Eu avisei!

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Chegamos de novo! Eu avisei! Subimos cada degrau e agora desfrutamos esse momento com muita euforia, choro, alegria, êxtase, agradecimento. Esse era o sentimento no momento do apito final. Todos merecem essa conquista: os jogadores, o clube, o Rogério e os torcedores.

A semana que antecedeu ao jogo decisivo foi intensa. Ansiedade e muito nervosismo durante uma semana que parecia durar meses. Mãos suadas, TREMELIQUE no corpo inteiro. Assisti ao jogo com meus amigos, porque sofrer em grupo é melhor do que sozinho. A gurizada não conseguiu parar quieta. Uns sentados, outros andando pra lá e pra cá, esfregando as mãos ou pulando, no mesmo lugar. Tudo era válido pra manter o nervosismo longe – em vão. Era impossível se manter calmo naquela situação.

Antes de o jogo começar, a Bruna (da foto abaixo) tirou o terço da bolsa e o enrolou na mão. A Anna pediu a ela a imagem de São Jorge. “Bruna, me dá o São Jorge que vou ali dar uma conversada com ele”. E assim foi. Rezou, conversou, pediu pra o nosso Xavante subir.

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Apitou o tio, eu olhei pra cima e disse: “É contigo, Milar”. Eu não assisti ao jogo, confesso. Era bola na trave, escanteio para o Fortaleza, defesa do Martini. E o tempo não passava. “Quanto tempo tem?!”, perguntava um. “15 minutos”, respondia outro. “Porra! Recém?!!!”. Deus nos acuda!

A cada ataque do Fortaleza era um sofrimento. Meu coração acelerava. Fui fazer outra caipirinha e fiquei de costas pra TV. Quando olhei pro lado, vi que a Carol chorava de olhos fechados com a mão no peito. Depois respirava fundo e seguia torcendo.

Eu já não tinha mais unhas pra roer. Em um dos poucos momentos que vi o jogo, fiquei todo o tempo de joelhos, com as mãos entrelaçadas junto à boca, como se fosse um tipo de ritual.

Cada um se apegava no que tinha. O Márcio foi com a camisa do Milar, assim como a dona Tânia, que teve que voltar em casa pra buscar a camisa do eterno camisa 7, porque no meio do caminho lembrou que tinha esquecido. A Anna foi com a camisa que o Brasil subiu ano passado. “Ela tá até um pouco mofada nas costas por causa da umidade do guarda-roupa, mas azar. Coloquei mesmo assim”, disse.

Inúmeras promessas. Desde cortar o cabelo pra doar, até tatuagens em homenagem ao clube. No intervalo respiramos aliviados. Uma pausa no coração. Faltavam só 45 minutos pra tão sonhada série B. A gente não sabia lidar com isso no momento. Era muita coisa na cabeça.

Nos acréscimos, estávamos quase ligados nos aparelhos respiratórios. Que sofrimento! Eu suava frio e fui pra frente da TV. Me agachei, fechei os olhos e comecei a chorar. Sabendo que dali alguns minutinhos estaríamos na série B. A Luana colocou o capuz do moleton na cabeça e via o jogo com um olho só. Daqui a pouco a Stefany fala: “meu braço e minha boca estão formigando!”. Tá, a guria vai ter um infarto. Pelo amor de Deus, alguém dá um remédio pra essa guria. Lá veio a Juliana com o remédio – ainda bem que tínhamos uma enfermeira entre nós, vá que…

Quando ouvimos o apito final, desabamos.

Gritos, choros desesperados, de alívio, paixão transbordando do peito. Abraços e agradecimentos. Ajoelhada, abracei a Stefany que estava aos prantos no chão. “Chora! Pode chorar”, disse pra ela. Enquanto isso, a dona Tânia emocionada veio me abraçar e disse: “Meu santinho não falha! Nunca falhou”. Era telefone tocando, pessoas parabenizando ou chorando do outro lado da linha. O meu telefone tocou e eu não conseguia falar, só chorar. Muitos “Obrigada por ter me feito xavante, pai!” eram ouvidos. Paixão que se renova a cada ano.

Que desfecho lindo, amigos. Paixão que nos une. Futebol na sua forma mais pura. Fomos comemorar nas ruas, gritando pra quem quisesse ouvir: “EU TÔ NA SÉRIE B!!!”

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A cidade foi colorida com vermelho e preto novamente. Um mar que invadiu as ruas entoando o canto rubro-negro. No domingo acompanhei a chegada do time desde lá do pedágio. A movimentação intensa de torcedores e de admiradores era impressionante. As pessoas iam pra janela ver o que estava acontecendo. Era o Xavante dando alegria ao seu povo!

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Eu disse que a série B era logo ali. Foi difícil? Foi. Mas nunca é impossível pro Brasil. Calamos 63 mil pessoas no Castelão. Nosso sonho foi realizado. O mesmo sonho que era do Milar, do Régis e do Giovani. Merecemos essa conquista e tudo o que vir de bom pela frente.

A gente chora, desaba, grita e sai de si. Ninguém entende, alguns torcem o nariz, dizem que somos loucos. E eles têm razão. Somos loucos de amor. Uma loucura que nos eleva, que explode no peito. Futebol não se explica, apenas se sente. Dispensamos a razão porque essa paixão infinita é o que nos move.

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Pra finalizar, deixo os meus parabéns ao Ypiranga, time do nosso colega cancheiro Álisson Giaretta, que subiu pra série C; deixo também o nosso MUITO OBRIGADO a todos que nos felicitaram; ao elenco rubro-negro, que mesmo com atrasos de salários (hoje, em dia) fizeram o possível por nós; ao Martini que, mesmo passando por um momento difícil por causa da perda do pai, se manteve firme; ao Rogério, que é FODA PRA CARALHO; à torcida Xavante, que está em todo canto desse mundo e que vai até TÓQUIO se for preciso; e por fim, ao meu tio Sérgio por ter me feito a Xavante mais doente da família.

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SUBIMOS, TCHÊ!

Brasil, eu te amo.

Obrigada por mais essa alegria.

As fotos são de: Jéssica Gebhardt, Jonathan Silva – Assessoria GEB, Jarbas Oliveira – Estadão Conteúdo, Daniel Pillar – Interior Forte, Marcelo Barboza – Blog Xavante e Gustavo Mansur – Diário Popular. 

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3 Respostas a Eu avisei!

  1. Anna Müller diz:

    SENSACIONAL, Jéssica! Descrevesse um pouco do que foi o nosso sentimento, no sábado! :D
    Minha camisa, mesmo mofada, deu sorte novamente! E será com ela que eu verei nosso XAVANTE na série A!! hahaha

    AVANTEEEE!

  2. Jéssica GEBhardt diz:

    #1. Obrigada, Anna! Ano que vem veste ela de novo hahaha

    AVANTE SEMPRE!!

    <3

  3. Esequias Pierre diz:

    Que alegria poder ver o Xavante chegando novamente a um acesso e exito nessa sua caminhada recente, fiquei feliz demais e torci pelo sucesso do time nessa Série C também, são uma combinação extraordinária, instituição e torcida a mais excepcional do país, onde o futebol vive e respira forte!

    Avante Brasil!

    Saudações Corais & Pernambucanas

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