Lição de casa feita com suor e lama

Julio Abu comemora o gol da vitória. (Foto: Marcio Menezes/3D Photo Designer)

Julio Abu comemora o gol da vitória. (Foto: Marcio Menezes/3D Photo Designer)

A única constante nos dois jogos do São Paulo pela Série D do campeonato brasileiro foi a chuva. Com ela, os jogos pegados, os campos duros e os bicões naturais. Se em Piracicaba a derrota veio por detalhe, no jogo deste domingo (28) a vitória sobre o Operário chegou na base de muita luta e transpiração. 

O Leão do Parque entrou em campo pressionado pelos outros resultados do grupo: XV, Brusque e Operário já tinham vencido o primeiro jogo feito em casa. Só faltava o São Paulo confirmar essa tendência, já que qualquer ponto perdido em casa nesse grupo pode ser fatal. O tempo nublado era constante em Rio Grande de sexta até a hora do jogo, mas a chuva só apareceu faltando 10 minutos para a partida. Seria um sinal para o time da noiva do mar? Se a chuva significar classificação, PODE MANDAR.

Em campo, se destacaram as estreias (ou décima estréia no caso do atacante) de Rafael Pilões e Anderson Feijão, que substituíram Neílson e Ton, ambos com atuações apagadas em Piracicaba. Além disso, Fred Saraiva foi para o banco, já que sua força física tem pesado nos jogos mais pegados. No papel, as mudanças fizeram sentido, mas na formatação da equipe dentro de campo, um problema sério ficou claro.     As linhas de defesa e de ataque ficaram sem transição imediata e equipe dependeu muito do balão. Feijão é muito bom jogador, mas o posicionamento dele foi incorreto. Aberto na ponta direita e invertendo com Júlio Abu pelos lados, ele não conseguiu fazer a ligação. Roberto foi o melhor em campo, principalmente porque foi responsável completo por essa parte.

Quanto a Flávio e Leomir juntos? Não dá. Ambos ocuparam o mesmo espaço e Leomir deve ter tocado na bola três vezes antes de ser substituído no intervalo. Nem foi uma questão técnica, ele simplesmente não tinha espaço. Por todos esses motivos, o primeiro tempo foi uma bagunça completa, somando bicudas, carrinhos e amarelos desnecessários (o São Paulo terminou o jogo com 7 deles). Júlio Abu e Bindé ainda tentaram criar jogadas de ataque, mas pouco saiu. Na parte final da primeira etapa, Flávio foi visto algumas vezes buscando bola na linha de defesa do Leão para tentar criar futebol. Não deu.

Depois da crítica, vem o mérito. Márcio Nunes enxergou o problema que o meio campo imaginado no primeiro tempo apresentou e corrigiu o posicionamento de Feijão tirando Leomir e abrindo Fred Saraiva na direita. Isso significou que Feijão jogou a segunda etapa de frente para o meio campo e logo nos primeiros minutos ele acertou um belo chute obrigando Simão, goleiro do Operário, a fazer uma bela defesa.

Mas a mudança que realmente mudou o jogo foi a entrada de Raphinha no lugar de Flávio. O jovem meia/lateral esquerdo deu uma mobilidade que ninguém tinha dado a partida até aquele momento. Sua aproximação a Julio Abu apresentou uma possibilidade incrível para essa equipe pelo lado esquerdo.

E não demorou muito para compensar. Aos 22 minutos em um escanteio conquistado por Raphinha, Júlio Abu CRESCEU no meio da defesa paranaense e deu um toquinho na bola, suficiente para confundir o arqueiro rival. Primeiro gol do Leão na Série D e explosão no pavilhão social do Aldo Dapuzzo, lotado por causa do CHUVISCO.

No resto da partida, o time do São Paulo mostrou uma maturidade surpreendente. Segurou a bola, controlou a equipe adversária e acalmou a partida até o final. Fred Saraiva ainda teve uma bela chance de aumentar o placar, lindamente defendida por Simão, do Operário.

Agora, todo mundo tem 3 pontos no muito equilibrado grupo A15 da Série D. O Leão do Parque tem condição total de conquistar a classificação pelo que apresentou nos dois jogos, e o grupo de atletas nesse momento tem bastante opções técnicas para modificar partidas. Nosso próximo compromisso é em Santa Catarina, contra o Brusque. Um ponto fora de casa pode fazer toda a diferença do mundo neste grupo.

Na expectativa por um jogo sem chuva,
Gabriel Bresque

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Um comentário em Lição de casa feita com suor e lama

  1. Diego Castellano diz:

    Bah! Coisa buena te ler relatando a vitória do nosso LEÃO num domingo de chuva! E em competição nacional! haha
    Abraço!

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