Hoje (especialmente hoje) e amanhã

Foto: Tales Leal | AI ECP

Foto: Tales Leal | AI ECP

Caímos fora. A Copinha chegou ao fim para o Guarany e com o ponto final apontado em lágrima e sangue, surgem as primeiras ponderações. Em contraponto a um primeiro semestre inesquecível de ruim, a metade final do ano acabou com uma função de DOPAGEM para o torcedor que sempre lá esteve, está e estará.

É necessário compreender o contexto em que o clube se encontra hoje. Deslocado ao ponto mais baixo possível dentro da pirâmide do futebol brasileiro, o que o Índio construiu na Copinha servirá como uma espécie de pedra fundamental para o que está por vir logo a frente. O Guarany voltou a se destacar em um cenário neutro, com equipes de todas as divisões, sem a pressão de matar um leão por dia para não cair, sem passear entre a cruz e a espada.

Outrora último colocado e sem vitórias, esse ano o enfrentamento de igual para igual com Pelotas, Grêmio e Bagé elevou a autoestima do clube e dos torcedores. Um momento necessário.

Na medida que o certame foi se desenvolvendo, com a gente liderando o grupo, apareceu a possibilidade de uma classificação a nível TUPINIQUIM. Manchete de jornal que na mesma frase vinculava o nome do clube com o termo “Serie D do Brasileirão”, mesmo com alto teor ILUSÓRIO, trazia uma certa paz de espírito e esperança de que é possível viver em dias melhores. Por fim, a eliminação em casa para o Pelotas nas quartas de final, aliada ao resultado de ida onde marcamos gol na Boca do Lobo e trouxemos o empate para Bagé, semeando o sentimento de que “DAVA”, chateou demais a torcida.

Entretanto fita, band-aid, esparadrapo e sigamos.

Isso pois às pressas se montou um plantel que, provado ao fim do jogo, merece ser bancado até a morte. Atletas profissionais que, por N situações de mercado, já têm emprego certo para o ano que vem, mas ainda assim não abriram mão dos CÓDIGOS e mesmo aos 40 do segundo tempo, com 2 a 0 no lombo, precisando de 3 gols, não deixaram de jogar da mesma maneira, na mesma intensidade e lutando ate o fim. Respeito pela camiseta. Por si próprio. Capitaneados por Valença, uma figura lúcida que, não só pelas sólidas atuações em campo, merece ser lembrada.

(e que também me calou a boca, pois foi a contratação que mais questionei quando fora anunciada, é preciso dizer. Que um dia retorne).

A partida foi trágica em todos os sentidos. Gramado impraticável devido ao temporal, renda comprometida devido ao publico reduzido (comprometendo também a captação de recursos para pagamento da folha salarial), time visitante jogando praticamente de local por apoio consideravelmente grande dos áureo-cerúleos que se trasladaram de Pelotas à fronteira, gol contra de Jocenir com o segundo e derradeiro gol sofrido 2 minutos depois acabando com qualquer perspectiva de classificação.

Está tudo muito quente, entretanto não é hora de pedir a cabeça de ninguém. O momento é ruim, mas se há algo de certo no futebol, é que a única forma de melhorar é desde a tranquilidade para a análise e tomada de decisões. Quando alguém que queremos muito está mal, o acompanhamos. É assim. Com o Guarany é igual. Temos que colocar a faca entre os dentes e trabalhar unidos. O ano de 2018 se aproxima e erros deverão ser identificados para não serem repetidos. O perfil da competição será outro, o que demandará algumas adaptações em relação ao modus operandi da Copinha.

Guarany ontem, hoje (especialmente hoje) e amanhã,

Kauê Monteiro.

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