É preciso respeitar a camisa rubro-verde

O adversário, na tarde de domingo, vestia azul. (Foto: Tabaquara Cruz/SCSP)

O adversário, na tarde de domingo, vestia azul. (Foto: Tabaquara Cruz/SCSP)

A tarde de domingo (11) em Rio Grande era perfeita para uma partida de futebol incrível. Um vento gelado e um sol sem nenhuma nuvem no caminho até a cancha. Foi no melhor clima possível que São Paulo e Brusque entraram em campo para jogar futebol. E fizeram isso por 35 minutos. Até que o senhor Johhn Hebert Alves Bispo, árbitro do confronto, transformou a tarde de futebol em um espetáculo tragicômico. 

Tudo começou com o critério usado para dar cartões amarelos. Ele resolveu desde cedo dar cartão para faltas idiotas, claramente tentando controlar o jogo da forma mais fraca possível. Ao invés de demandar respeito dos atletas com a voz, com a inteligência nas decisões, ele se escondeu atrás de cartões amarelos fracos de sentido. E que pareciam tender mais para o São Paulo do que pro Brusque. Mas durante o primeiro tempo, o jogo seguiu bem, apesar do excesso de faltas e cartões.

William Ribeiro entrou aos 30 minutos muito bem, correndo e buscando o jogo ao lado de Júlio Abu. Parecia que tudo se encaminhava para uma vitória do Leão, até com acerto de mudança do Márcio Nunes! Mas aos 35 minutos do segundo tempo, o senho Johhn Hebert Alves Bispo quis a atenção do jogo todo para ele. Imagina só, que ofensa, nós torcedores olhando mais pra bola do que pra ele. Era hora de botar um homem da casa para rua!

Em uma jogada morta na ponta direita da defesa do São Paulo, Feijão deu um carrinho forte demais, digno de cartão amarelo. Mas o jogador do Brusque não caiu, a jogada seguiu e Bindé parou o jogo de forma simples. QUERO acreditar que o árbitro deu o cartão pelo carrinho e se confundiu com o autor. A questão é que Bindé já tinha amarelo e foi pra rua. Em todo o caso, a expulsão é digna de suspensão, de geladeira e da reação que aconteceu no Aldo Dapuzzo.

O senhor Johhn Hebert Alves Bispo, que vem lá do outro lado do Brasil, claramente não conhecia o peso da camisa do São Paulo de Rio Grande. Não entendeu, na hora de expulsar injustamente um dos nossos, o tamanho do amor que o torcedor riograndino tem por esse clube.

É importante deixar claro que não acredito que ele tenha errado com intenção de prejudicar o clube. Faz parte do jogo errar, como todos nós podemos errar, e no calor do jogo tudo é possível. Mas quem erra, precisa admitir o erro e aceitar críticas.

E isso leva a linda tarde de domingo para o segundo tempo. Jogar com um a menos não é a coisa mais fácil do mundo, mas é possível. Os 10 em campo do São Paulo corriam mais que os 11 do Brusque, queriam mais, inflamados por uma torcida que cantou, que gritou e empurrou após a clara injustiça. Foi com essa energia que William Ribeiro, o melhor em campo disparado, marcou um golaço e abriu o placar para o Leão. Foi um dos gols mais comemorados da minha vida. Um tapa na cara da injustiça e uma demonstração de força do Aldo Dapuzzo.

Logo após a abertura do placar, o Brusque empatou o jogo com um gol de Careca. Natural, considerando o ritmo do jogo naquele momento. O jogo seguiu e Carletti, que tinha acabado de entrar, tocou no zagueiro do Brusque em uma possível agressão. Eu, atrás do gol, vi um jogador correndo atrás do outro e o jogador do Brusque VOANDO ao chão. Falta, talvez, amarelo dificilmente e vermelho direto seria impensável.

E então eu volto para questão de admitir o erro. O senhor Johhn Hebert Alves Bispo não só se recusou a engolir as críticas pelo erro no primeiro tempo como aumentou a linha de erros daquela tarde. Expulsou Carletti e deixou o São Paulo com dois homens a menos em campo. Meu instinto corneteiro quer reclamar de Abu por ter sido ostensivo na reclamação, mas quem sou eu para criticar aquela reação? Eu teria tido a mesma naquela situação. O árbitro não só errou duas vezes como foi arrogante enquanto fez isso. Desrespeitou o clube e o esporte como um todo ao expulsar três jogadores de uma equipe em uma reação em cadeia provocada pelos próprios erros dele.

Minha sensação nesse momento foi de impotência, tristeza, raiva, decepção. São mais de 10 anos indo ao Aldo Dapuzzo, e as decisões do árbitro pareceram diminuir tudo isso. Faltou respeito a história do clube e ao esporte. Porque 11 contra 8 não é futebol. Então, senhor Johhn Hebert Alves Bispo: tu pode ser um grande profissional e uma grande pessoa. Mas se eu tenho uma certeza ao escrever esse texto é que tu não ama mais o futebol. Virou trabalho, pragmático, não?

Mas eu ainda amo futebol e amo ser jornalista e tenho respeito por ambas as coisas. Por isso, escrevo esse texto com o cuidado e o carinho que faltaram ao senhor na linda tarde de domingo em Rio Grande. Sobrou, mais uma vez, sangue nesse time do São Paulo. Oito jogadores seguraram um empate que manteve o São Paulo vivo na competição nacional e espero que um projeto para o Gauchão já pense em alguns desses nomes. Não sei o que vai acontecer no resto da D, mas sei que sempre vou lembrar desse jogo como o dia que a camisa do São Paulo pediu respeito e foi buscar em campo, com oito jogadores!

E espero que nunca mais um lindo domingo de sol e futebol seja estragado como esse foi. Os deuses do futebol estão de ressaca.

Gabriel Bresque

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