A garra da tua gente, ela prevaleceu outra vez!

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Hoje eu não vim aqui para falar especificamente sobre uma partida de futebol em si. Eu vim para falar de coisas muito maiores. Eu vim aqui para falar de uma cidade de pouco mais de 100 mil habitantes, onde as pessoas assíduas no estádio sabem exatamente quem vai se sentar ao seu lado na partida seguinte e sabem o mesmo do estádio do rival, onde as famílias são divididas entre o primo alvinegro e a prima alviverde e todos acabam em algum momento se unindo pelo mesmo ideal. Eu vim aqui para falar que há anos tenho acompanhado a situação do futebol nesta cidade, há anos eu vejo dois clubes tentando se manter com poucos recursos e, muitas vezes, com pouquíssimo apoio da comunidade; afinal, são só mais dois times como centenas de outros espalhados por aí. Mas fechar? Ah não, isso não pode. É inadmissível.

No decorrer deste ano e, em especial nas últimas semanas, eu vi o lado verde da cidade renascer. Eu vi crianças chegando ao estádio fardando o verde e branco, eu vi senhores de idade – muitos com mais de 70 anos – tomarem seus espaços nas geladas cadeiras que aos poucos foram sendo tomadas de calor humano e emoção, eu vi o cimento da arquibancada sendo coberto por centenas de pessoas que faziam ali, renascer um clube do interior, um clube que muitos disseram que não iria a lugar nenhum, quando a temporada iniciou.

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Ao chegar no Estádio dos Eucaliptos ontem eu não encontrei apenas uma torcida (ou duas), encontrei alguns amigos de longa data, outros nem de tão longa assim. Alguns rostos carimbados da nossa arquibancada, muitos acompanhados de suas famílias, porque o Avenida nos permite isso. Encontrei no mínimo três gerações de santa-cruzenses unidos por um único sentimento e objetivo: comemorar o retorno do Periquito à elite do futebol gaúcho. Encontrei um misto de expectativa, otimismo e nervosismo; sentimentos que foram aflorando com o passar dos minutos jogados.

Encontrei ali, centenas de rostos pintados de verde e branco, corpos envoltos no alviverde, bandeiras que tremulavam enquanto São Pedro não decidia se descia água ou não. As centenas que chegaram aflitas, que ficariam muito mais, mas que no final da tarde seriam coroados com mais um acesso. Com um retorno envolto de muita união, talvez do grupo mais unido e focado que eu tenha visto passar pela cidade nos últimos anos. Um grupo que mostrou que mesmo diante das dificuldades – muitas vezes impostas pela arbitragem, com erros contra – a missão dada seria cumprida com maestria. Um grupo que encheu o peito para comemorar e teve a hombridade de entoar cantos ao Tif, nosso eterno torcedor que nos deixou neste ano. Um time munido de simplicidade e que soube dar um passo de cada vez, ouvindo muitas vezes que “time x tem mais camisa que o Avenida”, mas está lá, na série A 2018.

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O GRANDIOSO DIA

Eram dez da manhã do domingo e o pátio dos Eucaliptos começava a ser tomado pelas cores do Periquito, as músicas começavam a ser entoadas e o clima de decisão aflorava a cada instante. Até que finalmente chegou a hora do jogo e ao som de “ô vamos subir Nida”, Márcio Coruja soava seu apito pela primeira vez.

Com a bola rolando, mais uma vez o gramado pesado seria o protagonista do espetáculo. E assim o jogo foi se desenhando, sem grandiosas emoções e perigos de gol nos primeiros minutos, apenas um jogo truncado, onde o número de faltas era apenas consequência da maneira como o gramado se apresentava. Nas arquibancadas, eu já estava louca para mandar um “acaba, juizão!” (ns). Foi com 40 jogados que o Avenida ofereceu o primeiro grande UUUH (ns) à sua torcida, quando William Ribeiro chutou acima da meta de Vanderlei. Mas o lance foi apenas o presságio de que algo bom estava por vir, e precisou de apenas cinco minutos para que viesse e novamente na bola parada. Itaqui cobrou falta pela esquerda, Flávio Torres desviou contra o patrimônio, Luís Henrique tocou ao encontro dele, o maior goleador que você respeita, o camisa 9 raiz que provoca rival, Hyantony tocasse para o fundo da rede. É gol que felicidade, meu time é a alegria da cidade!

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Na segunda etapa, as primeiras investidas foram do Avenida. Logo de chegada, Vanderlei foi obrigado a fazer grande defesa, em finalização de Maurício. Não demorou para que os técnicos começassem as alterações, no Avenida Reinaldo entrou na vaga de William Ribeiro, enquanto o alviazul teve a presença de Maurinho no lugar de Kaiser (como que o pessoal consegue confiar num jogador com um nome desses?(ns)). E foi com Padú, que havia entrando no lugar que Dudu pouco antes, que o Lajeadense tentou o empate aos 20 minutos, mas Rodrigo impediu. Mas aí, como nada a vida do Avenida nunca foi fácil, aos 31 da segunda etapa, Padú escorou pro fundo do gol e o placar estava igualado.

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Aí começou o momento em que a criança chorava e a mãe não via. Aos 39 minutos, quando o torcedor já procurava meios para adentrar o gramado e segurar o Lajeadense, que passava maior parte do tempo no ataque, Maurício Lançou Felipe Tchelé que havia entrado no lugar de Hyantony, ao que ele finalizou rasteiro, para defesa de Vanderlei e foi aí que todo alviverde lembrou-se das tantas vezes que ele nos salvou em 2014. Não havia mais torcedor com unha nas arquibancadas, quando aos 43 Rodrigo fez outra defesa maestral. Foi então que o bonito do Márcio Coruja resolveu dar CINCO de acréscimo, CINCO. Mas o Avenida, sob comando do xerifão Valença, segurou o empate e liquidado o tempo, a realidade era: ESTAMOS NA SÉRIE A NOVAMENTE!

Divisão de Acesso 2017 – semifinal – volta

AVENIDA 1 x 1 LAJEADENSE

Data e hora: 4 de junho, domingo, 15h30
Local: Estádio dos Eucaliptos, em Santa Cruz do Sul
Árbitro: Márcio Coruja
Cartões amarelos: Roger, Valença, Toto e Rodrigo (Avenida); Danilo Mendes, Mano e Darlan (Lajeadense)
Gols: Avenida – Hyantony (45/1ºT); Lajeadense – Padú (31/2ºT)

AVENIDA
Rodrigo; Itaqui (Thiago Bocão), Luís Henrique, Valença e Roger; Toto,  Márcio Reis, Moisés Baiano, Maurício e William Ribeiro (Reinaldo); Hyantony (Felipe Tchelé)
Técnico: Fabiano Daitx

LAJEADENSE
Vanderlei; Mano, Danilo Mendes, Basso e Kaiser (Maurinho); Índio, Darlan, Germano e Anderson Ijuí; Dudu (Padú) e Flávio Torres (William Saldanha)
Técnico: Rodrigo Bandeira

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Final de jogo e não havia um ser humano que não fosse abraçado nas dependências dos Eucaliptos. Não havia um ser humano que não estava emocionado, envolto de lágrimas ou invadindo o gramado. O Avenida está de volta, e não é de qualquer maneira. O Avenida está de volta após duas vitórias soberanas em clássicos, após aplicar a maior goleada do acesso, após ter dois hat-tricks em sequência. Está de volta com o artilheiro DAS TRÊS DIVISÕES ESTADUAIS. Está de volta, cumprindo a promessa do início do ano de que ganharíamos os clássicos – finalmente – e com gol de Maurício.

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O Avenida está de volta para coroar o sentimento que renasceu na cidade, o sentimento que fez com que desde o sábado as ruas fossem tomadas de verde e branco, alertando que coisa boa viria por ali. O Avenida está de volta para coroar o Tif que nos deixou esse ano, mas que lá de cima tem nos iluminado nessa caminhada. O Avenida está de volta pelos filhos dos jogadores que estiveram com suas camisas nos jogos, dizendo que “o Avenida vai ser campeão do mundo”. O Avenida está de volta pela minha mãe que foi comigo ao estádio, preenchendo o vazio que meu pai deixou. O Avenida está de volta porque a comunidade santa-cruzense merece estar entre as melhores do estado no futebol também. O Avenida está de volta pelas lágrimas do Rodrigo ao final do jogo, que tocaram todos. O Avenida está de volta para provar que “time com mais camisa” tem que ganhar dentro das quatro linhas e não só no discurso ou em rede social. O Avenida está de volta pelo seu Chico Koppe, que com mais de 80 anos vai em todos os jogos em casa e fora, com sua bandeira verde e branca. O Avenida está de volta para mostrar que o lado verde sempre foi o lado forte!

O Avenida está de volta e seguiremos aqui, por tuas cores até o fim!

Fotos: Gazeta do Sul

Eu avisei, não digam que eu não avisei

Sabrina Heming

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