguido e sempre é cercado por três ou até mais jogadores do time adversário. Em uma jogada perigosa, quando finalmente conseguimos furar a zaga do anilado, Alex invadiu a área, mas o zagueiro Zé Carlos não conseguiu ganhar na bola e simplesmente “abraçou” carinhosamente (ns) o jogador rubro-negro, que foi derrubado na área. O senhor árbitro não marcou a penalidade máxima no lance e mandou seguir o jogo. Recebeu da torcida reclamações, gritos enfurecidos e palavras bonitas. Seguimos o baile.

Túlio Souza sentiu dores na perna e saiu logo no início da partida. Confesso que fiquei meio preocupada com essa saída, afinal é o nosso melhor batedor de faltas. Mas ainda tínhamos Rafael Forster, crucificado por parte da torcida após perder o pênalti no fim do jogo contra o Grêmio. Após o acontecimento, ele não estava conseguindo criar como antes. Bolas pro mato, passes errados e por aí vai. Mas o futebol é bizarro, amigos. Ele sempre nos surpreende e às vezes cala a nossa boca quando menos esperamos.  Zimmermann sempre defendeu o lateral em suas coletivas. Afinal, não existe ninguém melhor do que ele pra avaliar quem vai pro banco e quem fica. Se ficou é porque é bom e assim foi. Quando Forster foi pra bola bater aquela falta na entrada da área, eu escutei: “Bah, vai errar. O Túlio nessa hora matava a pau!”. Outros olhavam pro céu e murmuravam: “Milar, coloca teu pé aí!”. Eu fechei os olhos e só abri depois dos gritos da torcida. Não vi o gol, apenas senti. O som ensurdecedor e insano da torcida mais apaixonada do Rio Grande do Sul adentrou meus ouvidos e meus olhos viram Forster sendo aplaudido com fervor. Brasil 1 a 0. Quando cheguei em casa, vi o gol pela internet e QUE GOLAÇO. A rede deve estar balançando até agora com a bomba que ele mandou. Rogério só confirmou o que havia dito e muitos ficaram sem palavras. O futebol é realmente uma incógnita.

Foto Italo Santos/GEB

Após o GOLO, o Nóia acordou pra vida e começou a atacar mais. No segundo tempo, Jonatas Belusso quase abriu o placar pro lado anilado. Luiz Müller afastou a bola vinda dos pés de Douglas e no rebote Belusso chegou pra concluir, mas o goleiro rubro-negro fez um milagre defendendo a pelota com os pés. Após o lance, veio uma enxurrada de ataques anilados. Faltas atrás de faltas. Jogo nervoso, vontade de invadir o gramado e bater no bandeirinha (rs). Eu já estava sem o casaco nesse momento, o calorão tomou conta e eu só queria que o jogo terminasse ali. Porém, o senhor Márcio Chagas deu 6 minutos ETERNOS de acréscimo. Mas no fim da partida, agradeci ao tempo extra estipulado. Aos 50 minutos da etapa final, veio um escanteio pela direita a favor do Nóia. O senhor do meu lado, já sentado, cruzava os dedos e falava suas palavras mágicas de olhos fechados. Poderia ter sido um lance normal, não fosse o goleiro Max ter abandonado a sua goleira e ido pra área do Brasil, todo saltitante. Juro que no momento não pensei na possibilidade do lance seguinte. Pra mim seria só mais um escanteio em que a bola pararia nas mãos do Luiz Müller. Mas não foi. Foi melhor. A zaga rubro-negra cortou o cruzamento anilado e a bola sobrou para Alex THE FLASH Amado, que mais parecia o LIGEIRINHO dos Pampas correndo em direção a goleira abandonada do Nóia. Ninguém segurou o baixinho e ele fez o dele. Como se não fosse bastante, na comemoração, Amado ainda homenageou o eterno guerreiro rubro-negro Claudio Milar, dando uma flechada, acertando em cheio os corações fanáticos dos rubro-negros ali presentes. Emoção pura, arrepios. Alegria sem fim.

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As vozes ao redor já gritavam “APUTA FILHO DA PITA” e assim foi. Márcio Chagas apitou e findou-se a peleia no Bento Freitas. Brasil 2 a 0. Enfim, o senhor torcedor ao meu lado pode dar um abraço apertado em sua esposa e entoar com a tribo Xavante o grito da vitória. O futebol é realmente sensacional.

A próxima peleia será na Arena contra o Grêmio. Jogo difícil, mas não impossível. Como sempre o Brasil pode contar com a torcida, que sempre dá aquele empurrãozinho no jogo. Será que vamos repetir o feito em 1998? Vamos fazer história mais uma vez? Oremos.

Aqui chegamos. Classificados pra semifinal do COSTELÃO, Série D garantida, até o momento o Título do Interior, além do coração na boca e um suspiro de alívio. Fui pra casa, encontrei minha família e curti um baita churrasco de aniversário com o sorriso de orelha a orelha.

As fotos são do Italo Santos (Assessoria GEB)

O interior vencerá,
Jéssica GEBhardt

Publicado em Brasil de Pelotas, Gauchão 2014, Novo Hamburgo com as tags , , , . ligação permanente.

Um comentário em Daqui não saio e daqui ninguém me tira

  1. Zezinho diz:

    O Brasil mereceu a classificação não apenas pela partida, mas por todo o campeonato. Entre pegar Veranópolis ou Brasil na quartas, eu preferiria o Inter (ns, porém verdade).

    Não gostei da retranca que o Itamar colocou no time, com Peixoto de volante (!!!), mas foi a tônica do campeonato. Ao menos o desempenho foi acima da média – sobretudo no segundo tempo. E a arbitragem foi braba. Aquela ~~falta~~ do Zé Carlos no Nena, se é em várzea, ninguém dá – e se o atacante reclama, vai pro chuveiro. Além do pênalti em cima do Belusso, em que um zagueiro xavante BARRANQUEOU (ns) nosso atacante dentro da área.

    Mas Inês é morta e que se foda. Se o Noia não tivesse abdicado de jogar a maior parte do campeonato, poderíamos estar com vocês nas semi-finais. Boa sorte ;)

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