A Cancha: Estádio Monumental do Cristo Rei – C.E. Aimoré

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Muitas e muitas estações depois da última vez em que uma cancha foi apresentada, é chegada a hora de saber un poco, pero no mucho sobre minha segunda casa (rá!): O Estádio Monumental do Cristo Rei.

Como o estimado leitor já deve saber, realizar qualquer tipo de pesquisa que abranja a temática do futebol interiorano é um desafio e tanto, pois os registros são imprecisos ou mesmo difíceis de conseguir. Todavia graças ao livro: “Aimoré: Um Clube Guerreiro” de Abel Silveira e Ribeiro Pires é possível delinear a história do estádio aimoresista. Na pesquisa para realização destas linhas, também foi FULCRAL o apoio do fraterno Eduardo Ostermayer e de seu acervo de revistas, jornais e recortes antigos sobre o Aimoré.

 Fase pré-Cristo Rei

É bom lembrar sempre que os alviazuis colocaram a ingrata para rolar em outros solos antes de aportar definitivamente entre a Rua Concórdia/Rua Santo Inácio/Avenida Cristo Rei.

O primeiro campo de jogo da equipe era conhecido como Chácara dos Eucaliptos e o mesmo se localizava no que é hoje conhecido como Bairro Campina, o local era de propriedade de Henrique Bier (que dá nome a maior avenida do bairro já mencionado). Por quatro anos, de 1936 – data de fundação do clube – até 1940, o endereço do escrete indígena foi este.

A partir de 1941, a morada do Índio foi o lendário estádio da TABA ÍNDIA (maior nome), onde os dirigentes – literalmente – puseram a mão na massa para erguer o lendário e VERTICAL pavilhão de madeira. PS: CHUPA BOMBONEIRA.

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A Taba Índia merece um texto só dela, muitas peculiaridades envolveram este estádio, segue aqui uma pequena lista:

– Casa alviazul entre 1941 até 1961;

– O fato de torcedores e dirigentes terem carregado argila e sacos de cimento no lombo para deixar, aos poucos, o local em condições adequadas, municiados pela ajuda NECESSÁRIA da antiga empresa BORBONITE que, em 1945, fez a doação que faltava para total estabelecimento do pavilhão que pode ser visto no recorte acima;

– Ter sido o COVIL do maior time da história do Aimoré: O NINHO DE COBRAS. Outro tópico que merece mais do que um texto, um livro próprio. Mas o que importa para esta narrativa é que, em 1959, tendo como base a velha Taba, esse escrete foi vice-campeão metropolitano, perdendo somente três jogos na temporada inteira, o título escapou num jogo contra o Grêmio, no Estádio Olímpico, repleto de pequenos equívocos, evidentemente a favor do time da capital….Enfim, é assunto para outro momento.

Por mais que fosse temida por todos os adversários, a Taba Índia se tornou pequena para os jogos cada vez mais dotados de CLAMOR público, logo necessário era o crescimento e uma nova morada.

O Estádio João Corrêa da Silveira – O Monumental do Cristo Rei

Uma comissão de estudos foi formada em 1955 para definir o local do novo estádio, alguns encargos deveriam ser respeitados como possibilidade facilitada de acesso e abranger área PRÓSPERA do município. A compra do terreno que pertencia à Fundação Padre Antônio Vieira, mesmo conjunto ECLESIÁSTICO que é dono da Unisinos, ocorreu em 1958, mesmo ano do lançamento da pedra fundamental da nova PRAÇA DE ESPORTES.

A TOPOGRAFIA do terreno escolhido, conforme ressalta o Livro de Pires e Silveira, era tão suigêneris que o formato natural era de um ANFITEATRO natural (Barranco é vida). Houve, também cumpre recordar, a ideia de se fazer uma cancha no endereço antigo (no terreno onde ficava a Taba Índia), mas devido aos predicados do novo espaço, esse pensar foi logo deixado ao lado.

Canteiro de Obras do Cristo Rei

Canteiro de Obras do Cristo Rei

É injusto citar o nome dos vários dirigentes que auxiliaram na construção do estádio, mas João Corrêa da Silveira foi O CARA. Além de ser um dos maiores colaboradores da história do clube, o mesmo comprou e recomprou terrenos, foi em busca de recursos com o EMPRESARIADO do Vale do Sinos, colocou sua empresa como patrocinadora, o fato dele dar nome à cancha, fato somente ratificado em 1989, é mais do que justificado.

Havia o temor de não conseguir inaugurar o estádio na data do aniversário de 25 anos do Aimoré, então Abel Ignácio da Silveira se bandeou ao Rio de Janeiro, capital federal na ocasião, para obter um empréstimo de dez milhões de cruzeiros junto à Caixa Econômica Federal. O vice-presidente da República João Goulart deferiu o pedido, mas a CÚPULA indígena constatou que as parcelas que teriam de ser pagas durante dez anos aufeririam aos cofres da agremiação leopoldense um custo altíssimo. Assim, na base do “VAMO, VAMO ÍNDIO”, a obra foi tocada.

Vista da arquibancada geral à esquerda, já na direita temos a visão do que é hoje o pórtico de entrada com o barrando LADEADO.

Vista da arquibancada geral à esquerda, já na direita temos a visão do que é hoje o pórtico de entrada com o barrando LADEADO.

Da metade em diante do ano de 1960, com um total mutirão de esforço, as etapas foram sendo vencidas e no JUBILEU DE PRATA aimoresista, dia 26 de Março de 1961, foi inaugurado o Monumental do Cristo Rei.

Pavilhão Social sendo erguido.

Pavilhão Social sendo erguido.

O jornalista Ribeiro Pires definiu da seguinte maneira a festividade histórica que marcou o primeiro dia daquele que seria local de muitas emoções, vitórias, alegrias e tristezas:

“Com muita garra e persistência a grande construção fica pronta no domingo de 26 de março, data do Jubileu de Prata do clube. O clima era festivo na cidade, quase um carnaval! A transmissão da rádio começava as 6 da manhã com toque de alvorada e foguetório no 19º BIMtz. Logo mais uma corrida automobilística interditava ruas do centro de São Léo. Uma romaria ia a visita de túmulos de personalidades e ex dirigentes aimoresistas. E a manhã se encerrava com uma missa campal direto do gramado do novíssimo Cristo Rei. Um churrasco foi realizado com o auxílio de um toldo ao lado do pavilhão social e teve presença de autoridades como o prefeito leopoldense. A tarde, uma chama simbólica saiu do bairro Rio dos Sinos, antiga Taba Índia, em direção ao Cristo Rei levando esperança a nova sede. Antes do início da partida diretores, conselheiros, funcionários e apoiadores deram a primeira volta olímpica da cancha. Após execução do hino do Aimoré, campo foi esvaziado e as arquibancadas lotadas de adeptos apreensivos viram um avião TECO-TECO voar na altitude mais baixa possível e largar a bola da peleja numa espécie de paraquedas! Um espetáculo! Dentro de campo o Índio fez bonito e venceu o time do Inter por 1 a 0 com gol de Uga no final da primeira etapa. Um tento lindo! De calcanhar! Digno de inaugurar uma cancha! Não se falou em número exato de público, mas os registros fotográficos atestam que a cancha lotou e a crônica esportiva na época relatou que a renda girou em torno de 800 mil cruzeiros.”

A foto abaixo diz bem o que foi aquele momento, cerca de VINTE MIL pessoas acompanharam aquela DOIDEIRA:

Foto aérea da inauguração do Monumental do Cristo Rei.

Foto aérea da inauguração do Monumental do Cristo Rei.

É bem verdade que a construção civil persistiu imperando no Bairro Cristo Rei, faltavam detalhes, ajustes a serem feitos. O início da década de 70 marcou o ELIDIR da cobertura do Pavilhão Social. Temos IBAGEM (ns):

Obra do Pavilhão Capilé - 1975

Obra do Pavilhão Capilé – 1975

A cobertura foi inaugurada em 1976, quando a cancha ganhava seu BAILE DE DEBUTANTES e o clube alviazul virou um quarentão. A capacidade do estádio, em tempos de fiscalização bem diferente da que é feita no século XXI, era de cerca de dez mil almas. Em 2017, com tudo CERTINHO, o Cristo Rei será liberado para comportar, NO MÁXIMO, seis mil torcedores.

Em 1980, sob livre e espontânea pressão da Federação Gaúcha de Futebol, o Índio Capilé se viu obrigado a prover iluminação para sua cancha. Depois de algumas CHURRASCADAS, recursos foram juntados DAQUI E DALI, fazendo com que na sugestiva data de 25 de Dezembro daquele ano, a luz fosse acesa para a torcida leopoldense. As quatro torres existentes possuem 38 metros de altura, cada uma com 12 lâmpadas refletoras, as lâmpadas somadas geram cerca de 100 mil Watts de potência .

Caminhão transportando uma das novíssimas torres de iluminação.

1980 – Caminhão transportando uma das novíssimas torres de iluminação.

A parte social sempre foi um objeto de ANSEIOS de grande parte da comunidade aimoresista. Em dezembro de 1988, foram inauguradas duas piscinas, dotadas de quiosque, bar e vestiários próprios. Esta estrutura está parcialmente destruída, somente onde ficavam os antigos vestiários ainda há uso por parte do clube. Bom frisar que além de seres humanos, CARPAS chegaram a ser criadas nas piscinas no transcorrer dos anos.

Durante o transcurso do tempo, o Estádio Monumental do Cristo Rei serviu como palco para campeonatos de MOTOCROSS, rodeios, cultos religiosos, jogos de futebol americano, dentre outras coisas. O gramado da cancha é formado pela mistura de vários tipos de relva, não possui aquele BOROGODÓ todo de outros QUADRADOS VERDES por aí, mas permite que a moranga role numa NICE.

Novamente muito se fala de revitalização, reformas e melhor uso da enorme área que é de propriedade do Clube Esportivo Aimoré. Terrenos outrora pertencentes à agremiação foram vendidos, sendo difícil mensurar exatamente o que ainda é do Índio. Os atuais dirigentes somente mencionam a ideia de ajustarem a geral, fechada em 2016, às exigências das autoridades e, posteriormente, liberá-la para a torcida.

Pouco provável é que o Aimoré se mude tal qual fizeram em 1961, já foram ventilados locais aleatórios aonde uma nova arena seria erguida e tudo mais, mas o fato é que não há bairro mais valorizado do que o próprio bairro Cristo Rei e por mais que hajam dificuldades logísticas naquela região da cidade, o sentimento é de que se já está ruim ali, longe estará pior.

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As “costas” do Pavilhão Social

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Torcida EM CHAMAS na conquista da Terceirona 2012.

Nessa última PELÍCULA, podemos observar como está a atual arquibancada geral do Cristo Rei:

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Desde já, peço desculpas pela falta de maior profundidade nos detalhes, mas esse trabalho totalmente amador só quis contar e levantar alguns detalhes sobre nossa cancha, espero, de coração, que quem tem AS CANETAS na mão lembre sempre que esse local é sagrado para muitos e que cuidem dele. Esse senhor de 55 anos precisa ser modernizado, talvez até refeito e que haja seriedade nesse processo.

Fontes usadas na pesquisa: Revista Rua Grande, Livro Aimoré: Um Clube Guerreiro, acervo pessoal de Eduardo Ostermayer.

Fotos: Digue Cardoso, Alexandre Lozetti, Pablo Sant’ana, Site Jogos Perdidos e também extraídas das fontes já citadas.

De São Leopoldo,

Natan Dalprá Rodrigues

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