Jamais, eu disse jamais, nos subestimem

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“- O Esportivo tem o Luiz Muller no gol, fecha todas.
– Hm, eu lembro bem daquela final em 2011, que ele tomou três gols do meio da rua nas Castanheiras e aquele Lajeadense 0 x 1 Avenida em 2015, que também levou um gol do meio da rua, mas ok, vamos ver né.
– Mas o Esportivo tem o Nunes no time.
– Hm, aquele mesmo que veio pro Avenida e 2013, e era banco? Ah tá.
– Tá, mas eles tem o Márcio Hann.
– Hm, e tá no banco por que?
– E o Zulu matador? Zulu é rei.
– Hm, é sim. Como frequentadora do Jaconi, eu sei bem o quão matador ele é, em especial de torcedor do time que ele tá, por mini ataques cardíacos quando tenta jogar com a bola rolando, não dependo só da bola parada.
– Ok, mas o Esportivo tem mais camisa que o Avenida!
– Ok, temos então um jogo de 180 minutos para definir isso. Abraço!”


E assim foi o primeiro diálogo que eu tive quando soubemos os confrontos da semifinal do Acesso. Em nenhum momento passou pela cabeça de qualquer torcedor Avenidense que seria um confronto fácil, mas em nenhum momento deixamos ser subestimados como equipe, em nenhum momento uma equipe por “ter nomes mais conhecidos” fez com que deixássemos de acreditar que nosso time teria sim potencial para estar entre os quatro melhores da competição. E foi essa crença que nos levou até a serra no primeiro confronto, e lá não vimos nada do que queríamos. Foram duas penalidades para o Esportivo, uma que não existiu e a esperança nos foi devolvida, com o gol de Márcio Reis. É, a decisão seria em casa. No ninho do Periquito.
O jogo de volta que foi antecipado para o sábado, não teve sol. Dia cinza e a chuva logo chegaria para premiar aqueles que foram aos Eucaliptos. Quem foi chegando ao estádio, foi percebendo que aos poucos a arquibancada foi sendo tomada não só de pessoas em sua forma física, mas de uma energia positiva, uma leva de esperança que contagiava até o menos otimista. Dentro de campo, o Avenida precisava apenas de um gol para chegar na próxima fase e contava com o retorno do capitão Itaqui, e o retorno do velho conhecido, canhoto mágico Alexandre, que ocupou a vaga de Reinaldo. Com as mudanças na escalação, o time se desenhou de maneira diferente no gramado, com algumas alterações de posição, mas nada que fosse muita novidade ao torcedor, já que Fabiano Daitx promoveu várias mudanças na equipe, ao longo da competição.

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O JOGO
Com a bola rolando, foram os visitantes que tentaram assustar o Periquito, que já no primeiro minuto de jogo, fez com que o arqueiro Rodrigo trabalhasse em uma boa defesa. Como todo bom clima de decisão, e ainda mais quando se trata do maior campeonato do mundo, a Divisão de Acesso, não foi preciso nem dez minutos jogados para que a primeira entrada violenta acontecesse, e quem abriu as porteiras da ignorância (gostamos), foi Moisés Baiano com uma entrada violenta no adversário, quando foi amarelado. E de quebra, Nunes, o bom velhinho, teve a vida amarelada também, ao reclamar mais do que lhe era permitido.
Como um bom Periquito que alça vôos certeiros, aos 23 minutos Alexandre cobrou fala e ele, o velho conhecido de guerra, Luiz Muller espalmou a bola, e como todo bom matador, Márcio Reis pegou a sobra e balançou o barbante. Ali, uma explosão de sentimentos tomou conta dos Eucaliptos, era o gol da classificação!

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Com o marcador aberto, quem cresceu no jogo e tomou conta da parte ofensiva, foi o Avenida. A última boa chance da primeira etapa foi quando Luís Henrique cabeceou, mas dessa vez Luiz Muller conseguiu segurar ns.
Na segunda etapa, o time serrano veio a campo em busca do empate. Aos 12 minutos, a bola foi alçada na área, mas Zulu provando que se não for na bola parada, ela o morde, errou o cabeceio. A resposta foi logo aos 15 minutos, quando o Avenida avançou com perigo com o matador Hyantony, mas o camisa 9 acabou adiantando demais a peronha, fazendo com que Luiz Muller a segurasse.
A peleia que passava dos 15 minutos, ia deixando o torcedor apreensivo nas geladas e molhadas arquibancadas dos Eucaliptos, e enquanto uns fugiam da chuva que caia e parecia retardar mais o relógio, Wiliam Ribeiro adentrou o gramado no lugar de Alexandre e deu boa movimentação ao jogo, já dando trabalho para Luiz Muller. Quando o relógio finalmente chegou aos 30 da segunda etapa, Sapeka cruzou na área para Zulu e adivinhem? Chegou atrasado outra vez e nada aconteceu.

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Torcedor apreensivo, times nervosos e aos 35 minutos, após trocas de palavras amigáveis e afagos, Jarro (que nome, einhô Batista?)do Esportivo e Luís Henrique do Avenida foram convidados a ir para o banho mais cedo. Com dez em campo e sem um dos zagueiros, Daitx teve que promover mudanças na distribuição da equipe novamente, recuando Reinaldo que havia ocupado a vaga de Moisés Baiano mais cedo, para auxiliar Valença na defesa. Valença que teve uma sequência de três cortes de cabeça na defesa, o maior tio que você respeita. Jogo finalmente chegava aos 40 jogados, Itaqui em campo sentindo dor, mas como três substituições já haviam sido feitas, teria de ser guerreiro e aguentar até o final.
Diego real resolveu dar SEIS de acréscimo, testando ainda mais o coração dos torcedores. E quando os alviverdes reclamavam do tempo assinalado, as coisas melhoraram. Cleiton da equipe visitante também foi expulso e com um a mais, o Avenida dominava o tempo, até que aos 49 minutos, Márcio Reis puxou o contragolpe, alçando a moranga para Wiliam Ribeiro que com velocidade foi ao ataque, se livrou da marcação, ainda driblou o tio Luiz Muller e chutou para o fundo da rede. O ESTÁDIO VEIO ABAIXO, a explosão da torcida alviverde na hora do gol, foi de emocionar qualquer pessoa que estivesse por perto. A VAGA NAS SEMIS ESTAVA GARANTIDA!
Não demorou e acabou o jogo, ao som de “o campeão voltou” que tomava conta das redondezas da São José. Último apito do dia e estávamos classificados! Enquanto nossa equipe comemorava com o torcedor que tomava conta do alambrado, Luiz Muller deixou até a garrafa d’água no gramado. ns
Agora, dois jogos separam o Avenida da série A, e o caminho até lá, depende de um clássico regional, que está longe de ser barbada. O Avenida encara agora o Lajeadense na semifinal, sendo o primeiro jogo no Alviazul, provavelmente no sábado, 27, e o jogo de volta nos Eucaliptos, no outro final de semana.

Fotos: Kevin Sganzerla

Divisão de Acesso – quartas de final/volta
AVENIDA 2 x 0 ESPORTIVO
Data: 20 de maio – sábado
Horário: 16 horas
Local: Estádio dos Eucaliptos – Santa Cruz do Sul
Arbitragem: Diego de Almeida Real
Assistentes: Maurício Silva Pena e Luiza Reis
Cartões amarelos: Nunes (Esportivo), Moisés Baiano (Avenida), Saraçol (Esportivo), Toto (Avenida), Renan (Esportivo), Cleiton (Esportivo), Rodrigo (Avenida)
Cartões vermelhos: Jarro (Esportivo) e Luís Henrique (Avenida), Cleiton (Esportivo)

AVENIDA
Rodrigo; Itaqui, Luís Henrique, Valença e Roger (Paulinho Simionato); Toto, Moisés Baiano (Reinaldo), Alexandre (William Ribeiro), Márcio Reis e Maurício; Hyantony
Técnico: Fabiano Daitx

ESPORTIVO
Luiz Müller; Renan (Gustavo), Fernando Cardozo, Gonçalves e Diego Saraçol; Nunes (Araújo), Cleiton, Natan e Vinicius (Jarro); Gustavo Sapeka e Zulu
Técnico: Alex Xavier

Por tuas cores, até o fim
Sabrina Heming

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