Clássico memorável para garoto da base anilada

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Um ponto conquistado de seis disputados diante do Aimoré. Muito pouco para quem contou, antes mesmo de entrar em campo, com 100% dessa pontuação. Não foram uma, nem duas pessoas que cogitaram tal facilidade ante o maior rival que figura na segundona gaúcha, e neste segundo semestre conta com um time montado às pressas. Falhas e o péssimo aproveitamento na conclusão de jogadas, resumem o Novo Hamburgo de Ben Hur Pereira.

O Clássico do Vale, assim como qualquer outro derbi, tem história. A cada confronto essa história recebe linhas e páginas, ganhando, assim, a eternização do futebol do Vale do Sinos. Mas se engana quem pensa que ela ficará eternizada em páginas de jornais ou sites esportivos. A história é perene e ultrapassa todos os limites. Ela é contada desde os torcedores que enchem a cara e fazem apenas festa nas arquibancadas – pois os que brigam JAMAIS PODEM SER CHAMADOS DE TORCEDORES, bem como pelos 11 protagonistas que entram na cancha para defender as cores de suas equipes.

A 87ª edição do Clássico do Vale do Sinos terminou empatada. Disputada no Estádio Cristo Rei, do outro lado do Rio, a peleia findou com 1 a 1, em um jogo bem disputado, à altura da rivalidade entre Aimoré e Novo Hamburgo. Infelizmente, assim como no clássico disputado no Estádio do Vale, o público foi pequeno. Foram pouco mais de 200 pessoas – sendo 38 na torcida do Noia – que testemunharam, desde as arquibancadas, a jogo que começou depois das 11h da matina.

O Noia foi sem seu capitão. Ben Hur não tinha Preto à sua disposição e, por isso, optou por Mateus Santana, ao invés de Tiago Ott, como vinha sendo o habitual. Na parte ofensiva, o negócio era jogar com o que se tinha de melhor – ou não: Júlio Abu e Diego Viana.

O gramado ruim que, sem dúvida alguma, prejudicou o espetáculo, não foi o principal fato lamentável da manhã no Cristo Rei. Outras coisas que serão relatadas ao fim da matéria, ultrapassaram o limite do desnecessário e, quem sabe, da falta de valor moral de alguns. Bom, falando de bola rolando, gols só no segundo tempo.

Na primeira etapa, um jogo bem disputado tendo o ECNH com maior predominância ofensiva. Mas o intervalo deu mais gás à equipe mandante, comandada por Claiton. O Aimoré voltou pressionando o Noia e obrigando Guilherme Schelski a fazer defesas difíceis. As investidas aniladas passavam, essencialmente, pelos pés de Jardel, mas na hora da conclusão o Novo Hamburgo, para variar, pecava.

Criar, criar e criar. Desperdiçar, desperdiçar e desperdiçar. Este é o lema do Novo Hamburgo no ano de 2016. O problema com a parte ofensiva se estende desde o Estadual.

No ataque a solução era Mauro. Esta é a peça de reposição do treinador anilado. Desguarnecido na sua meia-cancha, Ben Hur retirou Mateus Santana e colocou o menino Tiago Ott, aos 22 minutos do segundo tempo. Mal sabia ele que estava dando a maior ‘dentro’ de sua vida.

Mas falando das pelotas alçadas na área, às vezes elas causam calafrios. E foi assim, infelizmente, que o Aimoré abriu o marcador com Elton aos 25 minutos do segundo tempo. A nuvem negra parecia estar alocada sobre o terreno de jogo. O comandante anilado promovia mudanças, enquanto Schelski defendia lá atrás.

Depois de 1300 faltas acerca da área aimoresista, com desperdício de aproximadamente 100%, uma delas originou um escanteio pró-anilado, aos 45 do segundo tempo. Após a cobrança do tiro de canto, depois de um bate e rebate, no peito, na raça E NA CABEÇA, estava lá o menino anilado, Tiago Ott, que enfiou a cabeça na bola e empatou a partida, levando-nos à loucura! GOL DO NOIA!!!! ÊXTASE!!!!! 1 a 1!

Com gol final da partida, Ott garantiu um pontinho importante para o Noia. Por mais que tenha sido o segundo clássico sem vitória do nosso “Floriano”, fica um legado positivo dessa ERA BEN HUR: chances aos jovens. Ora com Kerstner, ora com Ott. Sem contar os demais jovens, como Ramon Netto, por exemplo, que aos poucos vem conquistando espaço entre os 20 selecionáveis.

A palavra está com eles

Raça e comprometimento. Sempre quando entrou, Ott se mostrou regular e ter a confiança do treinador. O 87º Clássico ficará marcado para sempre na memória do atleta, pois foi na raça que ele marcou seu primeiro gol como profissional. “Estou feliz demais. No lance do gol, confesso que demorei a entender o que estava acontecendo, pois tomei uma pancada forte na cabeça, quando me atirei para cabecear a bola. Felizmente deu certo e marquei meu primeiro gol como profissional e, ainda, com camisa do Novo Hamburgo. Estou há oito anos aqui, ou seja, tenho uma vida ligada ao clube desde as categorias base. Nunca perdi para o Aimoré e novamente marquei jogando no Cristo Rei. Isso tem um gosto especial. Quero dedicar esse gol ao meu pai, José Juchem, que é o cara que sempre me incentivou a entrar no mundo do futebol, a jogar futebol e a torcer pelo ECNH, clube pelo qual ele sempre se dedicou. Então, minha dedicatória vai a ele”, afirmou o atleta de 22 anos.

Em sua segunda partida como titular pelo Novo Hamburgo, Guilherme Schelski novamente atuou bem. Seguro debaixo das traves, o hamburguense se mostrou confiante e feliz com as oportunidades que vem recebendo. “Seguimos trabalhando para seguir evoluindo e honrando a camisa do Novo Hamburgo. Estou muito feliz com as chances que venho ganhando. O clássico foi disputado e sabíamos que seria decidido no detalhe. Nosso objetivo era a vitória, mas nosso adversário tinha qualidade e o gramado não ajudou também, isso foi determinante para o resultado final”, afirmou Schelski.

Como fica o anilado

Com o empate, o ECNH chegou aos 14 pontos, ficando na segunda colocação. No sábado, 24 de setembro, às 17h, no Estádio do Vale, o Noia enfrentará o São José, líder da Copa Metropolitana. Se vencer assume a ponta do torneio.

Destaque negativo

Não é de hoje que a violência se faz presente nos estádios de futebol. Infelizmente, por mais que sejam poucos os torcedores que seguem Aimoré e ECNH o clássico não foge à regra. Parece que a tragédia ocorrida na noite de 1º de fevereiro, não serviu como lição. Parece que não ficou claro o quão ignorante é o não respeito ao direito do outro. O simples direito de torcer.

Ontem, com meia dúzia de gatos pingados no Estádio Cristo Rei, alguns vândalos conseguiram protagonizar tal façanha: brigar ao final do jogo. A briga, que começou nas arquibancadas, persistiu no estacionamento do estádio. Segundo testemunhas do fato lastimável, os protagonistas da peleia eram integrantes das torcidas “organizadas”.

Por Jaurí Belmonte – @belmonte_

Foto: Giovani Junior/ECNH

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