Até um dia, Jaconi

jaconi despedidaA noite da última sexta-feira (12/5) teve ao menos dois significados: representou um marco histórico, o retorno do Juventude à disputa da série B nacional, o que não acontecia desde 2009. Foi, também, minha despedida do Alfredo Jaconi, estádio que me acolheu – uns anos mais, outros menos – na última década, fechando um ciclo no qual testemunhei o ocaso e o renascimento deste clube que, como dizia um antigo slogan, foi feito para amar.

Tendo saído cedo de Caxias para a capital, acompanhando a família, a ligação com o Juventude, que antes era muito mais platônica, intercalada com um jogo que outro na cancha, passou a ser muito mais efetiva, apesar de coincidir justamente com o declínio do clube, que amargava seu primeiro rebaixamento justo naquele 2007. Infelizmente, fui testemunha de outros descensos durante esse tempo, até que se chegou ao fundo do poço, em 2010.

E quando se chega neste ponto, ou nos entregamos ou escolhemos o único caminho possível: retornar de onde viemos. E foi o que aconteceu, não sem muito sofrimento e angústia. De conquistas de copinhas para garantir vaga na série D, passando por gols do Zulu a bolas tiradas sobre a linha por Diogo (o “Zina jaconero”), até chegarmos naquela noite em Fortaleza, onde Hugo deu seu chute de cabeça para as redes do time local, enquanto Elias pegava tudo atrás, muita coisa aconteceu. Muita coisa se viveu. E, ao menos no meu caso, dentro do Jaconi.

pdc despedida jaconi

Na sexta que passou, vivi um provável último capítulo dessa história presencial. Pude chegar ao estádio, já atrasado, e ouvir de fora o barulho da torcida, aquele grupo que está sempre lá, nas boas ou nas ruins (e que deveria ser bem maior). Senti o cheiro da fumaça dos churrasquinhos, que se mistura à cerração quase obrigatória que se instala sobre o Jaconi a partir do outono. Fui na lojinha, garantir a camisa que é uma justa homenagem ao time de 94. E uma nova bandeira, que levarei junto comigo e com tudo mais que coube nas malas da família rumo à ilha esmeralda no final deste maio.

Fica a saudade da cerveja e do quentão que já não são mais vendidos dentro do estádio, de levar meus filhos, da romaria de uma goleira à outra no intervalo, da cara de faceiro de meu falecido sogro me acompanhando uniformizado nos jogos, da turma do amendoim atrás das casamatas, das indiadas de Kombi desde Porto Alegre até o Jaconi, Pelotas e onde mais desse na telha ir… enfim, são coisas que ficarão na memória para sempre.

E, no momento em que tudo passa a ser mais platônico novamente, fica o agradecimento pra sempre: obrigado, Jaconi, por me fazer sentir em casa todo esse tempo. E, quem sabe, até um dia.

P.S. 1: Sim, já ia esquecendo, teve jogo também. E até nisso a despedida foi boa. Além da vitória por 2 a 1 sobre o Luverdense, teve a confirmação de que temos centroavante novamente, com Tiago Marques recordando Márcio Mixirica, goleiro (Matheus treinou duas vezes se tanto e, mesmo ainda sem todo entrosamento, mostrou muita segurança) e um time com cara de time. Mesmo ainda longe do ideal, uma vez que dos onze iniciais, sete faziam sua estreia (e muitos ainda nem isso fizeram), ao menos já dá para se ver em campo algo estruturado. A vitória dá a tranquilidade necessária para o time seguir se ajustando em meio à competição e passa ao torcedor a confiança inicial de que ao menos a manutenção na B nacional nesse primeiro ano de retorno é possível, de preferência sem muito sofrimento. Para quem sofreu tanto nos últimos anos, estaria de muito bom tamanho.

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P.S. 2: Mantenham o uniforme nessa combinação clássica de camisa listrada, calção e meias brancas, por favor!

Já quase de longe, mas sempre por perto,

Franco Garibaldi

(com fotos de arquivo pessoal e de Arthur Dallegrave/E.C.Juventude)

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Um comentário em Até um dia, Jaconi

  1. Francisco diz:

    Uniforme clássico!
    Nada de invenção!
    Esse uniforme é tradição e respeito!
    Os adversários vão tremer com o peso dessa camisa histórica!

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