A Cancha: Estádio da Montanha – C. Esportivo B.G.

03_01Diante das montanhas “bordadas de parreirais”, em terra FECUNDA que a mão DIVINA criou, onde o imigrante a desbravou com trabalho e fé bem profunda, surge, muito próximo do céu, a casa do glorioso ALVIAZUL, repleto de histórias E conquistas que, por sua VASTA memória, são difíceis de ser redescobertas. Hoje, palco de outros desportos, nas arquibancas permanecem as lembranças deste que foi o TEMPLO dos anos de Glória do Clube Esportivo Bento Gonçalves. Nostalgicamente, apresento-lhes o Estádio Getúlio Vargas Dornelles, mais conhecido como o Estádio da Montanha.

Pelo DESCOMUNAL oceano de informações que, na sua grande maioria, estão perdidas entre as “BRUMAS da memória” ou são inacessíveis ao meu conhecimento, estarei pelas beiradas, contando sobre nossa VELHA casa, por meio da tradicional história e por relatos de jornais e dos que tiveram a REGALIA de pisar no palco mais importante do Esportivo em sua QUASE centenária sobrevivência no futebol gaúcho.

Nos seus PRIMÓRDIOS:

Após sua fundação, os JOVENS pioneiros se reuniram com o Coronel Joaquim Marques de Carvalho Júnior, com o objetivo que cedesse uma área para a construção de sua CANCHA. O Coronel doou um terreno, onde os PRÓPRIOS jogadores e amigos deram início à construção do campo, denominado Eucaliptos, que, com o tempo, foi recebendo investimentos. Na época, o Esportivo realizava muitas excursões para cidades vizinhas como Garibaldi e Carlos Barbosa, por meio de ACONCHEGADAS carroças, cavalos ou até mesmo de trem.

O presidente Erny Hugo Dreher solicitou ao prefeito de Bento, João Dentice, a doação de um novo terreno, já que o seu atual campo já não se encontrava em boas condições para a prática do CALCIO. Em resposta, o prefeito cederia uma área com condições, na qual seria construído o estádio municipal, porém com uma série de restrições! Com aquela MORDIDINHA básica nos cruzeiros (JUSTO), 3% da renda das partidas seria destinado à prefeitura.
macheteNono e último ato da REBUSCADA Correspondência de V.S. João Dentice: “Para atender as exigências da Federação de Foot-Ball, no que se refere a campo próprio, a Prefeitura forneceria ao Esportivo uma declaração na qual estivesse expresso o direito do Esportivo usar do campo de foot-ball como se fora seu. Pensando ter assim, Sr. Presidente, conciliando os interesses da prefeitura e os do Esportivo e contribuição para destarte para o incentivo à educação física da mocidade, atendendo, dessa forma, a sábia orientação do Presidente Vargas, fico aguardando o seu pronunciamento o seu pronunciamento, a fim de encaminhar o assunto ao exame e à aprovação da Diretoria de Prefeituras Municipais. Valho-me da oportunidade para apresentar votos de Saúde e Fraternidade.”

Entre a CORDILHEIRA serrana, no alto, no VAZIO, isolado e no PICO da cidade (hoje, principal rota de entrada e FUGA na GRINGO CITY), surgiam, em 24 de setembro de 1941, os primeiros VESTÍGIOS do que se tornaria a gloriosa casa do Clube Esportivo. Depois de DEMORADOS 22 anos após sua fundação, o clube GRINGO-gonçalvense começava a construir o seu próprio “STADIUM”. O presidente Erny Hugo Dreher deu o PONTAPÉ inicial para a construção. No dia 19 de abril de 1942, quando Getúlio Vargas, presidente da República na época, completava exatos 60 anos de idade, o Esportivo lançava a pedra fundamental para a construção de sua casa. Na época, o clube seguia EXCURSÃO as mais diversas cidades para disputadas de peleias interior afora.

Década de 1940 - Estádio da Montanha (vista do antigo pavilhão)

Década de 1940 – Estádio da Montanha (vista do antigo pavilhão)

Uma semana antes de sua inauguração, o Jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre, edição 20 de agosto de 1945, descreveu o FUTURO: “Domingo próximo a cidade de Bento Gonçalves estará em festas com a inauguração do novo estádio do Esportivo, tradicional agremiação que vem honrando o esporte estadual através de 26 anos de trabalho ininterrupto em prol da mocidade gaúcha.”

INAUGURAÇÃO:

Era data festiva na CITTÀ. Grande parte da população percorreu o PENOSO percurso até o estádio para a partida inaugural. No dia 26 de agosto de 1945, restando apenas dois dias para a comemoração de 26 anos do Clube Esportivo, era realizada a partida comemorativa contra o Atlântico de Erechim. Aproximadamente 4 mil expectadores presentearam o primeiro jogo do Alviazul no seu novo estádio, gerando uma renda de 900 mil CRUZEIROS, rendimento recorde naquele período, SOLDI que foi destinado para o término da construção.

Torcedores presentes na inauguração

Torcedores presentes na inauguração

Senhoras e senhores, de chapéus, gravatas e ternos; vestidos, que tornavam o local um verdadeiro TEMPLO. A festa, com direito a benção do vigário paroquial Luiz Mascarelo, contou com representantes de diversos clubes e cidades do estado, a exemplo de Dante Marcucci, um dos fundadores do Juventude, na época, prefeito da cidade de Caxias do Sul. Os jogadores, entusiasmados em seu novo estádio, foram recebidos com fogos, CONFETES E SERPENTINAS, com a presença da esquadrilha de aviões de CASSIAS sobrevoando as imediações. O prefeito João Dentice cortou a fita simbólica do estádio e Leonardo Carlucci, PRIMEIRO comandante do Esportivo na época de sua fundação, em 1919, cortou a fita simbólica do pavilhão social.

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Com o pontapé dado pela madrinha do Esportivo, Senhora Alinda Busnello, e com ASSOVIO do apito do Senhor Antônio Reginatto, começava a primeira partida no Estádio da Montanha, IRRADIADA pela PRF-9 Rádio Difusora de Porto Alegre (Bandeirantes). Os donos da SUA nova casa vinham para campo com: Hary, Cachoeirinha, Presetti, Pedrola e Guedes; Tomedi, Heitor, Ary e Zéca; GARGANTA (Rony) e Domingos. O jogo estava mais para FESTIM e FUZARCA do que para bola em campo, terminando o confronto com placar zerado. A FESTANÇA só terminou, obviamente, nos salões do famoso Clube Aliança.

Flagra da partida de inauguração entre Esportivo x Atlântico de Erechim

Flagra da partida de inauguração entre Esportivo x Atlântico de Erechim

A “Folha da Tarde”, edição de 30 de agosto, descreveu da seguinte forma a inauguração do Estádio em Bento Gonçalves: “O foot-ball colonial – porque não dizer riograndense? – teve no domingo último um dia de GALA com a inauguração de um novo e ótimo local de prática – o estádio do Grêmio Esportivo Bento Gonçalves.

ANOS DIFÍCEIS (primórdios da década de 60):

O Esportivo enfrentava uma crise DANADA, tanto no futebol, por conta da (TARJA PRETA) Grenalização, como em sua parte financeira. “Quando a fase é ruim…” dizia o ditado desde sempre. E foi exatamente assim que seguiu os anos de DISCÓRDIA no Esportivo. Depois de quatro anos fechado, Walter Tesser assumiu a presidência do clube em 1961 com o objetivo de retomar o futebol do Esportivo. As dívidas persistiam, mesmo com a ajuda INCESSANTE de seus sócios. Para piorar a situação, em dezembro deste mesmo ano, um forte VENDAVAL provocou uma destruição parcial do estádio, com um prejuízo de três milhões de cruzeiros. Mas os ventos desse Rio grande não foram intensos o bastante para DESMOTIVAR os dirigentes do Esportivo. Com TRONCOS de árvores, foram erguidas arquibancadas provisórias, mantendo VIVO, mesmo com aparelhos, o Estádio da Montanha.

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Um ano depois, o clube voltava aos poucos, com reformas e melhoramentos na estrutura do estádio, começando a se reestruturar, visando deixar o AMADORISMO para fazer parte ao SELETO grupo da Divisão de profissionais. Durante a década de 60, o Estádio começava a se ESPICHAR.

ILUMINAÇÃO:

Lá ADIANTE de sua história, em 1977, o Estádio do Esportivo recebeu, finalmente, uma iluminação, na época, obrigação imposta pela Federação Gaúcha de Futebol. Com um BAITA público (3.770 aficionados) e, como de costume, mergulhado em uma grande festa com muita música e descontração, o Esportivo começava sua jornada na luz da escuridão. No jogo festivo, o primeiro gol “NOTURNO” na Montanha foi anotado pelo Esportivo, com gol CONTRA do Estrela, perfeito!

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Em 1979, iniciava-se a ideia do FIM do Estádio da Montanha. Isso porque, nas imediações da RST-470, surgia uma NOVA montanha para o Clube Esportivo, se mantendo próximo do céu, na altitude das cordilheiras do Vale dos Vinhedos. Começava a construção do… Bem, esse aí, fica para outra hora, chega de história por hoje!

NUMEROLÂNDIA:

No Estádio da Montanha, o Esportivo conquistou 27 títulos, se tornando Bi-campeão da segunda divisão estadual; Penta-campeão do interior e tetra-campeão das Copas do segundo semestre. Em 1969, o clube obteve a sua melhor campanha atuando na VECCHIA Montanha. Ao todo, em 43 jogos, o Alviazul só perdeu 3 partidas, conquistando um aproveitamento de 81,39% e com 126 gols marcados, se tornando naquele ano, campeão da Segunda Divisão Gaúcha de forma esplendidamente GLORIOSA. Seus maiores artilheiros? IMPIEDOSO Neca com VENTOTTO gols, Marino com VENTISEI golos e Décio (TERROR da duplinha) com de DECIOTTO tentos.

Lendário Estádio da Montanha foi decisivo nos acessos do alviazul à primeira divisão ao longo da sua história

Atualmente…

O Estádio do Esportivo se tornou propriedade do município, abrigando atualmente a PIAZADA do TIVO, os lagartos e seus filhotes, os MAMUTES do Rugby, os Quero-queros e os MODERNOS do Futebol Americano, os quais ainda deixam a antiga CASA do Alviazul vivaz e habitável. Hoje, não mais Alviazul, e sem nenhum traço das glórias do Clube em suas regiões, ficou apenas a sua FORMA, em meio as arquibancadas antigas, as rebaixadas CASAMATAS no padrão ARCAICO e seu gramado que recorda os inúmeros gols, histórias, festas e a nostalgia do amado, GLORIOSO e quase centenário Clube Esportivo de nossa terra DIVINA!

Estádio da Montanha em 2016 - Campeonato Gaúcho de Futebol Americano

Estádio da Montanha em 2016 – Campeonato Gaúcho de Futebol Americano

Com o apoio e a ajuda:

Estudos de Guilherme Sassi sobre a fundação do clube até a inauguração do Estádio da Montanha para sua licenciatura em Educação Física

ARQUIVO ALVIAZUL do grande e fiel torcedor Antônio Paulo FIVE

Livro de Alceu Salvi Souto: O ALVI-AZUL DA CAPITAL BRASILEIRA DO VINHO

*Fotos retiradas de arquivo do Clube Esportivo e do livro acima!

Kévin Sganzerla

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