96 anos do mais querido das Missões!

# Palmeirense de Palmeira das Missões

Que data! Que momento…

Palmeirense chega aos 96 anos com o futebol profissional ativo, um time competitivo e em paz com seu torcedor, mesmo diante de inúmeras e infinitas dificuldades o clube tá aí, peleando e batalhando pelo acesso na Terceirona Gaudéria, a história do clube é linda e tentaremos contá-la um pouco neste insano espaço do torcedor.

No distante ano de 1919 por iniciativa de jovens sonhadores que já avistavam o futebol em outras querências, surgiu o Esporte Clube Palmeirense. Segundo relatos de ilustres torcedores que tiveram a oportunidade de conviver com estes jovens, o clube surgiu inicialmente sem pretensões, a ideia era ter um time de amigos que pudesse fazer frente em algumas canchas regionais, nesta época diversas equipes vinham surgindo pelo estado e Seu Setembrino Cañellas não quis deixar passar e organizou toda sua turma. Nas primeiras décadas a equipe era formada basicamente pela gurizada da Palmeira mesmo, dividiam as despesas e iam até Passo Fundo encarar o Sport Club Gaúcho, pouco depois surgia o 14 de Julho também na cidade de Passo Fundo e assim iam surgindo os primeiros rivais do Leão das Missões, no ano de 1933 surgia o Glória de Carazinho que protagonizou duelos pra lá de pegados com o Leão, eram tempos de  clássicos do futebol onde os atletas atuavam com sua boina e após os jogos saíam junto com os rivais, nem sempre era possível, principalmente no clássico citadino.

1919

PALMEIRENSE x Ouro Verde – A História!

O Leão já rugia pelos campos locais e regionais desde 1919, quando em 1943 alguns dissidentes do clube resolvem fundar o Esporte Clube Ouro Verde e aí tu imagina como eram as pelejas entre eles, coisa linda! Palmeirense teve a hegemonia na maioria dos duelos, mas nos anos de 1950, 51 e 52 o Ouro Verde deu o ar da graça e faturou o Tri-Campeonato citadino, aos poucos os duelos foram perdendo o charme e ganhando uma rivalidade demasiada que ultrapassava o alambrado, culminou na tentativa frustrada dos dirigentes em fazer o clássico da Paz. A ideia era buena, mas o clássico da Paz durou poucos minutos e acabou em enorme pancadaria. Mais tarde o Ouro Verde partiu para o salonismo onde teve êxito, sagrando-se campeão da Série Prata estadual no ano de 2002.

Títulos e mais títulos…

O Leão teve em duas décadas (50 e 60) presença constante entre os primeiros no Estadual Amador que na época valia e muito e contava com grandes equipes que mais tarde tornaram-se profissionais como Ypiranga de Erechim, Cruzeiro (até então de Porto Alegre), Grêmio Santanense, entre outros. Em 1960 a primeira conquista veio diante do Pampeiro de Soledade, equipe esta que tinha em seu elenco Bebeto “O canhão da Serra” que mais tarde faria história como jogador do Gaúcho e do Grêmio e como treinador, foi campeão da Divisão de Acesso em 2001 pelo Leão das Missões, falecido em 2003, Bebeto até hoje é lembrado como um jogador diferenciado na época.

Após a conquista em 60 o Leão em 61 foi eliminado pelo próprio Pampeiro, que acabou sagrando-se campeão adiante.

Em 63 o Leão entrou forte e conquistou o título diante da Pratense de Nova Prata.

Em 66 mais uma conquista, é bom ganhar! O rival derrotado foi o Botafogo de Três de Maio.

Em 69 título dividido com o Ipiranga de São Luiz Gonzaga, naquela época os regulamentos já eram confusos e causavam controvérsia.

Na década de 70 o futebol local foi perdendo seus atletas para agremiações que pagavam um bicho aos atletas, nessa época começou a ficar difícil manter o clube e diante disso, portas fechadas!

1969

1993 – O Recomeço

Em 93 na mesma tarde que a Argentina fazia o crime no Brasil, o Leão das Missões retornava ao futebol, em com 9 anos de idade me recordo de ir ao duelo diante da Tresmaiense, equipe que em 92 “quase” havia conquistado o acesso, Palmeirense recheado de atletas da casa, todos com histórico de sucesso no Futebol Sete com o tradicional e multi-campeão Guarita Country Clube apanhou bastante no início, mas adiante reforçou sua equipe e fez uma campanha linda que acabou nas mãos do arqueiro Donizetti do Taquariense.

Súmula do 1º da volta do Merêncio:

PALMEIRENSE (RS) 0-0 TRÊSMAIENSE (RS)

Data: 11/04/1993 [Domingo]

Local: Luciano Ferreira Martíns, Palmeira das Missões, RS, BRA

Juiz: João Luís de Oliveira Sá

PALMEIRENSE (RS): Valdecir; Grillo, Adílson, Ílton e Machadinho; Cabral, Tiganá, Maurício e Pietrobelli (Miguel); Volnei e Galan.

TRÊSMAIENSE (RS): Luciano; Aírton, Ramirez, Andres e Jéferson Pirulito; Classmann, Elemar, Claudiomiro e Leandro Tinga; Laerte (Nélson) e Camarguinho.

Após a estreia sem gols o Leão foi realizar duas partidas fora de casa e não se deu bem, derrotas para Veranópolis (2 x 0) e Flamengo de Horizontina (2 x 1). A primeira vitória foi em casa diante do rival Ipiranga de Sarandi.

PALMEIRENSE (RS) 1-0 IPIRANGA (RS)

Data: 16/05/1993 [Domingo]

Local: Luciano Ferreira Martíns, Palmeira das Missões, RS, BRA

Juiz: José Luís Ristoff

Gol: Picolli aos 66′.

PALMEIRENSE (RS): Valdecir; Adílson, Grillo, Picoli e Machadinho; Lucas, Mário, Galan (Vairan) e Romário; Pietrobelli (Cabral) e Chumbinho.

IPIRANGA (RS): Sandro; Ozeno, Aléx (Jéferson), Édson e Ricardo; Paulão, Gersinho, Leandro e Magrão; Gastão e Enéas.

Cartão Amarelo: Machadinho (Palmeirense (RS)), Ricardo, Paulão (Ipiranga (RS))

Ao fim da Primeira Fase o Leão não obteve classificação, indo assim para a Repescagem onde chegou até a decisão diante do Taquariense de Donizetti, Rogério Zimmermann e Kuki (este baixinho era terrível). O campeão da repescagem ia direto para as semifinais da competição que teve 25 equipes naquele ano.

94

1995 – O ano de Kuki!

Depois de arrebentar o Palmeirense, o baixinho impiedoso veio para o Palmeirense e foi a grande estrela da excelente equipe que só parou na Ser Santo Ângelo do goleiro Luciano (atua pelo Rio Grande), derrota por 2 x 0 no primeiro jogo e em Palmeira das Missões, empate em 2 x 2 e a taça foi para Santo Ângelo.

2001 – É CAMPEÃO – É CAMPEÃO – É CAMPEÃO!!

Que ano fantástico! Uma campanha sensacional consagrou o Leão das Missões. Na primeira fase o Querido começou com dois empates, um deles em casa no clássico contra o Guarany de Cruz Alta e o já sofrido torcedor já dava sua cornetada, aí a equipe “ligou” e na terceira rodada o primeiro atropelamento, um impressionante 5 x 2 diante do Glória de Vacaria que até então, liderava o certame em sua chave.

Os duelos com o Gaúcho de Passo Fundo marcaram a primeira fase, derrota e muito tumulto na casa “deles”, 2 x 1 e inúmeras barbaridades dentro e fora de campo. Na saída Rodrigo Almeida profetizava “Lá a gente não fará nada disso, mas eles levarão uma goleada”. Na outra semana iniciava o returno e o menino Gaúcho levou um atropelo de 4 x 0 no Lucianão.

No quadrangular final as pelejas foram sensacionais. Inter de Santa Maria vinha com o atacante Josiel, São Gabriel vinha com Alê Menezes e Goico, Grêmio Santanense vinha com Kena e Fábio de Los Santos. E o Leão? Bem, este vinha cheio de gurizada desconhecida, mas que jogavam uma barbaridade! De cara um empate na raça e na coragem em Livramento, 1 x 1 e muita pancadaria, após isso foi confirmar em casa o acesso. 1 x 0 contra o São Gabriel com gol de Luciano Faxina, 3 x 2 contra o Inter-SM com gols de Santiago (2x) e Anderson Flecha Negra e um impiedoso e arrebatador 6 x 0 no Grêmio Santanense. Santiago (3x), Elcio e Anderson Flecha Negra (2x) foram os responsáveis pelo atropelo na tarde de 12 de agosto de 2001. Campanha incrível, time inesquecível e título justíssimo, o Palmeirense enfim se garantia na elite do futebol gaúcho.

2001

2002 – PRIMEIRA DIVISÃO, LÁ VAMOS NÓS!

Foi sofrida a peleja do Leão, pra começarmos a prosa sobre 2002, a FGF tirou a dupla GRE-NAL, o Juventude e o Pelotas do certame inicial, com isso o torcedor de Palmeira das Missões não recebeu a dupla. Em um competição estranha de número ímpar, 13 equipes peleavam e apenas uma iria cair, foram duelos difíceis com o São Paulo de Rio Grande, mas no fim, caiu eles e assim o mais querido das Missões garantia seu segundo ano na Primeira Divisão, a primeira vitória da historio do Querido na elite gaúcha, foi como de costume, sofrimento enorme e com gol do fenômeno Gainetinho.

PALMEIRENSE (RS) 2-1 SÃO JOSÉ (RS)

Data: 20/01/2002 [Domingo]

Local: Luciano Ferreira Martíns, Palmeira das Missões, RS, BRA

Juiz: Paulo Ricardo Pazzine da Silva

Gols: Jorjão (S) aos 60′, Gainetinho (P) aos 89′ e Guga (P) aos 91.

PALMEIRENSE (RS): Cristian; Tiago Oliveira, Élcio, Luiz Daniel e Jackson; Ronaldo Bagé, Marquinhos (Marcos Castilhos), Rodrigo Almeida e Guga; Gainetinho e Jé.

SÃO JOSÉ (RS): César Silva; Paulinho, Luís Eduardo, Sidiney e César Souza; Joel Marcos, Chiquinho (André Ijuí), Márcio Machado e André Rosa; Jorjão (Rodrigo Galvão) e Zé Clei.

Cartão Amarelo: Élcio, Luiz Daniel, Marquinhos, Gainetinho (Palmeirense (RS)), César Silva, Paulinho, Jorjão (São José (RS))

Expulsão: André Rosa (São José (RS))

Em 2003 não teve jeito e o Leão sucumbiu, sendo rebaixado ao lado do São Luiz de Ijuí, após isso, uma participação na Segundona de 2004 e o fim das atividades.

 2003

2013 – O RECOMEÇO

Nosso grande Capitão Vieira resolveu tentar de novo e o Leão estava de volta! Montou-se uma grande equipe que comandada pelo ídolo Bagé fez bonito, mas não chegou ao acesso. Adivinhem como foi o primeiro jogo no Lucianão? Vitória de virada e gol nos acréscimos!

Palmeirense 2 x 1  Bagé.

Árbitro – Ilton Marcos Alves de Souza

Gols:  Tiago Rocha 8’ (B), Feliphe 52’ e Ganzer 92’ (P).

Palmeirense: Gallas; Willian, Negretti, Maurício e Ganzer; Thiago, Bones, Lima e Jonathan; Anderson Flecha Negra e Feliphe.

Bagé: Fernando Costa: Pedro Júnior, Heber e Diego Costa; Rodrigo Dias, Wesley, Pedro Rocha e Evandro; Matão, Fernandinho e Alex.

2014 – QUASE LÁ!

No ano passado o Leão quase conquistou o acesso, foram duelos difíceis e o Leão pecou dentro de sua casa, Na primeira fase foi eliminado em casa pelo Guarany de Bagé, na segunda fase eliminação em casa para o Rio Grande e na disputa pela última vaga, empate sem gols no Luciano Ferreira Martins com o São Gabriel e derrota por 2 x 1 na decisão.

2015 – CONTRA TODA EXPECTATIVA, OLHA NÓS AQUI OUTRA VEZ!

Ano histórico na vida do clube. O Presidente Vieira anuncia que o clube irá fechar as portas, a cidade compreende e sabendo das dificuldades financeiras e do pouco apoio local, aceita de imediato a decisão tomada pela direção do clube. Aí alguns torcedores, onde me incluo, iniciam uma série de reuniões, inicialmente pra saber da situação financeira do clube e após isso, para sensibilizar novos nomes para seguir adiante com o futebol em nossa cidade.

A tarefa foi árdua, discussões entre os que queriam a volta do clube e os que não queriam a volta do clube, era constante o confronto de ideias entre aqueles que já atuaram no clube nos anos 90 e os que vinham com ideias novas e sugerindo uma reformulação no clube, dando uma abertura maior para todos que desejam agregar e delegando funções, não centralizando tudo ao poder maior. Por fim, Luis Fernando Corso Cabral assume a Presidência, tendo ao seu lado Vilson Brizolla.

ESTRÉIA ADIADA POR TRÊS VEZES!

Tava difícil de sair a estreia do Leão, mas ela veio em uma quarta-feira e com uma expressiva vitória sobre o rival Gaúcho, 3 x 0 com gols de Welder, João Antônio e Ledesma. Após isso mais duas vitórias, 2 x 0 fora de casa contra o Sapucaiense e um impiedoso 5 x 0 contra o Garibaldi. Vieram as derrotas para Marau (2 x 1) e Gaúcho (1 x 0). No sábado passado, vitória sofrida diante do Sapucaiense, adivinhem como? De virada! Dessa vez o gol não veio nos acréscimos e sim aos 44 minutos da segunda etapa. O Palmeirense já está classificado para a Segunda Fase da competição e segue rugindo e muito pelo Rio Grande querido…

2015

MAIOR ÍDOLO DO CLUBE!

Em votação realizada nas redes sociais, Gainete foi considerado o maior jogador do clube em toda história, claro que estando em 2015 o torcedor que hoje vota é aquele que acompanha o clube dos anos 90 pra cá, sendo assim definimos Gainete como o maior jogador desde que o Orkut surgiu. Conversando com o filho da Palmeira que teve seu irmão mais velho e mais novo também atletas do clube, ele nos contou de forma emocionada suas passagens pelo clube e é com ele que encerramos este relato sobre o aniversário do meu amado Palmeirense. Com um cisco no olho e muita vontade de escrever ainda mais, me despeço e agradeço infinitamente a todos que de uma forma ou outra foram e ainda são os responsáveis pelo clube abrir porta todo domingo para que eu e mais centenas e por vezes milhares de Palmeirenses possamos viver duas horas de terapia, viver o Leão é uma terapia. Jamais conseguirei descrever o sentimento que sinto cada vez que escuto os fogos ao fundo e vejo o mais querido e temido das Missões subindo ao gramado do Luciano Ferreira Martins. Valeu Pompílio Gonçalves, Professor Cañellas, Capitão Vieira, Anchieta, Bagé, Bebeto, Mauro Moraes, Toto, Marquinhos Chapão, Luiz Daniel, Picolli, Machadinho, Adriano Careca, Bolacha, Gainetinho, Chumbinho, Santiago, Anderson Flecha Negra, Daniel, Cabo João Batista, Pastor Hermes e tantos outros…

“Tudo começou em 93 aos 19 anos, no time de juniores e as vezes ficava no plantel do profissional. Bom antes de começar tudo isso de segunda a segunda, todas as tardes o encontro com os amigos era na pracinha da Vila Fátima e quando dava uma oportunidade nós pulava o muro para poder jogar no campo do Palmeirense, mesmo não tendo futebol em Palmeira a vontade era ser um jogador (…) Ser da casa é sempre mais difícil para o atleta, mas para mim foi diferente, sempre me dei bem com o torcedor, mesmo com todas as besteiras que eu fazia fora de campo que era jogar futsal por fora (…)Teve vários jogos que me marcaram, mas vou citar o jogo contra o São José de Porto Alegre, foi histórico porque o Palmeirense estava fazendo seu primeiro jogo do campeonato em casa e eu fui o autor do primeiro gol do clube na elite do futebol gaucho e ganhamos o jogo de virada (…) É preciso apostar na base, em 94 a diretoria teve um encontro com o Gilmar Veloz, ele não tinha a fama de empresário de jogador que tem hoje, mas queria comprar meu passe, mas não chegaram a um acordo, então isso é uma dica que vale apena apostar no jogador do clube, é uma forma do clube sobreviver (…)Sinto saudade de vestir essa camiseta, ver a torcida chegando no clube para os jogos de domingo. Gostaria de estar aí ajudando, mas de longe eu peço que o torcedor ajude o querido, não deixe esta paixão acabar. E OBRIGADO pelo carinho do torcedor” Gainete

gainete

Fico por aqui, já é Carijo na Palmeira e o costelão me espera!

Deive Gessinger

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3 Respostas a 96 anos do mais querido das Missões!

  1. Srs.:

    Sou o Marlon Krüger Compassi, nascido em Palmeira das Missões, em 27 de maio de 1955!!! Hoje!!! Se tem alguém aí que possa me informar se o Palmeirense disputou em alguma oportunidade o Estadual Amador da Fase Zonal de 1919-1941 e os resultados e súmulas, agradeço. Sou pesquisador do futebol gaúcho e em especial este período.
    Meu e-mail é: marloncompassi@gmail.com.

    Muito obrigado.

  2. Deive Gessinger diz:

    Boa Tarde, Sr Marlon.

    Nas primeiras décadas o clube disputava jogos com equipes locais, nos anos 30 e 40 alguns confrontos contra equipes da região. 14 de Julho, Gaúcho, Glória de Carazinho.

    Súmulas acho muito difícil que eu possa conseguir, mas irei atrás de algum material e lhe envio. Em Palmeira das Missões, resido o Professor Cañellas que possui um vasto material histórico do clube, se alguém tem, é ele.

  3. Gustavo diz:

    São Gabriel e Palmeirense travaram belas batalhas, um abraço de São Gabriel, todos juntos pelo futebol do interior.

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